Pestana ao 247: “Nove entre 10 tucanos querem Aécio”

Presidente do PSDB-MG, deputado Marcus Pestana afirma que presidência do partido já é do senador mineiro Aécio Neves, apesar da insatisfação do paulista José Serra; prévias, para ele, só se houver alguém com representatividade no partido; "Não pode vir qualquer um", diz, em entrevista ao 247; mas diz que Serra fora da legenda seria "contraditório"; sobre a Petrobras, o tucano garante que FHC nunca quis privatizar a estatal; "Isso é balela"

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Pestana ao 247: “Nove entre 10 tucanos querem Aécio”


Gisele Federicce _247 – A antecipação eleitoral de 2014 "é um caso único de precipitação", avalia o deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG) logo no início da conversa que teve por telefone com o Brasil 247 nesta sexta-feira 15. O presidente do PSDB de Minas Gerais acredita que o clima de eleição 18 meses antes da real disputa "não é positivo para o sistema político", visto que os parlamentares tinham que, como Estado, ser um instrumento de melhoria de políticas públicas.

Mineiro de Juiz de Fora, o parlamentar diz não acreditar, no entanto, que o pré-candidato do PSDB à presidência da República em 2014, o senador Aécio Neves (MG), siga essa linha. "O Aécio é da escola mineira do PSDB, de JK, de Tancredo, ele se utiliza da sabedoria popular de que quem é apressado come cru", diz ele. Para Pestana, tudo começou com o lançamento da presidente Dilma Rousseff à reeleição pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrido durante o evento do PT que comemorou os dez anos do partido no poder, em fevereiro.

Apesar do conflito entre os apoiadores do ex-governador José Serra e aecistas, o tucano minimiza o clima de incerteza na legenda. Segundo ele, "nove entre dez tucanos têm convicção de que o caminho é Aécio". O deputado também garante que o posto de presidente da sigla já é do senador. Quanto ao interesse de Serra em se candidatar novamente à presidência pelo partido, Pestana insinua que ele não seria páreo para o mineiro, mas defende ser importante não haver ambiguidade. "Não se pode falar em prévias num pensamento abstrato, como se pegasse um ator sem representatividade, saído do BBB".

Tuiteiro constante de notícias sobre sua agenda e principalmente de severas críticas ao governo petista, Marcus Pestana apontou seus disparos nestes últimos dias para a reforma ministerial de Dilma, que para ele, provou que a faxina realizada por ela em 2011 era uma "farsa". "A máscara caiu. Faxina era farsa. A faxineira só pensa em não largar a vassoura com reeleição para o posto", publicou o deputado, em seu perfil do microblog na manhã deste sábado 16.

Leia abaixo os principais trechos da conversa:

Estamos vivendo 2013 num clima eleitoral de 2014. O PSDB culpa o PT de ter antecipado a campanha, mas o ex-presidente Fernando Henrique lançou o senador Aécio Neves à presidência. Quem antecipou, afinal?

Essa precipitação irracional foi puxada evidentemente pelo PT, pelo governo Dilma, a partir do final do ano passado, com a partidarização da condução do novo marco do setor elétrico e a apropriação partidária do espaço público, com espaços no rádio e na tevê, sem nenhum padrão republicano. Ali a Dilma é a presidente de todos os brasileiros, mas parecia, tanto na cesta básica quanto na questão da energia elétrica, uma linguagem inapropriada e claramente um horário eleitoral gratuito. E nos dez anos do PT houve o lançamento. Isso vai contra todos os manuais de política, já que quem está no poder quer que a campanha se inicie no sábado antes da eleição. Isso de fato inaugurou a campanha.

E em sua opinião, o PSDB foi precipitado?

Não, tanto que o Aécio vem sendo cobrado. Ele sempre usa uma frase de [seu avô] Tancredo Neves, que diz que a decisão certa no momento errado é uma decisão errada. Eu atribuo isso a duas coisas particularmente: política é campanha o tempo todo, ainda mais nesse tempo de comunicação de massa, redes sociais. Cada gesto é um gesto dentro da disputa. Mas é um tanto artificial. A realidade é essa. O Aécio tem um cronograma claro, é claro que o jogo começou, não há dúvida.

E tudo isso se deve ao medo da corrente do "volta Lula" que vinha crescendo dentro do PT. E então se estabeleceu uma insegurança e houve o lançamento. O fato é que contra tudo o que é da cartilha da boa política, eles se precipitaram, fazendo agora o uso da máquina pública e deixando as questões atuais de lado. O vácuo de liderança na questão dos royalties é um exemplo. Afinal, o presidente é um líder acima de tudo.

Quais são os próximos passos do partido?

