Olimpíadas chegando. O impacto do esporte em nosso DNA

A prática regular de um esporte modifica a epigenética, ou seja, a expressão de nossos genes.

Olimpíadas chegando. O impacto do esporte em nosso DNA
Olimpíadas chegando. O impacto do esporte em nosso DNA



Por Thomas Cavaillé – Le Figaro

 

«É comumente aceito que a atividade física melhora a saúde, a qualidade de vida e a longevidade, mas os mecanismos implicados nesta ligação permanecem incertos ». O professor Carl Johan Sundberg, chefe da equipe no Karolinska Institutet de Stockholm, resolveu este mistério em parte. Em um estudo publicado em dezembro na revista Epigenetics, o pesquisador e sua equipe provam que um exercício físico regular tem um efeito no nível epigenético, no núcleo das células musculares.

 

 

Se os genes representam a informação, a epigenética desempenha tanto o papel de censura quanto de difusor: ela ativa ou inibe sua expressão no corpo humano, especialmente através de sua tradução em proteínas. Estes fenômenos podem mudar no decorrer da vida, pois eles dependem de inúmeros fatores ambientais, tais como a alimentação, a idade ou a exposição a poluentes. De acordo com os genes envolvidos, o estado de saúde é parcialmente modulado pela epigenética.

Uma perna testemunha

Os pesquisadores se interessaram principalmente na metilação do DNA, onde um conjunto de átomos chamado de grupo metilo, se fixa a um gene e o torna mais ou menos sensível aos sinais biológicos. E para considerar apenas as mudanças induzidas pela atividade física, eles usaram um método inédito: 23 homens e mulheres jovens pedalaram 45 minutos, quatro vezes por semana, durante três meses, ao utilizar apenas uma única e mesma perna. Para cada voluntário, a perna não treinada desempenhou o papel de testemunha, pois ela apresenta, como a perna treinada, as metilações devidas à idade ou hábitos alimentares. As diferenças observadas entre as duas pernas, no entanto, só puderam ser induzidas pelo exercício físico.

Mais de 4 mil genes envolvidos

Se a potência da perna aumentou obviamente com o treino em todos os participantes, é nas células musculares que o resultado é mais impressionante. Diferenças têm sido observadas em mais de 5 mil locais de DNA, envolvidos especialmente na formação dos músculos, no aporte de energia, nos mecanismos inflamatórios e nos processos imunológicos. Estes locais são modulados pela prática do esporte, de acordo com um padrão semelhante em todos os voluntários.

 

 

«Tais informações podem servir como base para novos estudos sobre o tratamento de doenças comuns, tais como diabetes e doenças cardiovasculares», especifica Matthias Baudot, doutorando em fisiopatologia cardíaca no Instituto de genômica funcional de Montpellier. «E como os fenômenos epigenéticos são próprios de cada indivíduo, seu estudo também pode levar a terapias mais personalizadas », acrescenta o jovem pesquisador.

Diferenças próprias aos dois sexos foram observadas pela equipe, «o que poderia ser de grande importância para desenvolver tratamentos específicos para o gênero », assegura Carl Johan Sundberg. Mas homem ou mulher, o diagnóstico é idêntico: a prática regular de um esporte permanece uma das maneiras mais simples, pelo fato de estar ao alcance de todos, para se manter em boa forma.

 

 

A importância da prática desportiva

No site http://www.saibatudo.com.br/, Denilson Bezerra informa que a prática de esportes pode reduzir consideravelmente os riscos de doenças, além de contribuir para uma melhor formação do corpo. Para muitos, serve como busca de um corpo perfeito, já outros acreditam que as atividades físicas são as melhores armas para a manutenção de uma vida relativamente saudável. É importante praticar atividade física regular desde a infância, mas o bem-estar do organismo ficou em segundo plano para muitas pessoas que vivem a constante busca de uma aparência ideal.
Até mesmo nos primeiros anos de vida já existe a necessidade de praticar algum esporte. Ele afirma: “O ato de engatinhar é muito importante na infância, pois ajuda a fortalecer a estrutura óssea e muscular do bebê”. Salles acrescenta ainda que, durante a adolescência e idade adulta, caminhar e nadar continuam sendo as melhores atividades para quem deseja se exercitar de uma forma correta.

