Protelar leitura do Proinveste na Assembleia é tática dos Amorim

Quem diz isto é o Jornal da Cidade, em editorial duro contra a demora na leitura do projeto que investirá em Sergipe R$ 567 milhões; em artigo denominado "Boicote inexplicado", o diário faz uma rápida retrospectiva das mudanças pelas quais passaram o projeto e da influência da oposição, liderada por Edivan e Eduardo Amorim, neste processo; para o jornal, "essa novela está durando demais"; o JC cobra ainda uma explicação da presidente da Assembleia Legislativa, deputada Angélica Guimarães, sobre o motivo pelo qual o Proinveste não tramitar no Legislativo; "é o mínimo que ela pode fazer pelo bom-senso"

Protelar leitura do Proinveste na Assembleia é tática dos Amorim
Protelar leitura do Proinveste na Assembleia é tática dos Amorim (Foto: Luiz Alves)
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Sergipe 247 - Editorial do Jornal da Cidade da quinta-feira (18) afirma que a demora na leitura dos projetos do empréstimo de R$ 567 milhões do Proinveste para Sergipe pela Assembleia Legislativa é parte de "uma tática dos irmãos Amorim, que no fundo, são contra o projeto". O JC então ressalta que todas as alterações solicitadas pela oposição no programa foram feitas e cobra bom-senso da presidente da Alese, Angélica Guimarães (PSC).

Confira o editorial na íntegra:

Boicote inexplicado

Embora os dois projetos que constituem o Proinveste tenham sido entregues à Assembleia Legislativa, há quinze dias, eles, até o momento, não foram lidos em plenário – e tudo indica que também não o será hoje [no caso quinta-feira, dia 18, quando realmente não foram lidos]. 

Está em evolução a tática dos irmãos Amorim – que, no fundo, são contra o Proinveste – de protelar a tramitação na Assembleia Legislativa, o mais que puderem, do projeto de origem governamental. A presidente da Casa, deputada Angélica Guimarães, em entrevista concedida à imprensa por essas dias, disse que a leitura não foi feita porque a pauta estava trancada pelos vetos apostos pelo governador Marcelo Deda a nada menos que cinco projetos aprovados na Casa.
 
Se não houver a leitura no expediente inicial de cada sessão, os dois projetos não podem tramitar, isto é, cópias deles não são tiradas para distribuição com os parlamentares, nem podem seguir para as comissões técnicas. 
 
Estas, por seu turno, não podem marcar reuniões para debater os projetos, nem proceder suas votação. Claro que isso não ocorrendo, os projetos não descem para apreciação do plenário. O próprio governador Déda já teria dito que “não tem mais saúde para tratar de Proinveste”.
 
Tudo que a oposição queria, aparentemente, foi feito. A lista de obras que serão contempladas com financiamento do Proinveste foi modificada e até a Prefeitura de Aracaju foi contemplada com nada menos que 140 milhões de reais para obras na Capital, o que não estava na primeira versão.
 
O que está empacando, então, os projetos? Dizia-se, antes, quando da primeira etapa do Proinveste, aquela que culminou com a sua rejeição, que era o então líder do governo, deputado Francisco Gualberto, que atrapalhava, porque ele dava nome aos bois. Dizia, por exemplo, sem ter papas na língua, que os irmãos Amorim defendiam a tese do “quanto pior, melhor”. Agora, Gualberto não é mais líder do governo e no plenário tem tido apenas uma atuação discreta, não se envolvendo em maiores discussões.
 
Agora, nesta nova fase, o que está afinal impedindo a tramitação dos dois projetos do Proinveste? Disseram que o projeto não relacionava as obras a serem beneficiadas com os investimentos, estas obras estavam relacionadas apenas na mensagem que acompanha o projeto. Seria muito pouco... Era preciso amarrar mais.
 
Seja como for, já se passaram quinze dias – e nada dos projetos do Proinveste serem lidos. Agora, diz-se, a tese da oposição é protelar a votação até quando for possível. Hoje [no caso quinta-feira, dia 19], na Assembleia deverá haver uma manifestação de prefeitos e vereadores do interior, que vão reivindicar verba do Proinveste para o Sertão sergipano. A convocação foi estimulada por um porta-voz dos irmãos Amorim, o radialista Gilmar Carvalho.
 
Então é para reiniciar toda conversação, a partir da manifestação de hoje? Essa “novela”, naturalmente, está durando demais. E só quem sai perdendo com isso é o povo e o próprio Estado. Os investimentos de mais de 500 milhões de reais não são feitos, o dinheiro deixa de circular, as obras não são feitas, e a população não as usufrui delas.
 
A presidente da Assembleia Legislativa, deputada Angélica Guimarães, está na obrigação de explicar ao povo sergipano por qual motivo o Proinveste não tramita no Legislativo. É o mínimo que ela pode fazer pelo bom-senso.

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