Número de pessoas em tratamento contra aids aumenta 13%

Brasil tinha 81 mil pessoas tomando antirretrovirais no ano passado, 13% a mais do que em 2014; dados foram apresentados nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde no lançamento da Campanha Nacional de Prevenção à DST/Aids para o Carnaval 2016, na quadra da Escola de Samba da Mangueira; nos últimos seis anos, o número de pessoas em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) praticamente dobrou, passando de 231 mil para 455 mil pessoas 

Brasil tinha 81 mil pessoas tomando antirretrovirais no ano passado, 13% a mais do que em 2014; dados foram apresentados nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde no lançamento da Campanha Nacional de Prevenção à DST/Aids para o Carnaval 2016, na quadra da Escola de Samba da Mangueira; nos últimos seis anos, o número de pessoas em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) praticamente dobrou, passando de 231 mil para 455 mil pessoas 
Brasil tinha 81 mil pessoas tomando antirretrovirais no ano passado, 13% a mais do que em 2014; dados foram apresentados nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde no lançamento da Campanha Nacional de Prevenção à DST/Aids para o Carnaval 2016, na quadra da Escola de Samba da Mangueira; nos últimos seis anos, o número de pessoas em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) praticamente dobrou, passando de 231 mil para 455 mil pessoas  (Foto: José Barbacena)
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Agência Brasil - O Brasil tinha 81 mil pessoas tomando antirretrovirais no ano passado, 13% a mais do que em 2014. Os dados foram apresentados hoje (28) pelo Ministério da Saúde no lançamento da Campanha Nacional de Prevenção à DST/Aids para o Carnaval 2016, na quadra da Escola de Samba da Mangueira.

Segundo o Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, antirretrovirais são medicamentos usados para impedir a multiplicação do vírus HIV no organismo. Eles não matam o vírus, causador da aids, mas ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico.

Nos últimos seis anos, o número de pessoas em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) praticamente dobrou, passando de 231 mil para 455 mil pessoas. O aumento da adesão aos medicamentos significa que a meta de supressão viral de 90% estipulada pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) foi alcançada. Hoje, 91% dos brasileiros adultos vivendo com HIV/aids, em tratamento há pelo menos seis meses, já apresentam carga viral indetectável no organismo.

No entanto, a prevenção continua sendo a maior arma contra o avanço da doença. Com investimento de R$ 14 milhões, a campanha deste ano tem o slogan "Deixe a Camisinha Entrar na Festa", com ênfase no uso do preservativo para prevenir doenças sexualmente transmissíveis.

O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita, explicou que, embora seja uma ferramenta fundamental na prevenção, a camisinha não é a única. "A estratégia hoje é a prevenção combinada. O teste periodicamente é muito importante, mas tem também a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que chamamos carinhosamente de pílula dos 28 dias seguintes. Todas essas ações em conjunto é que nos ajudarão a controlar a epidemia de Aids."

A procura pela PEP aumentou muito desde que o acesso ficou mais fácil, em 2012. Mesquita ressaltou que o aumento não significa que as pessoas estejam substituindo a camisinha pelo tratamento. “A PEP é uma adição, não substitui a camisinha. São quatro comprimidos diferentes, é um medicamento pesado, que deve ser tomado por 28 dias, não é tarefa simples. Não há evidências, nem aqui, nem no restante do mundo, de que as pessoas façam substituição. A camisinha é muito mais simples", afirmou o médico.

Ele adiantou que, em breve, o aplicativo para celular da PEP, com orientações sobre o uso e os locais onde se pode adquirir o medicamento, estará também disponível no sistema iOS. Hoje já existe no Windows e no Android.

"Dá vergonha comprar"

Morador da Mangueira, o estudante Douglas Lopes, de 16 anos, participou do evento com colegas do clube de futebol da comunidade. Ele e os amigos admitiram que não se previnem com frequência, apesar de saberem da importância do uso da camisinha para evitar doenças. "Dá vergonha comprar", comentou.

"Alguns amigos dizem que é ruim no sexo", acrescentou Douglas, que defendeu a realização de mais campanhas de esclarecimento e mais acesso a camisinhas nas escolas. "Não conheço ninguém com aids, mas conheço meninas da minha idade que engravidaram, porque não se preveniram", disse o estudante.

O representante do Fórum ONGs HIV/Aids-RJ, Renato da Matta, cobrou das autoridades campanhas de conscientização constantes, e não apenas pontuais."Porque a aids não escolhe data", afirmou Matta. "Estados e municípios deveriam trabalhar com a informação o ano inteiro, pois a falta de informação ainda é um grave problema."

SUS oferece 22 medicamentos gratuitos

O percentual de brasileiros vivendo com HIV diagnosticado passou de 80% em 2012 para 83%, em 2014. Apesar do aumento, o Ministério da Saúde diz que a epidemia está estabilizada, com cerca de 40 mil novos casos por ano. O SUS oferece gratuitamente 22 medicamentos para pacientes soropositivos, sendo 11 produzidos no Brasil.

As três metas de tratamento 90-90-90 da Unaids têm como objetivo testar 90% das pessoas vivendo com HIV e aids, tratar 90% destas e que 90% tenham carga viral indetectável até 2020 em todo o mundo.

A Profilaxia Pós-Exposição é um procedimento que evita a proliferação do HIV, caso o medicamento seja tomado até 72 horas após a exposição ao vírus, como nos casos de sexo desprotegido. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, o ideal é que seja usado nas primeiras duas horas após a exposição ao risco. Ao todo, são 28 dias consecutivos de uso dos quatro medicamentos antirretrovirais previstos no novo protocolo (tenofovir + lamivudina + atazanavir + ritonavir).

Durante todo o ano passado, foram ofertados 42,3 mil tratamentos para PEP. Nesta quinta-feira, entra no ar, no portal do Ministério da Saúde, uma nova área sobre a PEP com informações customizadas para o usuário do SUS, profissionais e gestores estaduais e municipais de saúde. O conteúdo incluirá a lista das 515 unidades de saúde que ofertam a PEP.

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