PMDB do TO é a favor da expulsão de Kátia

O PMDB do Tocantins se manifestou ao Conselho de Ética do Diretório Nacional favorável à expulsão da senadora Kátia Abreu; ofício diz que ela teria tido "reiteradas atitudes manifestamente ofensivas” e "a todos nos níveis do Partido”, como provocações públicas; questão foi iniciada pela Executiva do PMDB da Bahia, que apresentou uma representação por infidelidade partidária propondo a suspensão da filiação da senadora - e então ministra da Agricultura da presidente Dilma (PT) - e a posterior expulsão dela dos quadros do PMDB “por afronta à deliberação da plenária do Diretório Nacional’’ que, em março, aprovou a saída do governo petista

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, durante entrevista coletiva, anuncia novos resultados nas negociações para ampliação de mercados (Antonio Cruz/Agência Brasil)
A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, durante entrevista coletiva, anuncia novos resultados nas negociações para ampliação de mercados (Antonio Cruz/Agência Brasil) (Foto: Voney Malta)

Por Cleber Toledo - A executiva estadual do PMDB do Tocantins se manifestou no dia 20 de setembro ao presidente do Conselho de Ética do diretório nacional da legenda, Eduardo Krause, favorável à expulsão da senadora Kátia Abreu, no processo movido pelo diretório da Bahia. "Este Diretório Regional, no caso em apreço, não pensava e muito menos desejava que se poderia ver consumar no seio deste Partido o conhecido adágio popular no sentido de que 'Quer conhecer o vilão lhe dê o bastão', situação esta efetivamente vivenciada pelos PMDBistas no caso da Senadora Kátia Abreu”, chega a afirmar o documento do Tocantins ao diretório nacional.

A manifestação é assinada por toda a executiva estadual: Derval de Paiva, presidente; deputada federal Josi Nunes, primeira vice-presidente; Hebert Brito Barros, segundo vice-presidente; deputada federal Dulce Miranda, terceira vice-presidente; deputado estadual Nilton Franco, secretário-adjunto e líder da bancada na Assembleia; vereador Rogério Freitas, segundo tesoureiro; e os suplentes Lázaro Quirino Rodrigues e Antônio de Pádua Marques.

Conforme o blog apurou, a manifestação da executiva diretório regional foi solicitada pela comissão de ética do diretório nacional. Os peemedebistas tocantinenses afirmam no documento que "desde o começo, ainda do período de interinidade do hoje Presidente Michel Temer", já vinha "contemporizando para um desfecho menos drástico” nas divergências com a senadora.

Todavia, diz o ofício, Kátia teria tido "reiteradas atitudes manifestamente ofensivas” e "a todos nos níveis do Partido”. "Dentre as quais provocações públicas as mais variadas aos partidários”, afirma a manifestação.

A executiva regional defende também que "o Pmdbismo Tocantinense teve clara e incontestável contribuição por duas vezes consecutivas para ajudar a eleger a senhora Kátia Abreu ao Senado da República como representante deste Estado”.

Por fim, afirma "ser imperioso a todo e qualquer filiado, em especial aos detentores de mandato eletivo respeitar as decisões e orientações partidárias e o próprio Estatuto do PMDB”.

Dessa forma, o diretório do Tocantins conclui que “não resta à direção desta executiva estadual outro gesto que não faculte ou impeça a essa instância superior a dar prosseguimento da ação interposta pela representação baiana”.

O presidente Derval de Paiva, conforme o blog apurou, agora vai convocar o diretório regional para referendar essa posição da executiva.

Entenda
A senadora Kátia Abreu ingressou no PMDB, deixando o PSD, no final de setembro de 2013, pelas mãos do hoje presidente da República Michel Temer e do então presidente nacional do partido, senador Valdir Raupp (RO). Ela foi fundamental para o aliados do governador Marcelo Miranda na disputa com o ex-deputado federal Júnior Coimbra pela presidência da sigla.

O PMDB nacional chegou até a fazer uma intervenção no diretório regional para garantir o comando a Marcelo e Kátia, o que, de quebra, assegurou aos dois legenda para disputar as eleições de 2014.

Contudo, passadas as eleições, Kátia rompeu com Marcelo após uma briga com muitos gritos e xingamentos na residência do governador eleito, às vésperas da posse, em dezembro de 2014. Meses depois os grupos dos dois começaram a disputar o comando do PMDB regional, que acabou sendo apaziguado momentaneamente após um acordo de dividir meio a meio executiva estadual, diretório e delegados.

Kátia, no entanto, não concordou com a decisão do novo presidente, Derval de Paiva, de também dividir em partes iguais as comissões municipais do PMDB. Ela insistia em manter as 52 que tinha feito quando presidente da comissão interventora. A partir daí o rompimento foi inevitável.

