PM embarga obra não autorizada da Samarco

A pedido do MP-MG, a Polícia Militar do Meio Ambiente embargou uma obra não autorizada da mineradora Samarco, em Mariana (MG); as intervenções eram feitas em um lago atrás do dique S3, para evitar que rejeitos de minério da barragem rompida de Fundão continuem descendo para os rios; segundo o promotor Marcos Paulo de Souza Miranda, a obra "aumenta a pressão no dique S3 e diminui, obviamente, a sua vida útil, porque aquilo que foi construído pra conter sedimentos, está sendo entupido com terra"; a mineradora também usou terra e madeira tiradas ilegalmente de uma área de Mata Atlântica

Mariana (MG) - barragem pertencente à mineradora Samarco se rompeu no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais (Corpo de Bombeiros/MG - Divulgação)
Mariana (MG) - barragem pertencente à mineradora Samarco se rompeu no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais (Corpo de Bombeiros/MG - Divulgação) (Foto: Leonardo Lucena)

Minas 247 - A Polícia Militar do Meio Ambiente embargou uma obra não autorizada da mineradora Samarco – cujas donas são a Vale e a anglo-australiana BHP – em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. As intervenções eram feitas em um lago atrás do dique S3, construído pela Samarco, para evitar que rejeitos de minério da barragem rompida de Fundão continuem descendo para os rios. De acordo com o sargento Valdecir Geraldo do Nascimento, a obra foi embargada atendendo a um pedido do Ministério Público, que descobriu a obra não autorizada. O sargento informou que a mineradora foi multada em cerca de R$ 33 mil, por falta de licença de instalação, e em R$ 1.495, por intervenção em área de preservação permanente.

Os promotores de Justiça disseram que foram usados quase sete mil m³ de terra, o que é considerado perigoso. “Aumenta a pressão no dique S3 e diminui, obviamente, a sua vida útil, porque aquilo que foi construído pra conter sedimentos, está sendo entupido com terra”, afirmou o promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda.

A mineradora também usou terra e madeira tiradas ilegalmente de uma área de Mata Atlântica. Em abril e maio, a Samarco já havia sido flagrada desmatando um trecho de Mata Atlântica na região do distrito de Bento Rodrigues, onde houve o rompimento da barragem. A denúncia foi feita por donos de propriedades rurais, vizinhos das barragens. Na ocasião, a PM de Meio Ambiente identificou um trecho do córrego Santarém tinha sido aterrado e a obra da mineradora foi embargada.

Oito meses após a maior tragédia ambiental da história do País, quase 50 milhões de m³ de rejeitos de minério continuam depositados nos rios e vilarejos ao longo de cem quilômetros. Segundo o promotor, Carlos Eduardo Ferreira Pinto, "é uma grande irresponsabilidade". "Se não bastasse o rompimento, se não bastasse a não retirada dos rejeitos, a Samarco ainda faz obras sem as autorizações dos órgãos, da maneira que ela acha que é mais conveniente, sem o acompanhamento técnico adequado e, dessa forma expondo a sociedade a um risco ainda maior", disse.

Em 5 de novembro, o rompimento da barragem de Fundão causou 19 mortes. Os rejeitos atingiram mais de 40 cidades de Minas Gerais e no Espírito Santo e chegou ao mar. Um laudo do Ibama, divulgado no final do ano passado, apontou que cerca de 1,5 mil hectares de vegetação ao longo de 77 quilômetros de cursos d'água foram atingidos pelos rejeitos.

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