Na saúde, Doria recicla propostas que fracassaram na prefeitura de SP

O tema da saúde no programa de governo do candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, João Doria, é marcado pela reciclagem de propostas que apresentou quando ele foi prefeito da capital paulista. Ideias que fracassaram.; a principal delas é o Corujão da Saúde, em suas duas vertentes: exames médicos e cirurgias; a primeira foi reprovada pelo TCM

Na saúde, Doria recicla propostas que fracassaram na prefeitura de SP
Na saúde, Doria recicla propostas que fracassaram na prefeitura de SP (Foto: Reprodução)

Por Rodrigo Gomes, da RBA - O tema da saúde no programa de governo do candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, João Doria, é marcado pela reciclagem de propostas que apresentou quando ele foi prefeito da capital paulista. Ideias que fracassaram. A principal delas é o Corujão da Saúde, em suas duas vertentes: exames médicos e cirurgias. A primeira, embora comemorada pelo então prefeito como um sucesso, em abril do ano passado, foi reprovada pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) por não atingir nenhum dos objetivos para os quais foi proposto. Nem a fila foi zerada, nem o tempo de espera pela realização de exames foi reduzido.

O primeiro ponto é que a gestão diz que foi zerada a fila de exames, mas o Corujão da Saúde não realizou todos os exames disponíveis na rede municipal, apenas ultrassonografias, mamografias, tomografias, ecocardiografias, densitometrias e ressonâncias. Dados obtidos por Lei de Acesso à Informação pelo El País revelaram que ficaram de fora da conta de Doria outros 112 exames, para os quais havia aproximadamente 200 mil pessoas aguardando o procedimento.

Segundo a fiscalização do TCM, 112.260 pessoas foram retiradas da fila sem realizar os exames. Elas correspondem a 20% das 588.320 solicitações de exame. Outras 142.818 pessoas – cerca de 30% dos restantes – não compareceram ao agendamento no dia marcado. E não há informações se foram reagendados os procedimentos. Além disso, o número de consultas de retorno não condiz com o aumento dos exames. A quantidade mensal de consultas médicas realizadas entre os meses de janeiro e maio de 2017, período de execução do programa, foi apenas 5% superior à média mensal de outubro a dezembro de 2016.

Já o Corujão das Cirurgias esperava zerar uma fila de 68 mil pessoas, atendendo 26 mil delas até o final de 2017. Seriam realizadas cirurgias de hérnia, ginecológicos, de tireoide e de proctologia. A expectativa era de realizar cinco mil procedimentos por mês, mas nos primeiros dois meses apenas 2.755 foram realizados. Em julho deste ano, a prefeitura de São Paulo divulgou que tinha realizado 49,8 mil cirurgias. O TCM novamente questionou o programa, abrindo uma fiscalização sobre a quantidade de pacientes encaminhados para cirurgias, o tempo que ficaram na fila, o tamanho da evolução das filas e do período médio de espera e que sejam identificados os motivos para a eventual retirada de pacientes da fila.

Outra promessa requentada pelo agora candidato ao governo é o Remédio Rápido. Porém, a distribuição de medicamentos foi errática na gestão Doria, que inicialmente apostou em doações da indústria farmacêutica para cobrir as faltas de medicamentos. No entanto, boa parte dos medicamentos estava perto da data de vencimento e acabou descartada sem atender a população, onerando o município.

Em seu programa Doria também fala em criar novos Ambulatórios Médicos de Especialidades (Ames), mas na prefeitura tentou fechar 101 serviços de Assistência Médica Ambulatorial (AMA), demitiu equipes de saúde e só foi parada pela ação do Ministério Público Estadual, que considerou a medida prejudicial à população, determinou a reabertura das unidades e a recontratação de profissionais demitidos. Outra proposta é investir em telemedicina, criando sistema para atendimento remoto à população, sem a presença de médicos em todas as unidades.

O conselheiro estadual da Saúde Mauri Bezerra dos Santos Filho defende que o próximo governante deve se empenhar em apoiar os municípios na implementação de serviços de atenção básica e composição de equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF). "Hoje, um dos maiores gargalos que temos é na atenção básica das cidades do interior. É um atendimento fundamental, que atua prevenção dos problemas e reduz os gastos com saúde, mas que muitas cidades não dão conta de realizar sozinhas", afirmou.

Outra ação que os candidatos deviam focar é na implementação de serviços de atendimento ambulatorial, de forma a desafogar os hospitais gerais e regionais. "Muitas vezes, as pessoas acabam indo para um grande hospital por um problema simples, que poderia ser resolvido com atendimento ambulatorial. É muito importante que o governo estadual atue apoiando os municípios financeiramente na constituição desse serviço, de forma que você desafoga os grandes hospitais e coloca a unidade mais próxima da população", explicou.

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