‘O PT não vai tirar Lula das urnas. Quem fizer isso, vai ter que botar sua digital’

Ex-ministro Alexandre Padilha afirma que, “se alguém quiser tirar a candidatura do Lula das urnas, não será o PT. Quem fizer essa violência, rasgando a Constituição, vai ter que botar a sua digital nesse atentado à Constituição e isso vai ficar marcado para a história brasileira”. “Vamos manter a candidatura do Lula até o fim”, diz

‘O PT não vai tirar Lula das urnas. Quem fizer isso, vai ter que botar sua digital’
‘O PT não vai tirar Lula das urnas. Quem fizer isso, vai ter que botar sua digital’ (Foto: Guilherme Santos - Sul 21)

Por Luís Eduardo Gomes, Sul 21 - Um dos responsáveis por elaborar o plano de governo para a campanha presidencial do ex-presidente Lula, o ex-ministro da Saúde de Dilma, Alexandre Padilha (PT-SP), participou nesta sexta-feira (13) de uma plenária de centrais sindicais realizadas na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Em conversa com o Sul21 pela manhã sobre a situação política do partido e do ex-presidente, o ministro reafirmou a posição que vem sendo difundida pelo PT de que de não há plano B como alternativa à candidatura de Lula.

Padilha destacou que o PT ainda tem 30 dias para tomar uma definição, visto que o prazo para inscrição das candidaturas vai até o dia 15 de agosto, mas que a estratégia de manter a candidatura do Lula até o final está “absolutamente mantida”. “Se alguém quiser tirar a candidatura do Lula das urnas, não será o PT. Quem fizer essa violência, rasgando a Constituição, vai ter que botar a sua digital nesse atentado à Constituição e isso vai ficar marcado para a história brasileira. Vamos manter a candidatura do Lula até o fim”, diz.

A estratégia do PT é fazer, em 15 de agosto, um grande ato com movimentos sociais, artistas e personalidades internacionais, em Brasília. “A candidatura do Lula vai ser entregue pelo povo. E estamos preparados para a batalha política e jurídica em torno disso”, diz Padilha.

Por outro lado, ele afirma que o PT segue mantendo conversas com outros partidos para a formação de uma aliança eleitoral, indicando que as conversas mais próximas estão ocorrendo com os partidos PSB, PCdoB e PROS. Contudo, o ex-ministro ressalta que ainda continuam as conversas com os demais partidos que formaram uma frente progressista e lançaram recentemente um manifesto com críticas ao governo de Michel Temer (MDB) e propondo um programa mínimo comum, especialmente com o PDT. Para Padilha, é necessário que ter um “vice que amplie” compondo a chapa com Lula, que poderia vir até de fora desses partidos.

“O meu nome dos sonhos sempre foi o Josué Alencar (PR), acho que representaria a recuperação simbólica muito importante do primeiro mandato do Lula com o José Alencar. Estamos em conversa, tanto com o Josué, quanto com o PSB, com PCdoB, para que eles possam indicar nomes”, disse. O PR, de Alencar, vem sendo cobiçado por diversos candidatos, como Ciro Gomes (PDT), e inclusive do outro espectro político, visto que chegou a ser anunciado que o senador Magno Malta (PR-ES) poderia ser o vice de Jair Bolsonaro (PSL).

E o Plano B?

Para Padilha, a pressão para o PT apresentar um plano B não atinge o partido. “Se o plano A do povo brasileiro é o Lula, porque o PT tem que pensar no Plano B?”, questionou, em referência à liderança do ex-presidente nas pesquisas.

Segundo ele, essa cobrança vem de setores da imprensa que ele considera ser “intermediários do setor financeiro e do poder econômico”. “Qual é o drama de quem fez o golpe no País e quem sustenta o governo Temer? É que eles não conseguiram construir um candidato e o sonho deles é que o candidato deles dispute o segundo turno com o Bolsonaro, que é outra cria que eles fizeram. Só que não tem espaço para os dois”, diz.

Padilha acredita que, com Lula na disputa, o candidato que seguirá a cartilha do setor financeiro terá que partir para cima de Bolsonaro para ter alguma chance de estar no segundo turno. “Esse é o drama deles. Semearam o ódio e a intolerância no País e estão colhendo o Bolsonaro”, afirma. “O setor que financiou o golpe quer tirar o Lula porque sabe que ele é única liderança política com condições, ganhando as eleições, de revogar as medidas que eles impuseram. Então, quando esses intermediários do poder econômico dizem isso [sobre o Plano B], é porque eles não sabem qual é o texto de consultoria para as matrizes deles do setor financeiro, dos fundos de investimento. Eles não sabem dizer se, em 2019, a lei trabalhista vai ser a mesma atual, que retirou todos os direitos dos trabalhadores. Se o governo federal vai ter o compromisso atual de sacrificar saúde, educação, habitação, para ficar pagando dívida para o setor bancário. Por isso tem essa pressão tão grande para o PT retirar a candidatura do Lula”.

