Presidente do Bahia é denunciado à PGR

Dois advogados prestaram 'notícia-crime' na Procuradoria Geral da República (PGR) pedindo investigação dos possíveis crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha praticados por Marcelo Guimarães Filho; não há eleição para escolha da direção do Esporte Clube Bahia há 15 anos e a família Guimarães é praticamente 'dona' do clube desde então; Marcelo assumiu o cargo de deputado federal no início do ano como suplente pelo PMDB; cresce expectativa pela saída dele da direção do time

Presidente do Bahia é denunciado à PGR
Presidente do Bahia é denunciado à PGR

Bahia 247

Cresce a expectativa para que Marcelo Guimarães Filho deixe de ser 'dono' do Esporte Clube Bahia. Além do clamor da torcida, uma dos maiores do Brasil, para mudanças na direção do clube que vai de mal a pior, ele agora é alvo de denúncia encaminhada à Procuradoria Geral da República (PGR).

Dois advogados baianos que atuam em Brasília prestaram 'notícia-crime' nesta quinta-feira (25) apontando para possíveis crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

São alvos da denúncia ainda o gestor de futebol Paulo Angioni; o coordenador da divisão de base, Newton Mota; e o delegado André Garcia, sócio proprietário da empresa Calcio. Representação foi registrada como ENV/PGR-00024214/2013.

A peça foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República pelo fato de o presidente tricolor ter assumido o cargo de deputado federal, no início deste ano, como suplente do PMDB.

A dupla de advogados pede que Roberto Gurgel investigue o quarteto e estabeleça um inquérito civil para apurar supostos ilícitos envolvendo a atuação da Calcio no clube. Para isso, utiliza reportagens da imprensa local e nacional para indicar os fatos.

Abaixo alguns trechos do documento.

No Esporte Clube Bahia não existem eleições diretas e as regras para associação são nebulosas e tratadas como uma extensão do patrimônio da já abastada Família Guimarães, há quinze anos no comando do clube e envolvida em diversas investigações na Polícia Federal, a exemplo da Operação Jaleco Branco.

A gestão do Presidente do Esporte Clube Bahia se reveste das mais diversas formas de obscurantismo, mas sua ofensa não fica restrita apenas a não participação dos torcedores no processo político interno. Recentemente, a imprensa trouxe a público uma verdadeira rede de interesses financeiros envolvendo jogadores da base do Esporte Clube Bahia através de uma empresa privada: a CALCIO.

O objeto dessa representação são os reais beneficiários das movimentações financeiras da empresa CALCIO ESPORTES E INVESTIMENTOS LTDA ME, inscrita no CNPJ sob o n° 13.543.880/0001-94.

O endereço da empresa em questão coincide com o da OAS Imóveis, de acordo com nota publicada pela própria construtora em 29 de março de 2009 em seu site. O detalhe é que a OAS é um dos principais patrocinadores do E. C. Bahia desde o início da gestão de Marcelo Guimarães Filho e tem mantido uma série de parcerias com o Deputado Federal, noticiado.

A localização idêntica entre os endereços da empresa CALCIO e a maior patrocinadora do Esporte Clube Bahia não é apenas o único indício da prática de atividades obscuras. Uma das características da referida empresa é a ausência de requisitos formais de existência. Em sua sede oficial, não há qualquer placa de identificação ou funcionários que respondam por suas atividades. É uma empresa com sede inexistente e sem atividades explicitamente regulares, conforme reportagens que serão apresentadas.

Outro traço peculiar da CALCIO é o fato de que seu sócio proprietário, André Silva Garcia, era um ilustre desconhecido no mercado de futebol da Bahia até o ano de 2011. Delegado da Polícia Civil, o dono da CALCIO tem como grandes atributos empresariais o seu posto de conselheiro do E.C. Bahia e a sua estreita relação de amizade com o Deputado Marcelo Guimarães Filho.

As transferências dos meio-campistas Gabriel e Filipe valeram à Calcio mais de R$ 850 mil. A empresa havia sido fundada em 15 de abril do ano anterior com um investimento inicial declarado de R$ 10 mil.

As matérias jornalísticas apresentadas indicam um suposto sistema organizado de utilização da gestão no Esporte Clube Bahia em proveito pessoal. Em tese, a arregimentação de atletas funcionaria assim: 1. Jogadores ainda crianças ou adolescentes chegam ao Esporte Clube Bahia para fazer parte das categorias de base; 2. Os mais promissores seriam encaminhados pela direção comandada pelo Deputado Federal Marcelo Guimarães Filho para a empresa CALCIO, que passaria a deter uma alta percentagem sobre os direitos econômico-federativos dos jogadores; 3. Com a venda das promessas, o percentual devido a CALCIO seria repartido entre os "sócios" não formais da empresa.

De acordo com as notícias apresentadas, o parlamentar estaria se utilizando do cargo de presidente do E. C. Bahia para ter acesso privilegiado aos direitos econômicos dos jogadores em início de carreira e, em tese, fechar ótimos contratos com uma empresa criada para gerenciar os seus interesses privados.

As ações trazidas à superfície em virtude da investigação traduzem uma suposta utilização de artificio destinado à obtenção de vantagem financeira indevida em prejuízo dos associados do clube e mediante atuação no cargo de Presidente do E. C. Bahia.

Além disso, há indícios de que houve informação inexata de operações e o recebimento de dividendos sem o recolhimento dos tributos devidos pela empresa CALCIO, com possível prejuízo ao erário.

Por fim, as reportagens sugerem a dissimulação da natureza, origem e movimentação dos valores provenientes da transferência de percentuais dos direitos federativo-econômicos de atletas do E. C. Bahia à empresa CALCIO.

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