“Projeto Revitalizar não dialoga com a comunidade negra”, diz vereadora

A vereadora Marta Rodrigues (PT) critica a tentativa da bancada governista na Câmara Municipal de levar o projeto 'Revitalizar' a votação na quarta-feira (26) sem dialogar com os moradores da região do Centro Antigo, onde o projeto será implantado; "Fizemos uma audiência no dia 7 de abril com movimentos sociais e setores da sociedade civil. Todos alegaram que há um grave risco de gentrificação, com a expulsão de moradores e de trabalhadores informais que tiram o sustento de suas famílias naquela região", diz a petista; para a vereadora, o Revitalizar pode aumentar ainda mais a desigualdade social em Salvador, pois desconsidera os moradores e incentiva a desapropriação e expulsão de famílias de baixa renda que residem nos imóveis tidos como "abandonados" pela prefeitura

Marta Rodrigues
Marta Rodrigues (Foto: Romulo Faro)

Bahia 247 - A vereadora Marta Rodrigues (PT) criticou nesta segunda-feira (24) a tentativa da bancada governista na Câmara Municipal de levar o projeto 'Revitalizar' a votação na quarta-feira (26) sem dialogar com os moradores da região do Centro Antigo, onde o projeto será implantado.

"Fizemos uma audiência no dia 7 de abril com movimentos sociais e setores da sociedade civil. Todos alegaram que há um grave risco de gentrificação, com a expulsão de moradores e de trabalhadores informais que tiram o sustento de suas famílias naquela região", diz a petista.

Para a vereadora, o Revitalizar pode aumentar ainda mais a desigualdade social em Salvador, pois desconsidera os moradores e incentiva a desapropriação e expulsão de famílias de baixa renda que residem nos imóveis tidos como "abandonados" pela prefeitura.

"É preciso que as reclamações e preocupações da população sejam levadas em consideração para que não aconteça com o Centro Antigo o que ocorreu, por exemplo, com a Feira do Couro, onde dezenas trabalhavam há anos".

Marta defende mais audiências antes da aprovação do projeto. "Este projeto não só inviabiliza a permanência das comunidades negras como estimula apenas o turismo, em detrimento do comércio local e da cultura popular".

De acordo com o projeto, os proprietários de casarões que não aderirem ao Revitalizar em no máximo cinco anos terão os imóveis desapropriados pela prefeitura. Marta questiona a isenção de impostos municipais em troca das reformas dos casarões e pontua que a prefeitura deveria executar dívidas de IPTU e destinar os imóveis para habitação social.

"É preciso considerar a importância de quem ocupa esses imóveis e a necessidade de inclui-las em qualquer projeto que pretenda incidir sobre o Centro".

Segundo a vereadora, para a população do Centro Antigo os investimentos têm sido marcados pela ineficácia e ineficiência no que se refere às questões sociais, notadamente as relacionadas à infraestrutura urbana, emprego e habitação.

"Temos exemplos claros disso, como a tentativa de expulsar os ferreiros da Ladeira da Conceição da Praia, a derrubada de casarões históricos na Ladeira da Montanha".

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