Questionado então sobre o que o PT fará para o caso de o ex-presidente Lula seja barrado pela justiça de registrar sua candidatura, Padilha afirmou: “Se eles rasgarem a Constituição, cometerem essa violência, temos um consenso muito claro de discutir com o Lula uma alternativa”, disse. “Se eles cometerem essa injustiça, nós vamos ter uma fotografia que é o Lula não podendo ser candidato, mas o Aécio podendo ser, o Romero Jucá podendo ser. Nós vamos fazer esse debate com a população”.

Episódio do HC

Apesar de manter a confiança durante toda a entrevista de que o PT conseguirá registrar a candidatura de Lula, Padilha afirmou que os acontecimentos do último domingo (9) a respeito do habeas corpus concedido pelo desembargador plantonista do TRF4, Rogério Favreto, e depois retirado pelo presidente do tribunal Thompson Flores após pressão do juiz Sérgio Moro e do desembargador Gebran Neto, escancarou duas coisas. “A primeira é a vontade de uma parte significativa do povo brasileiro de ver o Lula presidente, ver o Lula se candidatar, porque a esperança de ver o Brasil voltar a crescer passa pelo Lula. O outro fator que mostrou é que tem um setor judiciário, da mídia, de interesses que estão por trás, que não têm nenhum pudor de tomar qualquer tipo de medida de exceção, rasgar a nossa Constituição, rasgar qualquer procedimento jurídico, para conseguir aquilo que eles sonham, que é tirar o Lula das eleições. Esses setores se borram de medo de ver o Lula candidato, porque sabem a força que o Lula tem”.

Mudança na conjuntura

Questionado sobre a sua confiança de que o PT poderá voltar a ganhar as eleições mesmo depois da conjuntura que sucedeu a eleição de Dilma em 2014, passando pelo impeachment e a prisão de Lula, Padilha elenca três fatores que o levam a pensar que o contexto mudou. O primeiro deles é que, para o ex-ministro, o ex-presidente, a sua defesa e a atuação de vários juristas conseguiram deixar claro para a população que não há provas que embasem a sua condenação.

“Não à toa, o juiz o de primeira instância de Curitiba que condenou o Lula, que tinha há dois anos 80% de aprovação da população, hoje tem a rejeição maior do que a do Lula. Ou seja, ficou explícito que está acontecendo uma condenação absolutamente política”, diz Padilha — pesquisa Ipsos divulgada no final de junho apontava que Moro era desaprovado por 55% da população e Lula por 54%.

O segundo ponto elencado por Padilha é que a população teria percebido que os “arautos da ética” que comandavam a campanha pelo impeachment de Dilma estavam eles muito envolvidos em corrupção. “As pessoas começaram a ver as caixas de dinheiro do Geddel, as ligações do Aécio, as contas na Suíça do Eduardo Cunha, o perfil dos ministros do Temer, as ações do Temer no Congresso Nacional para se manter presidente da República. Ou seja, começaram a perceber que o perceber que a Dilma foi retirada da presidência sem nenhum crime e entrou uma corja de ladrões para governar o País”, afirma.

O terceiro fator seria as medidas adotadas por Temer após chegar ao poder, o que ele considera como um desastre social. “É só ver o preço do gás de cozinha, ver a situação do desemprego. Eu dou aula numa universidade de São Paulo em que a maioria dos alunos estavam lá por causa do FIES e do ProUni. Esse ano, tivemos 17 mil alunos a menos, de 80 mil alunos. Ou porque não tem mais ProUni, por que não tem mais FIES, ou porque todo mundo da família está desempregado e o jovem tem que arrumar trabalho”.

Programa de governo em breve

Por fim, Padilha ainda destacou que o PT pretende lançar, possivelmente na próxima semana, um “programa de emergência” com 13 propostas para tirar o Brasil da crise. “Uma das medidas, anunciada pelo próprio Lula, por exemplo, é de ampliar a isenção do imposto de renda para a classe trabalhadora. Não podem os trabalhadores e trabalhadoras pagarem a conta dos desmandos do atual governo. Outra é recuperar os programas sociais. Temos muito claro de revogar as medidas feitas pelo Temer, revogar a reforma trabalhista. Queremos rediscutir o financiamento da educação. Não admitimos essa do ideia do congelamento por 20 anos do investimento público nesse País. Revogar essas medidas de entrega do pré-sal, de entrega da Petrobras”, afirma.

A reportagem também conversou com Padilha a respeito da situação da saúde do País, a ser publicada na próxima semana.

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