Protesto de servidores tem agressão da Guarda Municipal

Um vídeo gravado pelo Sindicato dos Muncipários (Simpa) mostra agressões da Guarda Municipal de Porto Alegre na dispersão de servidores que bloqueavam as portas do prédio da Secretaria Municipal de Administração; segundo o sindicato, dois manifestantes foram encaminhados ao HPS: um por ferimento de cassetete e outro por arma de choque; os servidores protestavam contra mudanças no pagamento de gratificações e contra as privatizações dos serviços de água e esgoto da capital gaúcha

Um vídeo gravado pelo Sindicato dos Muncipários (Simpa) mostra agressões da Guarda Municipal de Porto Alegre na dispersão de servidores que bloqueavam as portas do prédio da Secretaria Municipal de Administração; segundo o sindicato, dois manifestantes foram encaminhados ao HPS: um por ferimento de cassetete e outro por arma de choque; os servidores protestavam contra mudanças no pagamento de gratificações e contra as privatizações dos serviços de água e esgoto da capital gaúcha
Um vídeo gravado pelo Sindicato dos Muncipários (Simpa) mostra agressões da Guarda Municipal de Porto Alegre na dispersão de servidores que bloqueavam as portas do prédio da Secretaria Municipal de Administração; segundo o sindicato, dois manifestantes foram encaminhados ao HPS: um por ferimento de cassetete e outro por arma de choque; os servidores protestavam contra mudanças no pagamento de gratificações e contra as privatizações dos serviços de água e esgoto da capital gaúcha (Foto: Charles Nisz)

Luís Eduardo Gomes e Gregório Mascarenhas, do Sul 21 - Um protesto de municipários terminou em agressão na manhã desta sexta em Porto Alegre, com trabalhadores feridos, tanto da Guarda Municipal quanto dos servidores. Eles realizavam, desde antes das 7h, um piquete na porta do prédio da Prefeitura, como parte da agenda de greve das categorias, que começou no dia 5 de outubro; a Ronda Ostensiva da Guarda Municipal, um pouco depois das 8h, repeliu a concentração. 

Um vídeo gravado pelo Sindicato dos Muncipários (Simpa), abaixo, mostra o exato momento em que a Guarda chega para dispersar a concentração de servidores, que bloqueavam as portas do prédio da Secretaria Municipal de Administração, uma delas com um contêiner de lixo. A gravação mostra a tropa vindo e se encontrando ao grupo de manifestantes, que, de acordo com o Simpa, tentou dialogar. Dois manifestantes, de acordo com a entidade, foram encaminhados ao HPS: um por ferimento de cassetete e outro por arma de choque.

“Eu mesmo tentei iniciar uma conversa, mas não tive oportunidade”, conta Alberto Terres, diretor geral da entidade. O vídeo mostra servidores argumentando em torno de um integrante da guarda que vem na frente de seus colegas, e, a partir daí, se incia uma confusão.

A professora Cátia Cristina Almeida Ramos conta que estava segurando cartaz, por volta das 7h30, quando foi agredida no ombro por uma cassetada gratuita. “Nós estávamos com a faixa na lateral do prédio, não impedindo ninguém de passar, de repente os guardas que estavam à frente fizeram uma fila indiana. Eles estavam conversando com a direção do sindicato, e, de repente, um guarda foi para cima dos municipários, agredindo-os. Aí começou. Em nenhum momento os servidores iniciaram a confusão. Continuei com a faixa e pedi para eles pararem. Aí veio um e me agrediu, tocou com o cassetete no meu ombro”. Ela relata que tomou um remédio para dor e segue no protesto.

A Guarda Municipal diz que também tentou negociar. “Pedimos liberação de pelo menos uma das três portas do prédio”, disse Gláuber Vilio, comandante da Ronda Ostensiva. Ele diz que houve, então, “uso progressivo da força”. Quatro integrantes da força de segurança, de acordo com Vilio, sofreram “pequenas lesões”. “Nossa missão é manter o direito dos manifestantes, mas também de dar acesso a quem presta serviços no prédio”, argumentou.

O protesto seguiu durante a manhã, e, depois disso, houve pelo menos dois outros momentos de tensão. O primeiro ocorreu quando integrantes da Simpa tentaram entregar flores à Guarda (assista ao vídeo do momento abaixo), enquanto cantavam “Caminhando e cantando”. Outros manifestantes, todavia, passaram a xingar os agentes; não houve, mesmo assim, agressão física.

Outra ocasião mais tensa, quase às 10h, ocorreu quando chegou mais um agrupamento de integrantes da Guarda, com escudos e cassetetes, para reforçar o contingente que estava na entrada lateral da SMA (o vídeo está no final desta publicação). A concentração estava na Borges de Medeiros, entre a Prefeitura e o Mercado Público. Agentes forçaram a passagem para se juntar aos outros guardas, e houve resistência. Alguns levantaram cassetetes e ameaçaram agredir manifestantes, que pressionavam na direção oposta. A diretoria do Simpa foi ao local acalmar os ânimos, com os braços levantados, gritando “Fora, Marchezan”

A Brigada Militar foi acionada, sob comando do Tenente-Coronel Amorim, com poucos brigadianos além dele. Eles fizeram acordo com o Simpa para liberar uma das pistas da Borges de Medeiros, na lateral do Mercado, para que o transporte coletivo pudesse passar.

A Guarda Municipal seguiu com cordão de isolamento nas proximidades do prédio, e municipários ainda mantiveram bloqueada a entrada do prédio que dá para a Borges de Medeiros. O protesto continuou quase até o final da manhã; uma parte dos servidores se dirigiu também para a frente do Paço Municipal.

A decisão de realizar o ato nesta manhã, diz o Simpa, partiu “da intransigência do prefeito”. Uma reunião na Câmara Municipal de Vereadores com o vice-prefeito, Gustavo Paim, foi iniciada no final da manhã.

O sindicato pede a retirada são o Projeto de Lei Complementar nº 11/2017, que prevê mudanças nos pagamentos de triênios, extingue gratificações e adicionais por tempo de serviço; a Emenda à Lei Orgânica nº 7/2017, que extingue a licença-prêmio por assiduidade; o Projeto de Emenda à Lei Orgânica nº 8/2017, que muda a data de pagamento do salário para o quinto dia útil do mês subsequente e a data do pagamento do 13º salário para janeiro do ano seguinte; e o Projeto de Emenda à Lei Orgânica do Município (LOM) nº 10/17, que autoriza o Executivo a delegar ou contratualizar serviços de água e esgoto, o que os municipários consideram como a privatização do setor.

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