Programa de Bolsonaro não fala de IR, tem 12 linhas sobre Nordeste e não menciona pobreza

Em meio a uma miscelânea de generalidades e de críticas ao PT, o programa de governo oficial de Bolsonaro, protocolado no TSE tem 81 páginas e, nelas, não há proposta para o Imposto de Renda; a palavra "pobreza" não aparece uma vez sequer e sobre o Nordeste, a quem Bolsonaro tem feito juras de amor nos últimos dias, o programa dedica apenas 12 linhas

Programa de Bolsonaro não fala de IR, tem 12 linhas sobre Nordeste e não menciona pobreza
Programa de Bolsonaro não fala de IR, tem 12 linhas sobre Nordeste e não menciona pobreza

Paulo Emílio, editor do 247 - Em meio a uma miscelânea de generalidades e de críticas ao PT, o programa de governo oficial de Bolsonaro, protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem 81 páginas e, nelas, não há proposta para o Imposto de Renda. Aliás, Bolsonaro mentiu quando chamou Haddad de "canalha" e disse que propôs isenção de IR a quem ganha até R$ 5.000. A palavra "pobreza" não aparece uma vez sequer e sobre o Nordeste, a quem Bolsonaro tem feito juras de amor nos últimos dias, o programa dedica apenas 12 linhas.

Nesta segunda, Bolsonaro ofendeu Haddad num twitter no qual garantir que seu programa "desde o início" propôs isenção de IR para quem ganha até 5 salários mínimos: "O pau mandado de corrupto me propôs assinar 'carta de compromisso contra mentiras na internet'. O mesmo que está inventando que vou aumentar imposto de renda pra pobre. É um canalha! Desde o início propomos (sic) isenção a quem ganha até R$ 5.000. O PT quer roubar até essa proposta." Mas não há nada sobre isso no programa de governo do candidato da ultradireita.

O programa não contém a proposta do economista da campanha, Paulo Guedes, de criar uma alíquota de 20% no Imposto de Renda, o que eleva o imposto pago pelos mais pobres e pela classe média e reduz o pago pelos mais ricos. Nas entrevistas sobre o assunto, Guedes nunca mencionou a isenção para quem ganha até 5 salários mínimos. A única menção sobre o IR é vaga e ambígua: "introdução de mecanismos capazes de criar um sistema de imposto de renda negativo na direção de uma renda mínima universal", sem dizer o que isso significa de fato ou como se daria sua implementação.

Sobre o Nordeste, a quem Bolsonaro tem feito juras de amor nos últimos dias, o plano de governo dedica apenas 12 linhas, sobre uma uma proposta de importar "tecnologia de Israel" para a agricultura irrigada e para transformar a região em um polo de energia renovável. Nenhuma delas trata sobre a redução da miséria. O assunto somente é tratado nas páginas 58 e 63, quando promete-se criar um programa de renda mínima que teria valor superior ao do Bolsa Família, embora não detalhe como isso seria feito.

No plano apresentado ao TSE, não existem as palavras "pobreza" e igualdade". A palavra "desigualdade", é citada apenas em um momento, quando se trata do ajuste fiscal.

Na página 51, no capítulo Economia e Infraestrutura, o documento diz ser necessário "afastar o populismo e garantir que o descontrole das contas públicas nunca seja ameaça ao bem-estar da população". Em nome do ajuste fiscal o governo Michel Temer congelou os gastos públicos por 20 anos, cortou investimentos, e promoveu políticas econômicas que resultaram na supressão de diretos dos trabalhadores e deixaram mais de 13 milhões de desempregados.

Em setembro, o general Hamilton Mourão, vice na chapa de Bolsonaro, declarou que o "plano para valer" era outro, contemplando o fim das cotas, privatização de parte dos serviços de saúde oferecidos pelo SUS e privatização de presídios, entre outros temas que não integram o programa de governo registrado no TSE. Também foram feitas declarações propondo o fim do 13º salário, recriação da CPMF, entre outras, sendo que estas últimas foram desautorizadas pelo próprio candidato.

 

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