Palmas está em fase final para os Jogos Indígenas

Competição lançada em junho pela presidenta Dilma, em Brasília, está em fase final de montagem das estruturas para receber os atletas na capital do Tocantins; evento ocorre entre os dias 23 de outubro e 1º de novembro e vai reunir 23 povos nacionais e grupos indígenas de 22 países; investimento será de até US$ 13 milhões; com a prefeitura de Palmas, o ministério do Esporte firmou um convênio para investir R$ 4,2 milhões

Lançamento nacional da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Lançamento nacional da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Gisele Federicce)
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Marcelo Brandão - Repórter da Agência Brasil

A cidade de Palmas, no Tocantins, está em fase final de preparação para receber os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI). A competição foi lançada em junho pela presidenta Dilma Rousseff, em Brasília, e está em fase final de montagem das estruturas para receber os atletas. O evento ocorre entre os dias 23 de outubro e 1º de novembro e vai reunir 23 povos nacionais e grupos indígenas de 22 países.

À Agência Brasil, o Comitê Nacional Executivo dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (CNE) informou que tudo estará pronto a tempo. "O que está em andamento agora são as estruturas provisórias dos jogos, que estão todas dentro do cronograma, em fase de acabamento fino", divulgou a assessoria de imprensa do CNE.

Para a realização dos jogos, o ministério do esporte firmou um acordo de cooperação técnica com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para o investimento de até US$ 13 milhões. Com a prefeitura de Palmas, o ministério firmou um convênio para investir R$ 4,2 milhões.

A principal estrutura para a prática das modalidades é a Arena Verde, que concentrará grande parte das modalidades e tem capacidade para cerca de 10 mil pessoas.

Mas os jogos vão além do esporte e será uma oportunidade de troca cultural entre todos os participantes. Para isso, foram criadas a Oca da Sabedoria, a Feira de Artes Indígenas e a Feira da Agricultura. Esses espaços receberão comércio de artesanato e alimentação indígena, além de contar com apresentações culturais, palestras e debates.

A cidade espera receber cerca de 2 mil atletas indígenas do Brasil e do exterior. As etnias nacionais ficarão alojadas na Aldeia Okara, formada por 24 ocas. Já os indígenas estrangeiros serão acomodados em escolas de tempo integral da cidade. Segundo a secretaria municipal criada especificamente para tratar dos jogos, são esperados 10 mil turistas nas duas semanas de jogos.

Para ajudar os turistas nos deslocamentos em Palmas, a organização dos jogos criou o aplicativo para celular JMPI Guia Tocantins, disponível gratuitamente na Google Play e na Apple Store. O aplicativo mostra a localização de pontos importantes da cidade. Além disso, a organização dos jogos treinou 350 voluntários para trabalhar no evento.

Desistências

Depois da decisão das etnias Kraô e Apinajé de se recusarem a participar dos jogos, foi a vez de os guaranis-kaiowás desistirem da competição. As justificativas são as críticas à política do governo sobre a demarcação de terras e a presença da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, no processo de organização do evento.

"Enquanto o Brasil joga com o agronegócio e promove jogos para 'gringo ver', nossas terras têm seus estudos e processos de demarcação paralisados e são revisadas, diminuídas e suspensas pelo Executivo, Legislativo e Judiciário", diz um trecho da Moção de Repúdio dos guaranis-Kaiowás. "O único jogo que jogaremos será o de recuperar os nossos territórios", acrescenta a nota.

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