Por que tanto desânimo no Governo Déda?

Sergipe é um Estado pulsante, apresentou crescimento econômico acima da realidade da região Nordeste – e muito além da desenvoltura do Brasil; empregos são gerados, muitas obras estão em andamento, o turismo e a cultura estão valorizados, têm-se muito mais acesso à universidade pública; em contraponto, a educação básica vai mal, a violência aumenta, a saúde ainda é caótica e a seca é persistente; o que fazer? o Governo precisa trabalhar, mostrar resultados; secretários estão desanimados? que eles sejam estimulados ou substituídos, que dialoguem com a população

Por que tanto desânimo no Governo Déda?
Por que tanto desânimo no Governo Déda?
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Valter Lima, do Sergipe 247 – A entrevista do novo secretário de Estado do Orçamento, Planejamento e Gestão (Seplag), Jeferson Passos, ao Sergipe 247, no último final de semana, teve um sentido prático à maioria dos demais assessores da atual administração: “o Governo não está parado”, avisou. No entanto, muitos secretários parecem estar sem ânimo para trabalhar pelos próximos 20 meses que encerram os oito anos de Marcelo Déda (PT) à frente do Estado.

É estranho, sintomático e, até de certo modo, contagioso o modo como operam as secretarias. Quase no automático, salvo algumas exceções. Falta hoje um sentido objetivo de onde se quer chegar com o Governo, no qual a maior parte da população depositou confiança (por duas vezes). Ao que parece, desde fevereiro de 2012, quando governistas perderam maioria na Assembleia Legislativa para a oposição, que a administração estadual está sem rumo. Depois vieram as eleições e, em seguida, a polêmica discussão em torno do Proinveste.

Até o momento, no entanto, não se tem ainda um desfecho concreto em relação aos projetos que injetarão R$ 567 milhões na economia e no desenvolvimento do Estado. Caso seja novamente reprovado, diante de tanto lengalenga da oposição, como se comportará o Governo? Continuará desmotivado – e desmotivando?  E se for aprovado, será que dará vida à administração?

Sergipe é um Estado pulsante, apresentou crescimento econômico acima da realidade da região Nordeste – e muito além da desenvoltura do Brasil. Empregos são gerados, muitas obras estão em andamento, o turismo e a cultura estão valorizados, têm-se muito mais acesso à universidade pública. Em contraponto, a educação básica vai mal, a violência aumenta, a saúde ainda é caótica e a seca é persistente. O que fazer?

O Governo precisa trabalhar. Mostrar resultados. Secretários estão desanimados? Que eles sejam estimulados ou substituídos. Que dialoguem com a população. Nesta terça-feira (23), o radialista Jason Neto, durante o programa da Liberdade FM, Liberdade News, cobrou mais abertura destes gestores à imprensa, para falar do que está sendo desenvolvido em cada pasta.

Aos secretários, adjuntos, diretores e assessores das mais diversas áreas do Governo cabe o exemplo de Marcelo Déda, que luta com garra e determinação contra um problema de saúde difícil e contra um placar desfavorável na Assembleia Legislativa. No atual momento da administração, não se aceita mais o erro, o amadorismo. Aonde vai mal, o Governo precisa acertar. E isto, independentemente, do Proinveste, que, sozinho, não é tábua de salvação para os problemas do Estado.

Funcionando bem, a atual administração deve se voltar mais para os seus gargalos, persistentes, principalmente, nas áreas da Saúde e da Segurança. Nesta terça-feira (23), dois fatos, nestas duas áreas, chamaram a atenção: o secretário Belivaldo Chagas (Educação) procurou a Secretaria da Segurança Pública para pedir o reforço das rondas policiais nas escolas estaduais (algumas delas estão sendo atacadas por bandidos); três deputados estaduais (Gilson Andrade, Augusto Bezerra e Capitão Samuel) visitaram a Oncologia do Hospital de Urgências de Sergipe e constataram uma série de problemas.

Problemas nestes dois setores atingem a sociedade de modo direto, por isso tanto descontentamento com a atual administração. E, por isso, se torna tão urgente e necessária uma atenção redobrada para as questões que envolvem o correto funcionamento dos hospitais – tanto do Huse quanto das unidades regionais –, a contratação de mais profissionais, a realização de concurso para as polícias e o fortalecimento da segurança no interior, só para citar alguns pontos.

Claro que não se pode desconsiderar a importância das medidas já tomadas, como a reforma e construção dos hospitais em várias cidades do interior e o projeto de valorização salarial dos profissionais de segurança, mas é preciso dar o passo decisivo, que é a melhoria do atendimento, tornando-o mais eficiente e ágil. Aos secretários das duas pastas, o desafio está dado e ambos têm trabalhado por isso, mas o Governo deve começar a atuar mais articuladamente para que a máquina administrativa funcione melhor.

Para tanto, os gestores, que estão acomodados, devem deixar seus confortáveis escritórios e mostrar a cara para o povo, solucionando problemas e dando início a um novo tempo do Governo. Não é difícil a criação da agenda positiva constante. Se a população perceber o esforço da administração em resolver os problemas do Estado, mesmo que eles não sejam totalmente solucionados, a disposição em dirimi-los já será muito bem avaliada e recebida. É isto que todos esperam. 

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