Proposta do Metrô não evita greve a partir desta quinta

Empresa aumentou índice de reajuste para 8,7% e propôs pagar integralmente o vale-refeição, hoje parcialmente subsidiado, mas metroviários rejeitaram: querem aumento de pelo menos 10%; decisão caberá à assembleia marcada para as 18h30, mas os indicativos são de paralisação – que, se confirmada, ocorrerá a apenas uma semana do início da Copa

Empresa aumentou índice de reajuste para 8,7% e propôs pagar integralmente o vale-refeição, hoje parcialmente subsidiado, mas metroviários rejeitaram: querem aumento de pelo menos 10%; decisão caberá à assembleia marcada para as 18h30, mas os indicativos são de paralisação – que, se confirmada, ocorrerá a apenas uma semana do início da Copa
Empresa aumentou índice de reajuste para 8,7% e propôs pagar integralmente o vale-refeição, hoje parcialmente subsidiado, mas metroviários rejeitaram: querem aumento de pelo menos 10%; decisão caberá à assembleia marcada para as 18h30, mas os indicativos são de paralisação – que, se confirmada, ocorrerá a apenas uma semana do início da Copa (Foto: Gisele Federicce)

por Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual

Nova tentativa de acordo entre a Companhia do Metropolitano e o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, hoje (4), voltou a fracassar, e os trabalhadores podem entrar em greve a partir de amanhã. Durante reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, a empresa aumentou a proposta de reajuste para 8,7%, mas os sindicalistas mantêm posição por um índice de dois dígitos. A decisão caberá à assembleia marcada para as 18h30, mas os indicativos são de paralisação – que, se confirmada, ocorrerá a apenas uma semana do início da Copa do Mundo, cujo jogo de abertura será na Arena Corinthians (Itaquerão), que tem o metrô como principal meio de acesso.

"Com essa proposta, vai ter greve", avisou ao final de duas horas de reunião o presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres Junior. "Espero que o governador (Geraldo Alckmin, PSDB) repense. A greve será responsabilidade do governo do estado. O governo tem condições de pagar."

Além do reajuste de 8,7% – a proposta anterior era de 7,8% –, o Metrô propôs aumentar o vale-refeição pelo mesmo índice e retirar a parte paga pelo trabalhador no benefício, o que segundo a companhia atingiria os dois dígitos reivindicados pelos trabalhadores. Haveria um desconto simbólico de R$ 0,01. O vale-alimentação passaria de R$ 247,69 para R$ 320 – o sindicato pede R$ 379,80. A entidade também quer um plano de carreira para os setores de manutenção e segurança, que segundo o TRT poderia ser discutido à parte, no próprio núcleo de conciliação.

"O Metrô avançou naquilo que é possível avançar", disse o presidente da companhia, Luiz Pacheco. Segundo ele, a empresa aumentou em mais de 50% a sua proposta inicial, que correspondia à variação do IPC-Fipe acumulado em 12 meses (5,2%). "A gente ainda confia que o sindicato possa refletir em sua assembleia."

Catraca livre

Ele afirmou que não vê "nenhum sentido" na proposta dos metroviários de liberar a catraca para a população. "O Metrô tem uma única fonte de receita, que é a venda dos bilhetes. Seria ruim inclusive para os metroviários, além de um custo para a sociedade. Segundo o dirigente, a empresa arrecada R$ 5 milhões por dia com a bilheteria.

"Nos últimos dois anos, o Metrô tem feito um esforço muito grande para tocar as operações", acrescentou Pacheco. De acordo com o presidente, que se reuniu ontem com o governador, a proposta oferecida hoje é um "pacote que o Metrô consegue cumprir". Ele ressaltou que a retirada da parte do trabalhador no custo do vale-refeição (hoje de R$ 25) garante aumento de dois dígitos para todos. Mais do que isso, não há de onde tirar: "Não temos como pagar".

"O balanço social do Metrô é altamente positivo", retrucou Altino. "Se é verdade que o Metrô tem de ser lucrativo, significa que tem de ficar superlotado e no sufoco nas próximas décadas. O problema é que o governo não dá prioridade ao transporte coletivo", criticou.

Com o fracasso na negociação direta, o caso poderá ir a dissídio coletivo no TRT. Nesse caso, haverá uma audiência de conciliação, que significaria uma nova tentativa de acordo. O Metrô já pediu uma liminar para garantir um efetivo mínimo durante a possível greve. Durante a reunião, a juíza Patrícia Therezinha de Toledo comentou que "a judicialização da questão é a pior situação possível".

Foram, na verdade, várias reuniões, desde ontem, separadamente, dentro e fora da sala de audiência. "Algumas coisas avançaram", disse a desembargadora Ivani Contini Bramante. Segundo ela, o que faltou para o acordo "foi o índice". Posteriormente, em nota, o TRT afirmou que a proposta da empresa "contempla os dois dígitos de reajuste pleiteado pelos trabalhadores", variando de 10,61% a 13,33%, conforme o salário de cada funcionário. Em conversas durante a reunião, um dos sindicalistas considerou a alternativa apresentado um "artifício" da companhia.

Em determinado momento do encontro de hoje, que durou aproximadamente duas horas, ela se dirigiu de forma mais dura aos representantes do Metrô, que já falavam em liminar, enquanto o TRT insistia nas negociações. "O Metrô está se retirando? É como se eu dissesse que o Metrô que sair da negociação. Se o senhor quiser, eu anoto isso (na ata)." Na terça-feira (2), ela pediu "empenho" ao secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, para buscar um acordo.

A empresa tem 9.500 funcionários e transporta aproximadamente 4,5 milhões de pessoas por dia.

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