 


Na adolescência, os benefícios da prática de atividades físicas, muitas vezes, são substituídos por lesões, problemas nos ossos e músculos devido à forma muito intensa com que muitos jovens passam a se exercitar. Nessa fase, os adolescentes praticam esportes populares de alto impacto, como futebol, voleibol, basquete e musculação de forma exagerada e inadequada em muitos casos. O profissional de educação física André Castro afirma que tem sido muito difícil controlar a vontade dos jovens adolescentes quanto à prática esportiva. “Eles querem ter resultados rápidos e por isso fazem os exercícios de forma agressiva, nada a ver com o que nós costumamos passar para eles”, completa o professor.
Essa ansiedade também afeta muitas pessoas na idade adulta que buscam, de repente, bons resultados para o corpo através da prática de atividades físicas. “É muito comum em meu consultório pacientes que nem alcançaram a terceira idade apresentando problemas de artrose e outros relacionados ao excesso de atividade física”, afirma Salles. Por isso o instrutor de educação física André Castro afirma que a melhor forma de se obter bons resultados através de atividades físicas é praticar com o máximo de moderação. “Não só do ponto de vista estético, como também fisiológico, os melhores resultados vêem através de uma atividade regular e, principalmente, moderada”, salienta.

 


Atividade ideal

Na tentativa de se obter bons resultados em relação à saúde sem que haja danos ao organismo, existem várias dúvidas sobre a atividade física ideal independente do biótipo de cada indivíduo. Para o especialista em medicina esportiva Silvoney Salles, o simples ato de caminhar é a prática mais indicada para qualquer idade. “Caminhar informalmente continua sendo ainda o melhor esporte, ajuda a relaxar ao mesmo tempo em que o corpo se mantém em plena atividade”, completa.
A dona de casa Marice Bezerra, de 48 anos, costuma caminhar pelas manhãs e acredita ser esta a atividade mais adequada ao seu modo de vida, isso após sofrer com problemas nas articulações do corpo. “Depois que comecei a caminhar passei a fazer outras atividades com maior êxito e já não me preocupo mais com as dores causadas pela artrose”, salienta.

 

A norte-americana Yvonne Dowlen começou a esquiar no gelo há mais de 70 anos. Ela nunca mais parou.

A norte-americana Yvonne Dowlen começou a esquiar no gelo há mais de 70 anos. Ela nunca mais parou.


Natação, rainha dos esportes

Outro esporte que vem sendo cada vez mais recomendado por profissionais que lidam com a saúde do corpo é a natação. André Castro, que atua na área há cerca de 15 anos, considera a natação o esporte mais completo entre os que são praticados atualmente. “Natação é um esporte fantástico, trabalha com todos os músculos e articulações do corpo, além da respiração, circulação sanguínea e sistema nervoso”, complementa. O professor afirma ainda que a natação ajuda no combate a um problema que tem feito com que mais pessoas passassem a aderir à prática de esportes que é o excesso de gordura no corpo, o que melhora a auto-estima de quem pratica.
Para o estudante de Administração Bruno Pithon, de 21 anos, a natação se transformou em um hobby que costuma praticar com freqüência há cerca de três anos. “Não sou um atleta, mas gosto muito da natação por causa não só do corpo definido, mas também por uma vida mais saudável onde posso comer, pensar, respirar e praticar outras atividades de forma bastante tranqüila”, afirma o estudante.
Tendo em vista os fatores que envolvem a prática de esportes, Silvoney Salles recomenda acompanhamento médico antes de se iniciar a prática de esportes ou outra atividade do tipo. Já André Castro acrescenta a necessidade da participação de um professor de educação física, que poderá instruir a pessoa, de forma correta, quanto à atividade mais indicada. Dessa forma, as chances de se ter uma vida tranqüila, do ponto de vista fisiológico, são ainda maiores.


 

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