Porto Alegre registra pior temporal desde janeiro de 2016

Os porto-alegrenses voltaram a presenciar um devastador temporal acompanhado de fortes ventos que superaram os 100 km/h, destelhando casas, derrubando árvores, paradas de ônibus, arrastando contêineres e até provocando o interrompimento de um concerto da Ospa que ocorria no Jardim Botânico; foi o maior temporal desde 29 de janeiro de 2016, quando ventos de até 120 km/h devastaram parques, derrubando mais de 3 mil árvores e causando prejuízos na casa dos R$ 50 milhões

02/10/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Estragos causados pelo temporal da noite passada. Foto: Guilherme Santos/Sul21
02/10/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Estragos causados pelo temporal da noite passada. Foto: Guilherme Santos/Sul21 (Foto: Leonardo Lucena)

Luís Eduardo Gomes, Sul 21 - Os porto-alegrenses voltaram a presenciar, no início da noite deste domingo (01), um devastador temporal acompanhado de fortes ventos que superaram os 100 km/h, destelhando casas, derrubando árvores, paradas de ônibus, arrastando contêineres e até provocando o interrompimento de um concerto da Ospa que ocorria no Jardim Botânico. Foi o maior temporal desde 29 de janeiro de 2016, quando ventos de até 120 km/h devastaram parques, derrubando mais de 3 mil árvores e causando prejuízos na casa dos R$ 50 milhões.

O sistema CEIC-Metroclima, da Prefeitura de Porto Alegre, aponta que a diferença do temporal de ontem para o de 29 de janeiro de 2016 foi a duração das rajadas de vento, que foram sustentadas por um período maior no ano passado. Neste domingo, o período de maior intensidade do temporal durou cerca de 35 minutos.

De acordo com o serviço de meteorologia o temporal ocorreu devido a um sistema de baixa pressão, que atingiu níveis “raríssimos” em Porto Alegre. No auge do temporal, que iniciou por volta das 18h30, na Capital, foi registrada chuva torrencial, granizo e rajadas entre 100 km/h e 120 km/h. Até às 23h30 de domingo, foram registrados 35,4 mm de chuva acumulada no bairro Tristeza, o que representa cerca de um terço da média histórica para o mês de outubro em Porto Alegre, 114,30 mm.

Concerto interrompido

Durante a noite, a Empresa Pública de Transporte e Criculação (EPTC) registrou 71 vias bloqueadas pela queda de árvores ou outra estruturas e 65 semáforos (5% da rede) atingidos pelo temporal – 90% deles por falta de luz. Por volta das 10h30 desta segunda, 34 vias permaneciam com algum de tipo de bloqueio, sendo 18 pela queda de postes, cabos caídos ou árvores com fios energizados. Quinze semáforos (1% da rede) permaneciam fora de operação. Não havia registro de água na pista. O telhado do ginásio de esportes da Brigada Militar, localizado na esquinas avenidas Silva Só e Ipiranga, ficou completamente destruído.

A estação do  Instituto Nacional de Meteorologia (Immet) no Jardim Botânico registrou ventos de 107,3 km/h. No momento que iniciou o temporal, estava sendo realizado o Concerto de Primavera, da Ospa, ao ar livre. De acordo com o editor de cultura do Sul21, Milton Ribeiro, que estava no local, o público começou deixar o concerto no início da chuva, mas a situação se transformou em pânico generalizado quando uma forte rajada inclinou para o lado o palco, formado por uma estrutura metálica móvel, interrompendo o concerto na metade. Público e músicos saíram correndo para tentar se proteger. A força dos ventos destruiu totalmente o palco, mas, segundo Ribeiro, o local já havia sido esvaziado e ninguém ficou ferido.

Em função dos estragos causados, operavam com alterações nesta manhã as linhas de ônibus 344, 344.1, 344.2, A19, 493, 494, T12, T12A, T12.1, A14.1 e 436, segundo a EPTC. Uma queda de árvore sob a rede aérea do Trensurb, na altura de São Leopoldo, também provocou a interrupção dos serviço de trem metropolitano na noite de domingo. Inicialmente, os trens circularam apenas entre as estações Mercado, em Porto Alegre, e Mathias Velho, em Canoas. Às 22h30, todas as estações foram fechadas para o trabalho de manutenção. O serviço só foi retomado por volta das 10h da manhã desta segunda, quando foi concluída a energização da rede aérea que permite a circulação dos trens.

400 mil sem luz

No auge do temporal, 400 mil clientes da CEEE ficaram sem fornecimento de luz, especialmente em Porto Alegre, Viamão e Alvorada. Uma hora após o temporal, o número foi reduzido para 150 mil clientes em energia. No início da manhã desta segunda, eram 70 mil. Por volta das 10h30, já havia caído para 19,5 mil.

Também foi a maior ocorrência registrada pela companhia desde janeiro de 2016. Mas, ao contrário daquela vez, problemas foram registrados em toda a cidade, com os bairros mais afetados sendo Restinga, Lami, Rubem Berta, Cidade Baixa, Jardim Botânico, Auxiliadora e Santana. Segundo a CEEE, duas subestações, a PAL4 e a PAL6, tiveram danos causados a seus equipamentos pela ventania.

Ao menos um óbito no RS

Ao longo do Rio Grande do Sul, a Defesa Civil estadual registrou estragos causados em ao menos 21 cidades. Uma pessoa morreu em Santa Augusto, no noroeste, após uma árvore cair sobre um carro na RS 155. Cinco pessoas ficaram feridas em Porto Alegre. Centenas de imóveis foram destelhados ao redor do Estado. Em Santa Cruz do Sul, a estrutura do parque da Oktoberfest foi atingida.

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