Onde investir com a Selic em queda

Especialistas concordam que ainda no o momento de assumir riscos. Tesouro Direto opo mais atraente, apesar da reduo da taxa bsica de juros

Onde investir com a Selic em queda
Onde investir com a Selic em queda (Foto: Shutterstock)
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Luciane Macedo _247 - O Comitê de Política Monetária do Banco Central sinalizou, em ata divulgada na semana passada, que deve promover novos cortes na taxa básica de juros da economia, a Selic, nas próximas reuniões do colegiado. Na sétima reunião do ano, no dia 19/10, a Selic ficou em 11,5% ao ano com a redução de 0,5 ponto percentual determinada pelo Copom. Com a trajetória de queda iniciada em agosto, o que surpreendeu os agentes do mercado financeiro, revertendo altas que eram mantidas desde o início do ano, a população tem mais acesso ao crédito e ao consumo, o que estimula a economia, mas também pode pressionar os preços, elevando a inflação. Na ata do dia 27/10, porém, o Copom fala em "ajustes moderados", sinalizando que os cortes poderão ocorrer por mais tempo, mas não necessariamente de forma acelerada. A expectativa do Banco Central é de manter os juros em queda com inflação em torno do centro da meta para 2012 -- a projeção oficial é de 4,7%, um pouco acima do centro de 4,5%.

Atualizada em 30/11: Na última reunião de 2011, o Copom baixou a taxa básica de juros em mais 0,5 ponto percentual, fixando-a em 11% ao ano.

No mercado financeiro, juros mais baixos tendem a promover uma migração de capital para a Bolsa de Valores. Mas o atual contexto internacional, também citado na ata do Copom como um dos principais motivos para manter a queda de juros, inibe essa tendência. Apesar da aprovação de um pacote de reformas contra a crise na Europa, as incertezas sobre o futuro das economias na Zona do Euro continuam a gerar volatilidade nos mercados de risco. Outro fator que desfavorece o posicionamento em renda variável é o fato de que, mesmo com cortes contínuos na Selic, os juros nominais brasileiros continuam entre os mais altos do mundo. Em termos de juros reais (Selic menos inflação projetada para os próximos 12 meses), o Brasil ainda ocupa o topo da lista, posição mantida desde janeiro de 2010. Com taxa de 5,5% ao ano, os juros reais brasileiros são mais que o dobro do segundo colocado -- a Hungria, com taxa de 2,3% ao ano, segundo o ranking elaborado pela corretora Cruzeiro do Sul.

Ambos os fatores, contexto internacional e juros ainda altos, levam os especialistas consultados por "Seu Dinheiro" a concordarem que ainda não é o momento de transferir recursos para o mercado de ações. Mesmo para os investidores mais arrojados, o momento exige cautela na Bolsa de Valores, embora o Ibovespa tenha acumulado forte alta na semana passada -- 7,71%, a maior desde 2009 --, impulsionado pelo otimismo no mercado internacional depois da última reunião entre os líderes da Zona do Euro. Dentre as opções em renda fixa, a mais atraente continua sendo o Tesouro Direto, especialmente para os investidores pessoa física que buscam proteger seus investimentos com segurança e uma das melhores rentabilidades do mercado.

"Ainda não há indicações claras de que a Bolsa melhore, adotar uma postura defensiva faz sentido", comenta André Massaro, educador financeiro da MoneyFit. "A taxa de juros do Brasil é indecentemente alta se comparada ao resto do mundo", completa Massaro. "A melhor opção de investimento para aproveitar essa taxa, principalmente para o pequeno investidor, é o Tesouro Direto".

Mas como escolher entre os títulos? E se a inflação aumentar? O que acontece com os papéis indexados à Selic? Quais as outras boas opções em renda fixa? Veja o que dizem os especialistas sobre como a Selic em queda afeta esses investimentos e como buscar as melhores rentabilidades.

"Com a Selic em queda, o investidor tende a preferir os títulos prefixados", avalia Rogério Manente, gerente de homebroker da corretora Socopa. "É uma boa maneira de garantir os juros", assinala. "Quanto maior o prazo de vencimento do título, garante-se os juros por mais tempo".

