Pagot se diz vítima de Veja, de Cachoeira e da Delta

Segundo o ex-diretor do Dnit, que falou à CPMI do Cachoeira, ex-senador Demóstenes Torres pediu ao departamento, ligado ao Ministério dos Transportes, um contrato para a empreiteira de Fernando Cavendish, cujo depoimento está marcado para esta quarta-feira

Pagot se diz vítima de Veja, de Cachoeira e da Delta
Pagot se diz vítima de Veja, de Cachoeira e da Delta (Foto: Edição/247)

Agência Senado - O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, ao reiterar que foi vítima de um complô, disse que “um contraventor, um agente de uma empresa e um jornalista” se uniram para tirá-lo do governo. Ele se referia, respectivamente, a Carlinhos Cachoeira, ao representante da Delta na região Centro-Oeste, Cláudio Abreu, e ao chefe da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior.

Pagot, que foi diretor-geral do Dnit de 2007 a 2011, inciou seu depoimento às 10h30 à CPMI do Cachoeira. No início da reunião, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), lembrou que interceptações telefônicas mostram Cachoeira e Abreu comemorando a saída de Pagot do Dnit. O deputado federal Ronaldo Fonseca (PR-DF) disse que o jornalista Policarpo Júnior deveria “ter a oportunidade” de comparecer à CPI para dar sua versão dos fatos.

Pagoit disse ainda que o ex-senador Demóstenes Torres (GO) pediu que a construtora Delta fosse beneficiada em algum contrato. Segundo o ex-diretor, esse favorecimento seria para quitar dívidas do ex-parlamentar com a construtora.

"Respondi que lamentava e não podia atendê-lo e que o diretor do Dnit não podia reservar uma obra para a Delta", afirmou, ao responder a uma pergunta do relator, deputado Odair Cunha (PT-MG). O pedido, de acordo com Pagot, foi feito após um jantar na casa de Demóstenes, em que estiveram o dono da Delta, Fernando Cavendish, o diretor do Centro-Oeste da construtora, Cláudio Abreu, e outros dois funcionários da empresa.

Esse jantar ocorreu em 2011. Pagot disse que compareceu a outro jantar na casa de Demóstenes no final de 2010 em que esteve apenas a mulher do ex-parlamentar.

Segundo Pagot, não houve privilégio da construtora Delta durante sua gestão no Dnit. "?Entrei no início da execução do PAC. Eram poucas obras executadas. Elas foram sendo implementadas e cada vez obras mais expressivas. Paguei R$ 26,7 bilhões de obra, licitei perto de R$ 30 bilhões em obra. Isso fez com que todas as empresas crescessem, não só a Delta", afirmou.

O ex-diretor também negou que tenha havido privilégio para a Delta com dispensa de licitações. De acordo com o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), houve 38 dispensas durante sua gestão e 19 antes. Isso seria, segundo Pagot, tudo foi feito de acordo com a lei.

Sobre o rápido crescimento da Delta durante os governos do PT, ele disse que a construtora entrou no vácuo provocado pelo desinteresse das grandes construtoras pelas obras do Dnit, em razão dos "preços apertados" e do alto grau de exigência, além da fiscalização. Segundo ele, as empreiteiras tradicionais começaram a fazer obras finaciadas pelo BNDES em outros países da América Latina e na África.

Leia noticiário anterior do 247:

247 - "O senhor foi um Papai Noel para a Delta". A acusação partiu do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) ao ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot, que depõe na manhã desta terça-feira à CPI do Cachoeira. Para o parlamentar, Pagot favoreceu os contratos da empreiteira de Fernando Cavendish enquanto ocupou o cargo da diretoria do Departamento ligado ao Ministério dos Transportes.

Pagot tem usado a CPI como tribuna de defesa. Em seu depoimento, ele negou conhecer qualquer esquema da organização criminosa de Carlos Cachoeira e disse que não conhece o bicheiro e suas relações com a Delta. Pagot atribui sua queda ao incômodo do diretor da empresa no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, com o órgão, que segundo ele, era exigente quanto aos atrasos nos cronogramas de entregas das obras da empresa.

Pagot começou seu depoimento afirmando ser um trabalhdor fiel. "Os senhores e as senhoras estão diante de um fazedor, leal a seus pares, cumpridor de obrigações". Após fazer um relato sobre seus trabalhos à frente do órgão, Pagot afirmou que deixou o cargo de diretor "sem qualquer possibilidade de defesa" e, em seguida, se colocou à disposição dos parlamentares para responder a suas perguntas.

Sobre as acusações que fez sobre o desvio de recursos públicos para campanhas eleitorais do PSDB, Pagot disse que era "conversa de bêbado em botequim", e que não tinha como comprovar, mas que o repórter usou as palavras que quis, e "não as que eu disse". Leia abaixo reportagem da Agência Câmara a respeito:

Pagot diz que acusação contra o PSDB foi "conversa de bêbado em botequim"

O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot minimizou, na CPMI do Cachoeira, as supostas acusações que fez sobre o desvio de recursos públicos para campanhas eleitorais do PSDB.

"Depois que eu tinha negado o aditivo [para uma obra do rodoanel em São Paulo], no final de 2010, estava almoçando no restaurante Francisco e um conhecido meu que trabalha em uma empresa me advertiu de que o aditivo tinha finalidade de contribuir com as campanhas de Serra, Alckmin e Kassab. Ao dizer isso para o repórter, eu ressaltei que era uma conversa de bêbado em botequim, que não dava para provar. Posteriormente, o repórter usou as palavras que quis e não as que eu disse", afirmou.

Pagot afirmou que conheceu em 2008 o ex-diretor da Dersa (empresa paulista responsável pelas estradas) Paulo Vieira de Souza, conhecido por Paulo Preto, durante uma reunião sobre o eixo sul do Rodoanel, em São Paulo.

Posteriormente, houve uma reunião com engenheiros da Dersa, que garantiram que a obra não passaria de R$ 3,6 bilhões e que estava tudo acertado com as empreiteiras, cada uma responsável por um lote.

"Na parte final da obra, a Dersa encaminhou ao Dnit uma reivindicação de aditivo de R$ 264 milhões, com páginas e páginas de justificativa, como problemas ambientais, melhoria de acessos", disse. Ele se recusou a assinar o aditivo, em razão do tipo de contrato, chamado de "empreitada global".

"Em São Paulo, esse assunto foi resolvido com um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre o governo de São Paulo, a Dersa e o Ministério Público", lembrou. O TAC foi encaminhado ao Dnit, mas ele se recusou a assinar.

"O Dnit não desembolsou nenhum centavo a mais que o R$ 1,2 bilhão previsto inicialmente", afirmou. Ele disse que não sabe se os recursos adicionais foram desembolsados, pois saiu pouco depois do Dnit.

Campanha do PT

Pagot confirmou o que havia dito em entrevistas, de que indicou empreiteiras para contribuir com a campanha da presidente Dilma Rousseff. Ele repetiu que as doações foram feitas dentro da lei.

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