Pagot diz que se sentiu ameaçado por Hélio Costa

Ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot relata que o ex-ministro das Comunicações lhe pediu indicação de empresas para arrecadar para campanha e, diante de negativa, disse que se elegeria governador de Minas e o tiraria do Dnit

Pagot diz que se sentiu ameaçado por Hélio Costa
Pagot diz que se sentiu ameaçado por Hélio Costa (Foto: Edição/247 )

Minas 247 com Agência Senado – Ex-senador pelo PMDB e ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa foi mencionado pelo ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot durante a CPI do Cachoeira. Segundo Pagot, a exemplo do que fez a então senadora e hoje ministra das Relações Institucionais Ideli Salvatti, Hélio Costa o procurou em 2010 em busca de auxílio para arrecadar para campanha política, e chegou a ameaçá-lo.

Questionado pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sobre as pressões que sofreu no cargo, Pagot declarou que se sentiu "extremamente constrangido e ameaçado" com a atitude de Hélio Costa. "Ele entrou com toda sua entourage e me pediu indicações de empresas para arrecadar", relatou Pagot. Segundo o ex-diretor do Dnit, como o pedido foi negado, o ex-ministro das Comunicações o ameaçou. "Ele (Costa) levantou de rompante, me deu de dedo e disse que se elegeria governador e sua primeira atitude seria me tirar do Dnit", relatou. "É assim a vida do gestor público", acrescentou.

Antes, Pagot confirmou o que havia dito em entrevistas, que indicara empreiteiras para contribuir com a campanha da presidente Dilma Rousseff, mas não de campanhas individuais, como reivindicaram, segundo ele, Hélio Costa e Ideli Salvatti. "Eu imaginei que estava atendendo a um arco de aliança e não particularizando cada pessoa que fosse candidata", declarou.

São Paulo

Pagot reiterou que, quando era diretor do Dnit, "houve uma insistência" para que ele aprovasse um aditivo a uma obra no Estado de São Paulo – relativo ao Rodoanel – que envolvia a Dersa. Pagot negou, porém, ter dito à imprensa que o aditivo se destinava ao financiamento das campanhas eleitorais passadas de José Serra, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab. Ele também ressaltou que se negou a assinar o aditivo.

Pagot disse que teria contado a um repórter da revista Istoé que "um conhecido" lhe disse que o aditivo tinha essa finalidade de financiar campanhas. Porém, ele teria frisado ao repórter que "isso era conversa de bêbado, que não se pode provar". "Mas depois o repórter usou as palavras que quis", disse.

Ao ser questionado se atuou para ajudar no financiamento de campanhas eleitorais do PT, Pagot respondeu que, de fato, pediu a alguns empresários contribuições, mas sem estabelecer percentuais. "Acreditei que não estava cometendo nenhuma ilegalidade. Não associei as doações, de maneira nenhuma, a qualquer ato administrativo no Dnit", declarou.

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