A rentabilidade dos títulos prefixados do Tesouro Direto (LTN e NTN-F) é definida no momento da compra. Quando adquire Letras do Tesouro Nacional (LTN), o investidor recebe o valor investido somado à rentabilidade na data de vencimento do título. No caso das Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F), o rendimento é recebido ao longo do investimento, por meio de cupons semestrais de juros, e na data de vencimento, quando o investidor terá o valor investido somado à rentabilidade mais o último cupom de juros. Entre os prefixados ofertados no último dia 28, os prazos variavam de 2013 a 2021, com rentabilidades anuais de 10,42% a 11,60%, todos por menos de R$ 1.000, lembrando que os títulos podem ser comprados de forma gradual e fracionada -- o mínimo que pode ser adquirido é sempre 20% de um título.

Embora os títulos do Tesouro Direto tenham rentabilidade garantida na data do vencimento, o investidor pode resgatá-los toda quarta-feira, quando o Tesouro Nacional faz as compras.

"Os prefixados tendem a valorizar com a Selic em queda, o investidor pode vendê-los com ágio", diz Massaro. "O título vai valorizar com o tempo, o investidor pode vender por um valor mais caro do que seria o valor do título segundo a curva de juros naquele momento".

Saindo dos prefixados e pensando nas projeções inflacionárias, os títulos indexados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é o índice oficial de referência para o regime de metas de inflação, oferecem uma boa maneira para diversificar o investimento e, ao mesmo tempo, proteger o investidor.

"Se a Selic cai e o governo diz que há espaço para novas reduções, mas que vai manter a inflação sob controle, então o investidor acaba tendo que fazer alguma projeção também", explica Manente. "Se acreditar que a inflação vai subir, diversificar a carteira com prefixados e títulos indexados ao IPCA é uma boa maneira de proteger o investimento e não ficar exposto à inflação", diz o gerente de homebroker da Socopa. "Manter uma carteira equilibrada, investindo metade em prefixados e metade nos títulos atrelados ao IPCA é uma boa maneira de distribuir o risco e se garantir diante da perspectiva de alta da inflação", concorda Massaro, da MoneyFit.

Os títulos indexados ao IPCA (NTN-B Principal e NTN-B) têm sua rentabilidade vinculada à variação do índice de preços acrescida dos juros definidos no momento da compra. A diferença entre os títulos do Tesouro Nacional – Série B e o nomeado como Principal são os cupons semestrais de juros pagos ao primeiro. Os prazos de vencimento desses títulos entre as opções ofertadas na semana passada pelo Tesouro Direto variavam entre 2015 e 2045, com taxas anuais de até 5,73%.

"Se a inflação sobe no mês que vêm, esses títulos vão valer mais, vão ter rentabilidade maior em período menor", explica Manente.

Segundo Massaro, da MoneyFit, os títulos indexados à taxa Selic (LFT, Letras Financeiras do Tesouro) tornam-se, no atual contexto, a opção menos atraente, embora a Selic também afete todos os outros tipos de títulos e de investimentos em renda fixa.

"Os fundos de investimento que tenham na carteira papéis prefixados e indexados na inflação são os mais atraentes", diz Rodrigo Dias, sócio-responsável pela gestão de investimentos da Araújo Fontes. "Existem bons fundos administrados por gestor no mercado que conseguem boas rentabilidades dentro da expectativa", completa. "Estamos esperando uma inflação alta para outubro e novembro e, para o primeiro trimestre de 2012, deve continuar nos mesmos patamares", projeta o especialista.

Dias concorda que ainda não é o melhor momento para se posicionar na Bolsa de Valores. "Uma entrada agora exige cautela, a Bolsa ainda acumula fortes quedas no ano e ainda existe muita incerteza no ar", avalia o especialista da Araújo Fontes. "O investidor mais arrojado pode considerar uma entrada no médio prazo".

(Publicada em 31 de outubro de 2011)

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