Pimenta: ‘renúncia de Cunha não basta. Ele tem quer ser cassado’

Apesar de concordar com a renúncia do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara, deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que o afastamento definitivo do peemedebista "faz parte de uma estratégia costurada com o golpista Michel Temer para salvar Cunha da cassação"; "O Temer está em campo atuando para salvar Cunha. E também todos sabem, e a cada dia fica mais evidente, que o golpe foi uma estratégia para tirar uma Presidenta honesta, como Dilma Rousseff - que nunca interferiu em qualquer investigação - para levar para o Palácio do Planalto um esquema criminoso com o objetivo de obstruir a justiça e salvar parlamentares investigados por corrupção"

Brasília - Entrevista com o deputado federal, Paulo Pimenta ao chegar ao Palácio do Planalto para reunião com o ministro Ricardo Berzoini (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Brasília - Entrevista com o deputado federal, Paulo Pimenta ao chegar ao Palácio do Planalto para reunião com o ministro Ricardo Berzoini (Antonio Cruz/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Lucena)

Rio Grande do Sul 247 - Apesar de concordar com a renúncia do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara, deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o afastamento definitivo do peemedebista "faz parte de uma estratégia costurada com o golpista Michel Temer para salvar Cunha da cassação".

"O Temer está em campo atuando para salvar Cunha. E também todos sabem, e a cada dia fica mais evidente, que o golpe foi uma estratégia para tirar uma Presidenta honesta, como Dilma Rousseff - que nunca interferiu em qualquer investigação - para levar para o Palácio do Planalto um esquema criminoso com o objetivo de obstruir a justiça e salvar parlamentares investigados por corrupção, naquilo que o grupo político próximo ao Michel Temer chamou de ‘acordão nacional’”, disse o parlamentar.

Um reflexo da proximidade entre Temer e Cunha aconteceu no final de abril, quando o então vice-presidente da República disse ter do parlamentar "um auxílio extraordinário na Câmara Federal". "Se você quiser dar uma tarefa das mais complicadas para o deputado Eduardo Cunha, ele simplifica porque trabalha muito", afirmou.

Segundo Temer, quado Cunha se manifesta "está presente a sua fé". "E a fé é que mobiliza as pessoas. Então as tarefas difíceis eu entrego à fé do Eduardo Cunha" (veja o vídeo aqui). Com a renúncia do parlamentar à presidência da Câmara, Temer  perdeu seu aliado, a quem chamou de "incansável batalhador político e jurídico".

Em março deste ano, Cunha passou a ser réu na primeira ação penal no STF originada das investigações da Operação Lava Jato, pois no dia 3 daquele mês, Supremo Tribunal Federal (STF) acolheu, por 10 votos a 0, a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Eduardo Cunha por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O peemedebista é acusado de exigir e receber ao menos US$ 5 milhões em propina de um contrato do estaleiro Samsung Heavy Industries com a Petrobras. 

No dia 22 de junho, o congressista passou a ser réu após uma segunda denúncia, a de ter contas não declaradas na Suíça. O ministro do STF Teori Zavascki, relator do processo contra o peemedebista, e seus colegas da Corte entenderam que o deputado é beneficiário e controlador das contas na Suíça. Para o relator, as provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) comprovam que o parlamentar recebeu R$ 5 milhões de propina nas contas de seu truste, com o objetivo de ocultar a origem dos valores.

Durante sua manifestação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reafirmou que “a conta Órion, documentalmente comprovada na Suíça, é de propriedade do senhor Eduardo Cunha". "Dela consta o seu endereço no Brasil, cópia de passaporte, visto americano, informações pessoais e profissionais, data de nascimento e assinatura", disse.

Além da acusação negociar propina para o contrato do estaleiro e de ter mentido na CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior, Cunha enfrenta uma terceira acusação. Um dos delatores da 'Lava Jato', o empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, afirmou que as empresas ligadas à construção do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, teriam que pagar R$ 52 milhões em propinas [cerca de ou 1,5% do valor total dos Certificados de Potencial de Área Construtiva (Cepac)] a Cunha (veja aqui).

 

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