Nós temos que construir um terreno firme, que haja unidade real, não retórica. E que nós possamos, a partir desse novo patamar, sair pra conversar com a sociedade. Temos convenção nacional no dia 19 de maio, quando o Aécio vai assumir a presidência do partido. A partir daí, na semana seguinte, 23 de maio, começam nossas inserções de TV. Serão 40 comerciais em programa de 10 minutos.

As inserções nesse momento vão ser essenciais para demarcar um novo ciclo, a abertura de uma nova etapa. Agora, até o dia 19 de maio, o objetivo é esgotar as conversações internas com o PSDB. O Aécio teve uma conversa com os governadores, vai ter um novo encontro com Alckmin, precisa ter uma conversa com o José Serra, essa é a agenda interna.

Então está certo que Aécio será presidente do partido?

Ah sim, isso é certo.

E quanto ao interesse de Serra em presidir o partido e se candidatar à presidência, existe a chance de prévias?

Prévias é meio, não fim. É um instrumento, não é objetivo. Se tivéssemos dois candidatos representativos, com o apoio de 30% do partido, nós pegaríamos esses dois candidatos e então a prévia seria um momento de solucionar a divergência. É democrático. O que não pode é, num pensamento abstrato, pensar nas prévias. Como se pegasse um ator sem representatividade, saído do BBB. Não pode vir qualquer um para disputar com o Aécio. Hoje, nove entre dez tucanos têm convicção de que o caminho é o Aécio.

O que representaria para o PSDB se Serra deixasse o partido?

Todos nós temos qualidades e defeitos, uma das qualidades dele é a sua coerência, sua consistência ideológica. Ele é fundador do PSDB, foi prefeito, governador, ministro, deputado, senador, líder no Senado, líder na Câmara. Eu não consigo enxergar ele fora do PSDB. Seria extremamente contraditório, incoerente. Porque nós queremos todos dentro do projeto. Tem um lugar especial para o Serra nesse novo ciclo. Ele terá um espaço. Mas se ele, por algum motivo, mudou de ideia... mas eu não acredito que ele sairá para uma aventura sem coerência.

Já existe alguma proposta definida para ele, algum lugar dentro do partido?

Não tem lugar definido, isso vai brotar nessas conversas. Isso tem que ser visto com ele, se ele pretende ser candidato a governador.

O PSDB considera a possibilidade de aliança com o PSB de Eduardo Campos?

Nós temos muitas atividades e a prova disso é que fomos os principais parceiros em Belo Horizonte, onde elegemos o prefeito Marcio Lacerda. Aécio e Eduardo são amigos, mas o Eduardo parece que está construindo uma perspectiva própria, ele é da base do governo, e nós não, somos da oposição. Temos um papel a cumprir, e gostaríamos de um apoio do Eduardo, mas tudo indica que ele está se colocando a candidato. Mas poderemos estar juntos num segundo turno.

Quais são as reais chances de Aécio, na sua avaliação?

Jogo é jogado. Aécio tem um conjunto de qualidades, uma experiência enorme, foi o melhor governador de Minas Gerais das últimas décadas, tem muita coisa para mostrar e dizer. E a democracia é a alternância de poder. Hoje a Dilma está bem, mas essa popularidade o Lula já teve. Tanto o Lula quanto a Dilma foram para o segundo turno. O Fernando Henrique ganhou de Lula. Nas três eleições que o PT ganhou, o partido teve que disputar o segundo turno. O Serra teve 46% dos votos. Então há um espaço, há uma parte importante da população que não gosta do que está vendo. O PT tem cometido erros gravíssimos, como a inflação, o crescimento baixíssimo, o crescimento de emprego sim, mas de baixa qualidade, a inovação baixa. Isso compromete a sustentabilidade de crescimento.

Quanto às críticas à gestão da Petrobras, os petistas têm colocado que o PSDB foi quem tentou privatizar a empresa, mas agora estaria falando em reestatização.

O governo é confuso, isso é uma balela. Se criou um fantasma, uma mentira, nunca houve o plano de privatizar a Petrobras. O setor do petróleo avançou muito e essa herança bendita do Fernando Henrique foi comprometida agora com o governo petista. O Brasil tinha avançado no setor do petróleo, agora regrediu. É só ver. Quem falou sobre isso foi a Graça Foster, que reconheceu o desastre. E já é de conhecimento que a gestão [de Sérgio] Gabrielli foi a pior da história.

Então nunca houve uma tentativa do PSDB de privatizar a Petrobras?

Não, nunca houve. Isso é um fantasma que o PT joga durante as campanhas eleitorais. Eles são confusos. Tiveram que se adequar ao mundo contemporâneo. É o que o Fernando Henrique falou, o PT tinha duas razões maiores para existir: o socialismo e a ética. Socialismo, ninguém fala mais nisso, fizeram uma conversão na economia de mercado sem nenhuma autocrítica, foram obrigados a abandonar essa ideia. E a ética, todos nós sabemos o que aconteceu. O PT é um partido como outro qualquer.

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