“O mundo já percebeu que há um golpe no Brasil“

"O New York Times demonstra o quanto é questionável o processo do impeachment e as motivações dos interessados nele. O talk show americano da HBO, The Last Week Tonight com John Oliver, nas suas tiradas humorísticas também ironizou o fato de que indiciados por corrupção vão julgar alguém sem acusação. Vários outros órgãos de imprensa mundo afora dão destaque ao golpe de estado que o Brasil pode sofrer. E assim o definem: GOLPE. Fico imaginando a cabeça de vocês, turma do discurso fácil, numa hora dessas. Imagino os questionamentos que estão afligindo essas cabecinhas raivosas"; as afirmações são de Anderson Defon, militante do PT, em texto enviado ao 247; confira a íntegra

"O New York Times demonstra o quanto é questionável o processo do impeachment e as motivações dos interessados nele. O talk show americano da HBO, The Last Week Tonight com John Oliver, nas suas tiradas humorísticas também ironizou o fato de que indiciados por corrupção vão julgar alguém sem acusação. Vários outros órgãos de imprensa mundo afora dão destaque ao golpe de estado que o Brasil pode sofrer. E assim o definem: GOLPE. Fico imaginando a cabeça de vocês, turma do discurso fácil, numa hora dessas. Imagino os questionamentos que estão afligindo essas cabecinhas raivosas"; as afirmações são de Anderson Defon, militante do PT, em texto enviado ao 247; confira a íntegra
"O New York Times demonstra o quanto é questionável o processo do impeachment e as motivações dos interessados nele. O talk show americano da HBO, The Last Week Tonight com John Oliver, nas suas tiradas humorísticas também ironizou o fato de que indiciados por corrupção vão julgar alguém sem acusação. Vários outros órgãos de imprensa mundo afora dão destaque ao golpe de estado que o Brasil pode sofrer. E assim o definem: GOLPE. Fico imaginando a cabeça de vocês, turma do discurso fácil, numa hora dessas. Imagino os questionamentos que estão afligindo essas cabecinhas raivosas"; as afirmações são de Anderson Defon, militante do PT, em texto enviado ao 247; confira a íntegra (Foto: Valter Lima)

Anderson Defon*, para o 247 - O New York Times demonstra o quanto é questionável o processo do impeachment e as motivações dos interessados nele. 

O talk show americano da HBO, The Last Week Tonight com John Oliver, nas suas tiradas humorísticas também ironizou o fato de que indiciados por corrupção vão julgar alguém sem acusação.

Vários outros órgãos de imprensa mundo afora dão destaque ao golpe de estado que o Brasil pode sofrer. E assim o definem: GOLPE.

Fico imaginando a cabeça de vocês, turma do discurso fácil, numa hora dessas. Imagino os questionamentos que estão afligindo essas cabecinhas raivosas.

"Logo os americanos, nossos ídolos. Logo os americanos, modelos mundiais de tudo."

"Será que o Tio Sam trocou o hambúrguer pela mortadela?"

"Será que a turma do PT está financiando o The New York Times?"

Entendam, meus caros, que a discussão não gira em torno de ser favorável ou não ao governo. Quem é contra o GOLPE não está assinando um documento atestando estar satisfeito com a situação do Brasil. Eu, por exemplo, não estou satisfeito com a política econômica do governo. Reconheço que as medidas tomadas até agora não representam o projeto que defendo e que elegi em 2014. E entendo que você pense da mesma forma.

Se você é clubista, binário e passou a enxergar um mundo dividido entre azul CBF e vermelho CUT, onde não é possível a absorção de argumentos, pode parar por aqui. Mas se você ainda se permite, mesmo que no seu íntimo, a refletir acerca do que sai da cabeça de outras pessoas, sugiro uma leitura atenciosa.

Ser contra o governo ou estar com ele insatisfeito não justifica um impeachment. Resgate as memórias de suas aulas de história do Brasil e lembre-se que muito já se penou nesse país para que você possa estar demonstrando a insatisfação que está demonstrando, para que eu pudesse estar aqui escrevendo esse texto sem medo de represálias. Lembre que o discurso usado para que os militares tomassem o poder em 1964 também girava em torno do ódio à “ameaça vermelha”, que 10 anos antes disso, os que motivaram Getúlio a fincar uma bala no peito também usavam o discurso de combate a um governo corrupto. Em ambos os casos o que ficou comprovada foi a intenção de aplicar a sua própria corrupção, não a de combater a de outrem. A corrupção, meu caro, não se apega a bandeiras partidárias. Ela não tem forma, ideal ou escrúpulos, ela está no indivíduo. Seja ele do PT, do PSDB ou de qualquer outra sigla. O indivíduo corrupto que deseja locupletar-se com a máquina pública não terá o filtro partidário de escolher aqueles a quem irá se associar. Para isso basta olharmos as variedades de partidos aos quais são filiados os envolvidos na Operação Lava-Jato.

Infelizmente, nenhuma entidade no Brasil simboliza melhor o que é a política aplicada a interesses pessoais do que o Congresso Nacional. São 513 deputados e 81 senadores das mais variadas índoles e interesses, levando ao plenário e às conversas de gabinete suas aspirações, sejam elas políticas ou pessoais, transformando a entidade máxima de representação popular no maior balcão de lobby do mundo. Liderado, hoje, por uma figura reconhecidamente vil como Eduardo Cunha, esse Congresso coloca contra a parede o poder executivo, e na base do achaque (como muito bem disse Cid Gomes) acaba com a equidade entre os poderes. A cada ministério dado, uma mudança de postura; a cada nomeação, uma declaração de voto diferente.

Sim, e é para atender aos interesses deles que vocês estão indo às ruas com suas camisas da seleção. A mesma população que brada e reconhece a necessidade de uma reforma política servirá de ferramenta para perpetuação do atraso e da chantagem como nossa maior característica. A mesma população que se acha mais participativa por estar se manifestando, estará atentando contra o próprio poder, quando deslegitimar o resultado das eleições. Por fim, estará empoderando ainda mais aqueles que mais deveríamos estar pressionando e combatendo, abrindo o precedente para que estes manipulem a tudo e a todos apenas pela sua manutenção no poder.

Esse congresso percebeu a miopia política de vocês. E vocês são, agora, a maior ferramenta deles para que se aprove o maior absurdo da história de nossa democracia que é um impeachment presidencial sem crime de responsabilidade. Quem sustenta politicamente o processo é uma bancada composta pela maioria dos parlamentares citados na Lava-jato, quem o coordena é Eduardo Cunha que há muito já deveria estar afastado de seu mandato por ser réu do mais longo processo de cassação de um parlamentar da história. Mas você diz se manifestar contra a corrupção, diz que não é Golpe. Se orgulha de ter votado no Aécio, sete vezes citado na Lava-jato e xinga a Dilma dizendo que ela roubou a nação, sendo que a mesma nunca foi citada nos casos relatados de corrupção.

Não quero que vocês deixem de cobrar melhorias desse governo. Pelo contrário, pressione-o por novas políticas, cobre as medidas que você acha justas e caso não seja esse o projeto que te contemple, eleja outro candidato em 2018, mas não sabote a democracia pois estará sabotando a si mesmo. O New York Times já percebeu, o mundo todo já percebeu.
Só vocês não.

*Anderson Defon, militante do PT.

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