Novo presidente da Sabesp é bem avaliado por analistas

Analistas avaliam positivamente a escolha, feita pelo governo paulista, de Jerson Kelman para controlar a crise hídrica; consultados pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, eles apontam que Kelman é experiente e preparado para o cargo, tem um perfil mais técnico e deve ter mais autonomia que sua antecessora, mas dizem não esperar novas medidas no curto prazo

R Jerson Kelman
R Jerson Kelman (Foto: Gisele Federicce)

SÃO PAULO - No último dia 9 de janeiro, o Conselho de administração da Sabesp (SBSP3) escolheu o nome do executivo que tentará livrar a companhia - e o estado de São Paulo - da atual crise hídrica da região. Jerson Kelman foi eleito presidente, substituindo Dilma Pena, que estava desde 2011 no cargo, no comando da empresa.

Apesar das expectativas para tentar aliviar o cenário de seca, Kelman fez um grande alerta em seu discurso de posse. Segundo ele, a população "tem que estar preparada para o pior". "Seria irresponsabilidade, no quadro em que estamos hoje olhar para a frente com otimismo", afirmou o executivo. A escolha foi bem-recebida por analistas, que o consideram experiente e preparado.

Consultados pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, os analistas apontam que Kelman tem um perfil mais técnico e deve ter mais autonomia que sua antecessora, mas dizem não esperar novas medidas no curto prazo. O consenso é de que 2015 será um ano ainda mais difícil para a companhia e que a solução virá somente com maiores níveis de chuva.

"É uma boa notícia. Acredito que Kelman terá mais independência e poder de barganha com o governador Geraldo Alckmin para aplicar as melhores soluções técnicas, independentemente de questões políticas", avalia Ezequiel Fernández, do Scotiabank.

Ele ressalta, porém, que não há muito a se fazer além de "esperar pelas chuvas", uma vez que já existem soluções de médio prazo sendo implementadas, como o Sistema São Lourenço e a ligação das Represas Jaguari e Atibainha. "O próprio Kelman já disse isso em entrevistas recentes", lembra. "Para o curto prazo, me parece que a única escolha da Sabesp será decidir como o racionamento será aplicado e isso só deve ocorrer após o fim do período chuvoso".

Jerson Kelman nasceu no Rio de Janeiro em 1948, é casado, tem dois filhos e cinco netos. É engenheiro civil com especialização em hidráulica pela Escola de Engenharia da UFRJ em 1971. Entre suas formações, ele ainda é Mestre em Engenharia Civil pela COPPE-UFRJ (1973), Ph.D. em Hidrologia e Recursos Hídricos por Colorado State University (1976) e Livre Docente da UFRJ (1983).

Foi Interventor na Enersul (Empresa Energética de Mato Grosso do Sul), Presidente do Grupo Light entre 2010 e 2012, Diretor-Geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica entre 2005 e 2008 e Diretor Presidente da ANA (Agência Nacional de Águas de 2001 a 2004. Antes, o executivo foi pesquisador do CEPEL (Centro de Pesquisas de Energia Elétrica), Diretor da SERLA-RJ (Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas), consultor do Banco Mundial e sócio da BR-Investimentos.

Desde 1974 é professor de Recursos Hídricos da COPPE-UFRJ. Ele é autor dos livros "Cheias e Aproveitamentos Hidroelétricos" (1983) e "Desafios do Regulador" (2009), e de mais de uma centena de artigos técnicos e capítulos em livros especializados. Kelman foi fundador, diretor e presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Hídricos).

Ele já foi membro do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), do CNRH (Conselho Nacional de Recursos Hídricos), do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), do Conselho Internacional da ABENGOA (Espanha), do Conselho Consultivo do Instituto de Hidráulica da UNESCO (Holanda) e do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico). Foi coordenador da Comissão de Análise do Sistema Hidrotérmico de Energia Elétrica que diagnosticou as causas do racionamento de 2001.

Kelman é  membro atual do Conselho Curador da FBDS (Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável), do Comitê Científico da Semana Mundial da Água em Estocolmo, da ANE (Academia Nacional de Engenharia), do Conselho Superior de Infraestrutura da FIESP (Federação da Indústria do Estado de São Paulo), do Conselho de Energia da FIRJAN, da Força Tarefa sobre Segurança Hídrica da GWP (Global Water Partnership) e da OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development).

É também comendador da Ordem do Rio Branco e da Ordem do Mérito Científico. Recebeu medalhas de mérito legislativo da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o Distinguished Alumni Award (2012, Colorado State University), o título de Engenheiro Eminente (2010, Associação de Antigos Alunos da Politécnica) e o King Hassan II World Water Prize (2003, World Water Council)

Para Alexandre Montes, analista da consultoria Lopes Filho, Kelman é um "ótimo nome" para enfrentar uma situação "dificílima". "Não espero medidas imediatas, até porque será preciso tomar pé da situação, mas com certeza virão medidas", diz, ressaltando que não haverá "milagre". "Não há muito o que fazer nessa situação a não ser rezar por chuva. Qualquer coisa que se faça tem um prazo de maturação elevado e não salva 2015", avalia.

Já o analista de um grande banco norte-americano, que preferiu não ser identificado, avalia que Kelman não deve arriscar sua reputação adotando uma postura de conivência diante do governo e, com isso, deve ter mais autonomia que sua antecessora. "Dilma era um pouco 'em linha' demais com a atual administração estadual", afirma. Segundo ele, porém, isso ocorreu principalmente devido às eleições de 2014.

Com Agência Estado

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