Na ofensiva, Dilma rebate críticas da oposição

"Muitas vezes você é criticado por ter o cachorro e outras vezes por não ter o mesmo cachorro. É uma crítica interessante que acontece no Brasil", discursou a presidente em Porto Alegre, onde participou de cerimônia de inauguração do sistema de esgotamento sanitário da Ponta da Cadeia; Dilma Rousseff justificou desonerações feitas pelo governo e rebateu críticas de adversários: "Não é possível fazer críticas por falta de investimento e ao mesmo tempo criticar os investimentos, não fecha"

Porto Alegre - RS, 11/04/2014. Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de inauguração do sistema de esgotamento sanitário da Ponta da Cadeia. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Porto Alegre - RS, 11/04/2014. Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de inauguração do sistema de esgotamento sanitário da Ponta da Cadeia. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR (Foto: Felipe L. Goncalves)

247 – Em discurso feito em Porto Alegre, na manhã desta sexta-feira 11, a presidente Dilma Rousseff rebateu, irritada, o que insinuou serem críticas da oposição que não fazem sentido. Ou, em suas próprias palavras, que "não fecham". "Muitas vezes você é criticado por ter o cachorro e outras vezes por não ter o mesmo cachorro. É uma crítica interessante que acontece no Brasil", disse Dilma.

A presidente destacou medidas tomadas para que o País enfrentasse a crise internacional sem que os efeitos caíssem sobre o mercado de trabalho. "Jamais enfrentamos a crise à custa do trabalhador, ou do empreendedor. Nós reduzimos sim impostos, principalmente sobre a folha de pagamentos, porque era uma forma de melhorar a produtividade. Nós fizemos políticas de sustentação do investimento sim de expansão da infraestrutura, sim", disse Dilma.

A presidente justificou que "um projeto não é financiado a qualquer taxa, tem que ter juros mais baixos e prazos mais longos, se não o prefeito não consegue pagar", citando o prefeito José Fortunati (PDT). Dilma lembrou ainda a situação de baixa vulnerabilidade da economia brasileira, com reservas de US$ 378 bilhões e dívida líquida sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de 33,8%. "Portanto, Brasil também tem robustez fiscal", reforçou.

A presidente reclamou, em seguida, que "não é possível fazer críticas por falta de investimento e, ao mesmo tempo, criticar os investimentos", numa referência a ataques que têm recebido de adversários. "Não é possível, não fecha, a equação no Brasil tem que fechar", acrescentou. A presidente participou na cidade de cerimônia de inauguração do sistema de esgotamento sanitário da Ponta da Cadeia.

Citando obras no Rio Grande do Sul e a modernização de aeroportos, Dilma Rousseff afirmou que "as obras atendem rigorosamente à Copa, mas não são para a Copa, são para o povo desse País, desse estado". Segundo ela, "quando a gente vai dar uma festa, a gente dá uma melhorada na casa, mas os principais beneficiados são os moradores".

Abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre a cerimônia:

Dilma defende investimentos para a Copa e diz que inflação está sob controle

Luana Lourenço – A presidenta Dilma Rousseff defendeu hoje (11) os investimentos que o governo tem feito para a Copa do Mundo e disse que os benefícios ficarão para os brasileiros após o fim do megaevento. Dilma comparou a melhoria da infraestrutura do país para a Copa aos preparativos para receber convidados em casa.

"As obras, rigorosamente falando, atendem à Copa, mas elas não são para a Copa, elas são para o povo desse país, para o povo desse estado. Quando a gente vai dar uma festa na casa da gente, você dá uma melhorada na casa, quando vai ter o casamento, você pode até dar uma ampliada na casa, mas todos os benefícios ficam para quem mora na casa, e é isso que acontece conosco", comparou, em discurso durante cerimônia de inauguração de um sistema de tratamento sanitário em Porto Alegre (RS).

Dilma citou as obras dos aeroportos internacionais da capital gaúcha e de Brasília como exemplos de intervenções motivadas pela realização da Copa, mas que terão impactos posteriores. "Não tem a ver com Copa, mas com nossa situação concreta. A taxa de crescimento de pessoas que procuram avião é bastante significativa. Para vocês terem uma ideia, hoje, no Brasil, 100 milhões de passageiros utilizam por ano esse sistema de transporte", avaliou.

Ao defender o governo das críticas pelos investimentos no Mundial, Dilma disse que no Brasil, "muitas vezes você é criticado por ter um cachorro e outras vezes por não ter o mesmo cachorro". Ela utilizou a mesma metáfora para defender outras medidas econômicas do governo, entre elas, a desoneração da folha de pagamento e a expansão das políticas de financiamento para projetos de infraestrutura.

"Montar uma estrutura de financiamento adequada para investimento em infraestrutura é condição indispensável para esse projeto sair. Não é possível criticar simultaneamente por não fazer projetos para melhorar a saúde pública e criticar investimentos em saneamento, não é possível, não fecha. A equação no Brasil tem que fechar e aí a responsabilidade de cada um de nós tem que aparecer."

Durante o discurso, a presidenta voltou a afirmar que a inflação está sob controle, apesar da elevação do preço de alguns alimentos, motivada, segundo ela, pelas condições climáticas do começo do ano.

"Mantemos sistematicamente um olho e um controle na inflação mesmo quando, devido à seca que ocorre no Sudeste e à chuva torrencial que ocorre no Norte do Brasil e à seca que, graças a Deus, parece que estamos saindo dela no Nordeste, tivemos impactos em alguns produtos alimentares. Mas é importante olhar, primeiro, que isso é momentâneo, e segundo, que enquanto tem alguns produtos que sobem, outros caem", avaliou. "A inflação, nós iremos controlar sistematicamente", repetiu.

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