Presidente do Bayern é preso por sonegação

O presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, renunciou ao cargo nesta sexta-feira e anunciou que aceita a penas de três anos e meio de prisão por ter sonegado impostos no valor de 27 milhões de euros; Hoeness, de 62 anos, nome muito conhecido na Alemanha e amigo da chanceler Angela Merkel, havia admitido que sonegou rendimentos depositando-os em contas na Suíça, mas esperava contar com leniência das autoridades, num caso de grande repercussão no país

Bayern Munich President Uli Hoeness and his wife Susi leave by car following the verdict in his trial for tax evasion at the regional court in Munich March 13, 2014. A German court convicted Hoeness of tax evasion on Thursday and sentenced the soccer boss
Bayern Munich President Uli Hoeness and his wife Susi leave by car following the verdict in his trial for tax evasion at the regional court in Munich March 13, 2014. A German court convicted Hoeness of tax evasion on Thursday and sentenced the soccer boss (Foto: Leonardo Attuch)
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Por Jens Hack

MUNIQUE, 14 Mar (Reuters) - O presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, renunciou ao cargo nesta sexta-feira e anunciou que aceita a penas de três anos e meio de prisão por ter sonegado impostos no valor de 27 milhões de euros (37,6 milhões de dólares).

Hoeness, de 62 anos, nome muito conhecido na Alemanha e amigo da chanceler Angela Merkel, havia admitido que sonegou rendimentos depositando-os em contas na Suíça, mas esperava contar com leniência das autoridades, num caso de grande repercussão no país.

"Após discussões com minha família, decidi aceitar a decisão do tribunal de Munique a respeito dos meus assuntos tributários. Isso se adequa ao meu entendimento da decência, dignidade e responsabilidade pessoal", escreveu ele em nota divulgada no site do Bayern, um dos mais bem-sucedidos clubes do mundo.

Segundo ele, "a evasão tributária foi o maior erro da minha vida".

O Bayern informou que o chefe da Adidas, Herbert Hainer, será o substituto de Hoeness na presidência do clube. A empresa de material esportivo tem uma participação de 8,3 por cento na equipe e fornece o uniforme do time há mais de 50 anos.

Na quinta-feira, o juiz Rupert Heindl determinou que a admissão feita voluntariamente por Hoeness não suficiente, e que por isso ele não atendia a um requisito básico para a anistia, conforme leis criadas para estimular que sonegadores quitem suas dívidas.

O tribunal considerou que ele demorou muito para entregar informações, e que os dados continham muitos erros.

Hoeness, ex-jogador que foi campeão mundial pela Alemanha em 1974 e que é adorado pela torcida do Bayern, costumava participar de muitos talk shows e, ironicamente, se manifestava em favor de impostos mais altos e contra sonegadores.

Steffen Seibert, porta-voz do governo, disse que "a chanceler respeita a decisão que o sr. Hoeness tomou hoje". Ele não quis discutir detalhes de um almoço entre Merkel e Hoeness dias antes de ele decidir se entregar -- um encontro que foi alvo de muitas especulações na mídia.

O caso dele chocou a Alemanha, onde a evasão tributária é considerada um crime grave, e levou milhares de sonegadores a se entregarem.

Hoeness foi inicialmente acusado de sonegar 3,5 milhões de dólares em impostos. Mas, quando o julgamento começou, na segunda-feira, ele surpreendeu o tribunal ao admitir que na verdade a quantia sonegada equivalia a cinco vezes isso -- 18,5 milhões de euros. Depois, a cifra foi elevada para 28,5 milhões de euros, valor reconhecido pela defesa de Hoeness.

O réu disse que deixará a presidência do Bayern para não prejudicar a imagem do time. "O Bayern de Munique é o trabalho da minha vida, e continuará sendo", afirmou.

Ele passou 35 anos ocupando cargos de gestão no clube, período em que o faturamento do Bayern disparou. Agora, será substituído na presidência do conselho por Herbert Hainer, executivo-chefe da Adidas.

(Reportagem de Alexandra Hudson)

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