PT e PSDB fazem acordo por José Américo

Após o anúncio de que o vereador Milton Leite (DEM) estaria articulando sua candidatura para presidente da Câmara, apoiado na insatisfação de vereadores da base aliada, Américo e o líder do PSDB, Floriano Pesaro, estabeleceram o acordo; a eleição acontece no domingo

Após o anúncio de que o vereador Milton Leite (DEM) estaria articulando sua candidatura para presidente da Câmara, apoiado na insatisfação de vereadores da base aliada, Américo e o líder do PSDB, Floriano Pesaro, estabeleceram o acordo; a eleição acontece no domingo
Após o anúncio de que o vereador Milton Leite (DEM) estaria articulando sua candidatura para presidente da Câmara, apoiado na insatisfação de vereadores da base aliada, Américo e o líder do PSDB, Floriano Pesaro, estabeleceram o acordo; a eleição acontece no domingo (Foto: Roberta Namour)
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por Rodrigo Gomes, da Rede Brasil Atual -
São Paulo – Opositores no cenário político nacional, petistas e tucanos protagonizaram uma aliança peculiar nos últimos dias para garantir a reeleição do vereador José Américo (PT) à presidência da mesa diretora da Câmara Municipal de São Paulo. Após o anúncio de que o vereador Milton Leite (DEM) estaria articulando sua candidatura para presidente, apoiado na insatisfação de vereadores da base aliada, Américo e o líder do PSDB, Floriano Pesaro, estabeleceram o acordo. A eleição é no domingo (15).

Os vereadores defenderam que a ação pretende garantir a proporcionalidade na direção da Câmara. Hoje, a mesa diretora é composta por parlamentares do PSD, PV, PTB, PR, PMDB, além do próprio PT.

São necessários 28 votos, entre os 55 parlamentares, para ser reeleito. Com o PSDB, Américo garante o apoio de 38 vereadores e enterra as pretensões de Leite. Este declinou da candidatura, mas não escondeu a insatisfação com a inesperada manobra.

Na sessão de ontem (11), havia um acordo de líderes para que se votassem projetos dos vereadores. Após a apreciação de dez projetos – dois do PSD, dois do PCdoB, um do PP e cinco de executivo – Leite pediu a palavra e argumentou que a Casa não estava debatendo os projetos. O próximo projeto, exposto no painel da casa, era o PL 292, de 2011, do tucano Pesaro, que institui a Política de Qualidade na Gestão Pública.

Leite pediu que houvesse debate sobre a proposta e, em seguida, falou por 45 minutos. Embora tenha sido questionado por alguns vereadores, como o líder do governo, Arselino Tatto (PT), para que cumprisse o acordo de líderes, ele não recuou.
Pouco depois das 19h foi pedido ao presidente em exercício, Marco Aurélio Cunha (PSD), que verificasse a presença no plenário. Somente 24 vereadores responderam e a sessão foi encerrada. Nos bastidores, a ação foi considerada uma resposta ao acordo entre PT e PSDB.

Base estabilizada

Com a costura desse e outros acordos, os problemas do prefeito Fernando Haddad (PT) com sua base na Câmara - que ameaçavam a votação de projetos importantes, como a peça orçamentária 2014 - vão se dissipando e o Executivo deve encerrar o ano em relativa harmonia com o Legislativo.

Para Arselino Tatto, as coisas estão caminhando bem. “Só hoje aprovamos cinco projetos do Executivo”, disse. Ele afirmou que os projetos que não passaram, em uma sessão tumultuada da Câmara no último dia 6, não eram prioritários para o governo. “Às vezes ocorre uma ou outra divergência, mas está dentro da normalidade. Acredito que a votação do orçamento será tranquila”, afirmou. Ao longo do ano, a Câmara aprovou 30 projetos do prefeito.

O vereador Dalton Silvano (PV) também desconstruiu a ideia de insatisfação na base. “O PV compõe o governo e não se sente preterido de forma alguma”, afirmou.

Questionado sobre os projetos de vereadores que estariam ficando em segundo plano, Silvano foi categórico: “Hoje não se sabe o que é tratorar”. Segundo o vereador, em outros tempos, não se votava um único projeto parlamentar sem antes aprovar propostas vindas do Executivo. “A relação com o governo tem sido muito razoável”, completou.

Ricardo Nunes, vereador pelo PMDB em primeiro mandato, avalia que o governo tem mantido uma relação proporcional com a base. “O partido tem se posicionado em conjunto e até agora não tivemos problemas graves”, considerou. Para ele, as dificuldades são de outra ordem. “Algumas secretarias não dialogam, desconsideram a relação que os vereadores têm com suas regiões”.

Como exemplo, ele cita a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que organiza as faixas exclusivas de ônibus. “Empresários da zona sul têm nos procurado para pedir que alguns trechos sejam reconsiderados, mas a CET ignora nossos pedidos para conversar sobre o assunto."

PSD

Surpresa nesse emaranhado de interesses foi a posição do vereador José Police Neto (PSD), que desmentiu a amplamente divulgada versão de que o partido compõe a base aliada de Haddad.

“Eu posso avaliar a situação, mas não posso falar como base aliada por que o PSD não faz parte dela”. Segundo o vereador, o partido tem um posicionamento independente. “Somos neutros, como uma situação crítica”. Em 30 propostas do executivo, o partido votou a favor de 28.

Police Neto considera que o governo poderia conseguir mais apoio se fosse menos "arrogante". “Não se pode buscar o diálogo só quando há interesse em aprovar alguma medida”, avalia. Para o vereador, o governo quer gerir sozinho as ações de impacto na cidade, como as faixas de ônibus. “A gestão não tem aceitado contribuições, ponderações, nem críticas. E assim acaba perdendo apoio.”

Com isso, a suposta base de 42 vereadores cai para 35. Subtraindo-se ainda o vereador Gilberto Natalini (PV), critico ferrenho da gestão Haddad, o governo conta uma base, mais ou menos real, de 34 vereadores.

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