Pesquisa aponta que 23,4% da população adulta de Porto Alegre já teve familiar assassinado

Um em cada quatro habitantes de Porto Alegre já teve um familiar assassinado; um em cada cinco passou por algum tipo de discriminação na vida; mais de 40 mil pessoas dizem já ter sido estupradas; cerca de 500 mil, um terço da população, convivem com tiros nos bairros onde vivem; aproximadamente 920 mil (77,1% da população) evitam sair de casa à noite, enquanto 864 mil (72,5%) não portam objetos de valor quando estão na rua; 170 mil pessoas (14,3%) já sofreram ameaça de morte e 229 mil (19,2%) de agressão física; o estudo foi desenvolvido pelo Instituto Cidade Segura, pela Ugeirm e pelos Sindicatos dos Policiais Federais e dos Policiais Rodoviários Federais do RS

01/02/2018 - PORTO ALEGRE, RS - Coletiva de imprensa do Sindicato dos Policiais Federais do RS apresentou resultados da pesquisa de vitimização realizada em 2017. Com a fala, Marcos Rolim Foto:
01/02/2018 - PORTO ALEGRE, RS - Coletiva de imprensa do Sindicato dos Policiais Federais do RS apresentou resultados da pesquisa de vitimização realizada em 2017. Com a fala, Marcos Rolim Foto: (Foto: Leonardo Lucena)

Fernanda Canofre, Sul 21 - Um em cada quatro habitantes de Porto Alegre já teve um familiar assassinado. Um em cada cinco passou por algum tipo de discriminação na vida. Mais de 40 mil pessoas dizem já ter sido estupradas. Cerca de 500 mil, um terço da população, convivem com tiros nos bairros onde vivem. Aproximadamente 920 mil (77,1% da população) evitam sair de casa à noite, enquanto 864 mil (72,5%) não portam objetos de valor quando estão na rua. 170 mil pessoas (14,3%) já sofreram ameaça de morte e 229 mil (19,2%) de agressão física. Só no último ano, 95 mil pessoas teriam sofrido esse tipo de ameaça.

Esses são alguns dos números apontados na “1ª Pesquisa de Vitimização de Porto Alegre”, um estudo inédito, desenvolvido pelo Instituto Cidade Segura, pela Ugeirm (Sindicato dos Agentes da Polícia Civil) e pelos Sindicatos dos Policiais Federais e dos Policiais Rodoviários Federais do Rio Grande do Sul. Os dados foram coletados em outubro do ano passado, em mil entrevistas aleatórias, com 142 perguntas, realizadas em oito regiões da Capital, pelo Instituto de Opinião Pública (IPO).

Para ficar mais próxima à realidade atual da cidade, a pesquisa utilizou como parâmetro uma estimativa populacional da FEE (Fundação de Economia e Estatística), de 2016, que afirma que Porto Alegre teria uma população maior de 16 anos de 1.192.749 habitantes. O índice anterior, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base no Censo de 2010, apontava 1.124.778 pessoas. A margem de erro é de 3% e tem índice de confiança de 95%.

O resultado da Pesquisa de Vitimização foi apresentado na manhã desta quinta-feira (1º). Quinze dias antes, a Secretaria Estadual de Segurança Pública havia divulgado os índices mais recentes de criminalidade no Rio Grande do Sul, comemorando uma queda em casos como roubo a usuários de transporte público e abigeato (roubo de gado).

Segundo o grupo, o foco em como sensação de insegurança e medo do crime, noções de justiça, tolerância, preconceito e confiança nas polícias impacta a vida dos moradores é uma forma de elaborar diagnósticos da segurança pública além dos números oficiais. Enquanto tem crescido o número de vítimas que opta por não registrar boletim de ocorrência (B.O.), os índices de criminalidade apresentados por governos, que tomam por base exclusivamente os números de registros policiais, vão caindo nas chamadas “cifras obscuras” (dark rates).

“Não sabemos se o crime está subindo ou diminuindo com os boletins de ocorrência. Eles não medem tendências criminais, medem só a atitude das vítimas diante do crime”, explica o jornalista Marcos Rolim, presidente do Cidade Segura. No relatório, ele explica que essas ocorrências, que não chegam ao conhecimento do Poder Público, só podem ser estimadas por pesquisas de vitimização. “Quanto menor a confiança [nas polícias], maiores as taxas de subnotificação”

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