Policiais sobre reforma da Previdência: ‘é extinção da aposentadoria’

Policiais civis, federais e rodoviários da região metropolitana e do interior do Estado, além de outros agentes de segurança pública, se reuniram em frente ao Palácio Piratini, para protestar contra a reforma da Previdência; trabalhadores definem a proposta apresentada pelo governo Michel Temer (PMDB) como “extinção da aposentadoria”; “Não é somente uma reforma, é o fim da Previdência, a privatização dela. Querem empurrar todo mundo para a previdência privada”, disse Ubiratan Sanderson, presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Rio Grande do Sul – SINPEF RS

15/03/2017 - PORTO ALEGRE, RS -Manifestação da Ugeirm em frente ao Piratini. Foto: Maia Rubim/Sul21
15/03/2017 - PORTO ALEGRE, RS -Manifestação da Ugeirm em frente ao Piratini. Foto: Maia Rubim/Sul21 (Foto: Leonardo Lucena)

Gregório Mascarenhas, Sul 21 - Policiais civis, federais e rodoviários da região metropolitana e do interior do Estado, além de outros agentes de segurança pública, se reuniram, na manhã desta quarta-feira (15), em frente ao Palácio Piratini, para protestar contra a reforma da Previdência. O ato, que também aconteceu em outras capitais do país, faz parte do Dia Nacional de Mobilização e Paralisação contra a Proposta de Emenda Constitucional 287, apresentada pelo governo Michel Temer (PMDB) e definida pelos trabalhadores como “extinção da aposentadoria”. A proposta, entre outros pontos, define idade mínima de 65 anos para aposentadoria e exigência contribuição por 49 anos para obtenção dos rendimentos integrais.

“Não é somente uma reforma, é o fim da Previdência, a privatização dela. Querem empurrar todo mundo para a previdência privada”, disse Ubiratan Sanderson, presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Rio Grande do Sul – SINPEF RS. Ele classificou o déficit das contas como falacioso e questionou a opção do governo em penalizar a classe trabalhadora: “Auditores fiscais da Previdência calculam que há superávit de pelo menos R$ 10 bilhões, e não se fala também sobre as empresas que devem outras centenas de bilhões à Previdência. Eles escolheram as reformas previdenciária e trabalhista, que atacam o povo, mas não fazem reforma política e tributária, que poderia acabar com privilégios do grande empresariado e dos políticos”, afirmou. Sanderson questionou também o fato de a reforma não levar em consideração as características do trabalho de segurança: “A atividade policial é diferenciada e, no mundo inteiro, isso é levado em consideração. Aqui no Brasil a expectativa média de vida de um agente não chega aos 60 anos”.

O presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Polícia Civil do RS – Ugeirm, Isaac Ortiz, em entrevista ao Sul21, também se referiu à PEC como o “fim da aposentadoria”. “Uma reforma dessas, feita sem discussão com a sociedade, só pode atender a interesses de alguém”, diz ele, “e esse governo não tem condições morais de fazer qualquer reforma”. “Essa reforma, assim como a PEC 241/55 [que congelou os gastos públicos por 20 anos] e a reforma trabalhista, que virá, servem a uma minoria do sistema financeiro, da Fiesp”, completou.

Também integrante da direção da Ugeirm, a escrivã Magda Lopes alertou para as consequências particularmente duras para o sexo feminino: “nós, mulheres, seremos as mais atingidas por essa reforma, pois perderemos uma conquista importantíssima da Constituição de 1988: a diferença de cinco anos para aposentadoria. Queremos os mesmos direitos, mas temos especificidades de vida que devem ser respeitadas. O governo Temer, na sua visão, diz que a mulher contribui apenas olhando preços no supermercado”.

Pablo Mesquita, que também é policial civil e integrante da direção da Ugeirm, por sua vez, questionou as consequências sociais da proposta do governo: “vivemos um momento muito difícil na segurança, sobretudo aqui no estado, e a população vai sofrer um impacto muito profundo. Já tivemos a PEC 241/55, e a isso se soma a Reforma da Previdência. Se hoje já temos uma desigualdade social que causa todos esses problemas, o que será depois desses ataques?”.

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