Processo de expulsão
A Executiva do PMDB da Bahia ingressou no dia 4 de abril deste ano com representação por infidelidade partidária na Executiva Nacional do partido propondo como medida cautelar a suspensão da filiação da senadora e então ministra da Agricultura Kátia Abreu e a posterior expulsão dela dos quadros do PMDB “por afronta à deliberação da suprema plenária do Diretório Nacional’’, que, em 29 de março aprovou, por aclamação, a saída do governo federal de todos os filiados do partido.

Segundo a representação dos peemedebistas baianos, Kátia estaria tentando desestabilizar o partido. “Se recusou a entregar o seu cargo de ministra da Agricultura, fazendo pouco caso do quanto deliberado, desobedecendo até não mais poder tal questão considerada fundamental e histórica para o PMDB”, diz trecho da representação.

Os autores da representação afirmam que a ex-ministra vinha destilando seu apego ao cargo ao dar entrevistas e postar no Twitter frases como: “Não estou em saia justa, tenho plena consciência das pressões e contrariedades”, “os interesses sempre tem raízes mais profundas do que as convicções”, “continuaremos no governo e no PMDB”.

“A representada foi flagrada tentando desestabilizar o partido, passando um furo de notícia para a imprensa que a mesma estava a liderar movimento supostamente bem-sucedido junto aos demais ministros no governo federal filiados ao PMDB para continuar no cargo sem desfiliação alguma, em mais um ato seu de obstruir a eficácia da decisão plenária do Diretório Nacional”, diz outro trecho do documento.

Assinado pelo então presidente do PMDB baiano, Geddel Vieira Lima, hoje ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer, os peemedebistas pediram que a comissão de ética do partido julgasse Kátia com base no Código de Ética da legenda e aplicasse à senadora a sanção disciplinar de expulsão do PMDB com o cancelamento da sua filiação ao partido.

Também segundo o blog apurou, com a manifestação de executiva regional, agora a comissão de ética vai concluir o relatório, que será encaminhado para a executiva nacional para aprovação. (Com informações da Agência Brasil)

Confira a íntegra da manifestação da executiva regional do PMDB:


Palmas-TO, 20 de setembro de 2016

Ao Ilmo. Sr Eduardo Krause
Presidente do Conselho de Ética do Diretório Nacional do PMDB
Brasília-DF.

Senhor Presidente,

A Comissão Executiva Estadual do PMDB do Estado do Tocantins, via de seus membros signatários, tendo em vista a já pública tramitação de um processo ético disciplinar perante esse digno Conselho relativo a pedido de expulsão das hostes do Partido, da Senadora Kátia Regina Abreu, pedido este oriundo do Diretório Estadual da Bahia, e:

-Considerando que desde o começo, ainda do período de interinidade do hoje Presidente Michel Temer, que essa Executiva Regional já vinha contemporizando para um desfecho menos drástico;

- Considerando, todavia, que diante de reiteradas atitudes manifestamente ofensivas perpetradas pela aludida Senadora a todos nos níveis do Partido, dentre as quais provocações públicas as mais variadas aos partidários;

- Considerando que o Pmdbismo Tocantinense teve clara e incontestável contribuição por duas vezes consecutivas para ajudar a eleger a senhora Kátia Abreu ao Senado da República como representante deste Estado;

-Considerando a final, ser imperioso a todo e qualquer filiado, em especial aos detentores de mandato eletivo respeitar as decisões e orientações partidárias e o próprio Estatuto do PMDB, conclui-se que:

-NÃO RESTA A DIREÇÃO DESTA EXECUTIVA ESTADUAL outro gesto que não faculte ou impeça a essa instância superior a dar prosseguimento da ação interposta pela representação baiana, máxime, nos termos e teor da fundamentação apresentada por aquele Diretório Estadual e já de conhecimento do Conselho de Ética;
Por derradeiro cabe registrar que este Diretório Regional, no caso em apreço, não pensava e muito menos desejava que se poderia ver consumar no seio deste Partido o conhecido adágio popular no sentido de que “Quer conhecer o vilão lhe dê o bastão”, situação esta efetivamente vivenciada pelos PMDBistas no caso da Senadora Kátia Abreu.

Derval Batista de Paiva               Dep. Fed. Josi Nunes
Presidente                                   1ª. Vice Presidente

Hebert Brito Barros                   Dep. Fed. Dulce Miranda
2º. Vice Presidente                    3ª. Vice Presidente

Dep. Estadual Nilton Franco           Vereador Rogério Freitas
Secretário Adjunto/Líder da Bancada       2º. Tesoureiro

Lázaro Quirino Rodrigues           Antonio de Pádua Marques
Suplente                                                Suplente

 

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