Professora recebe voz de prisão por ‘desacato’ ao tentar entrar na Smed

Dezenas de trabalhadores de educação, ligados à Prefeitura Municipal de Porto Alegre, fecharam a rua dos Andradas, em frente à Smed em protesto contra as novas diretrizes educacionais anunciadas por Nelson Marchezan Jr. esta semana; a manifestação aconteceu no mesmo horário que a professora da rede estadual e municipal, Maria Leonice de Deus, de 63 anos, tinha uma reunião marcada no prédio da Smed, como representante da Uampa; ao tentar entrar no local, a professora conta que foi barrada pela Guarda Municipal e foi encaminhada à delegacia de polícia

Dezenas de trabalhadores de educação, ligados à Prefeitura Municipal de Porto Alegre, fecharam a rua dos Andradas, em frente à Smed em protesto contra as novas diretrizes educacionais anunciadas por Nelson Marchezan Jr. esta semana; a manifestação aconteceu no mesmo horário que a professora da rede estadual e municipal, Maria Leonice de Deus, de 63 anos, tinha uma reunião marcada no prédio da Smed, como representante da Uampa; ao tentar entrar no local, a professora conta que foi barrada pela Guarda Municipal e foi encaminhada à delegacia de polícia
Dezenas de trabalhadores de educação, ligados à Prefeitura Municipal de Porto Alegre, fecharam a rua dos Andradas, em frente à Smed em protesto contra as novas diretrizes educacionais anunciadas por Nelson Marchezan Jr. esta semana; a manifestação aconteceu no mesmo horário que a professora da rede estadual e municipal, Maria Leonice de Deus, de 63 anos, tinha uma reunião marcada no prédio da Smed, como representante da Uampa; ao tentar entrar no local, a professora conta que foi barrada pela Guarda Municipal e foi encaminhada à delegacia de polícia (Foto: Leonardo Lucena)

Fernanda Canofre, Sul 21 - Dezenas de trabalhadores de educação, ligados à Prefeitura Municipal de Porto Alegre, fecharam a rua dos Andradas, em frente à Secretaria Municipal de Educação (Smed), na manhã desta quarta-feira (22), em protesto contra as novas diretrizes educacionais anunciadas por Nelson Marchezan Jr. esta semana. O protesto aconteceu no mesmo horário que a professora da rede estadual e municipal, Maria Leonice de Deus, de 63 anos, tinha uma reunião marcada no prédio da Smed, como representante da União das Associações de Moradores de Porto Alegre (Uampa). Ao tentar entrar no local, a professora conta que foi barrada pela Guarda Municipal. A confusão gerada pelo episódio terminou com Maria Leonice sendo encaminhada à delegacia de polícia.

Segundo a professora, a confusão começou quando ela tentou entrar no prédio. Um guarda municipal teria barrado sua entrada e dito que a entrada estava proibida. Maria Leonides diz que explicou a ele que, apesar de ser professora, estava ali para participar de uma reunião por outro assunto, relacionado a um projeto de educação infantil. Depois de uma discussão entre os dois, o guarda teria segurado a professora por 40 minutos. Os dois discutiram e, ainda segundo a professora, o homem, que estava vestindo um colete à prova de balas, teria empurrado o peito contra ela.

Maria Leonice conta que, depois de algum tempo, conseguiu subir para participar da reunião. Alguns minutos depois, no entanto, ela conta que o mesmo guarda municipal com quem teve problemas na entrada, entrou no local e deu voz de prisão a ela, dizendo que a conduziria para uma delegacia por “desacato”.

“Uma funcionária deu o celular para que eu pudesse ligar para um advogado conhecido, para que ele pudesse me acompanhar, ele mandou ela guardar o telefone porque ela estava ‘facilitando as coisas para mim’. Tentei usar o telefone funcional, ele desligou”, relata a professora.

Na saída do prédio, uma nova confusão. Maria Leonice se negou a entrar na mesma viatura que o guarda municipal para ser conduzida até a delegacia. Depois de sofrer assédio moral, ela diz que teve “medo até de entrar no elevador ao lado do guarda”. “Eu estava temendo pela minha integridade física, porque ele é uma pessoa bem avantajada, eu sou uma mulher de 1,49 m, tenho 60 anos”, explicou ela ao Sul21. “Ele estava armado, já tinha me peitado com o colete à prova de balas, todo paramentado, que segurança eu tinha junto dele?”.

Ao chegar na delegacia, o guarda municipal preencheu um boletim de ocorrência contra a professora por crime de desacato a autoridade, mencionando que ela havia “falado mal da mãe dele”. Acompanhada de sua advogada, que a encontrou no local, a professora preencheu outro BO contra o guarda por abuso de autoridade, por constrangimento e exposição.

“Porque ele me retirar da sala de reuniões, como se eu fosse uma criminosa, é um pouco demais. Em momento nenhum eu fui agressiva com ele, mas o meu tom de voz é sempre firme, as pessoas às vezes querem distorcer”, diz ela. “Eu não representava nenhum perigo, eu estava só e não precisava de 6 guardas municipais me constrangendo”.

Nenhum servidor da Guarda Municipal estava utilizando identificação, segundo Maria Leonice. Ela perguntou repetidas vezes pelo nome do guarda municipal, ele se negava a responder. Na delegacia, os policiais disseram que, como havia um boletim de ocorrência dele contra a professora, ela não poderia ter acesso ao nome completo dele. Na terça-feira, em protesto em frente à Prefeitura Municipal, com a Guarda posicionada à porta, manifestantes também indagavam sobre identificação nos uniformes.

Procurada pela reportagem, a Guarda Municipal disse que não houve exagero dos servidores na ação. De acordo com o sub-comandante da GM, João Celso Bertuol, a professora teria tentado ultrapassar o cordão de isolamento na porta da Smed. “A pessoa quis forçar a entrada e o pessoal impediu. Mas depois ela cooperou, não precisou imobilizá-la”, declarou Bertuol.

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