Reunião secreta da Apple em NY criou assinaturas na App Store, como Netflix

Com 300 milhões de usuários que pagam por assinaturas, a App Store já ultrapassa nomes como Netflix (125 milhões), Spotify (83 milhões) e HBO Now (5 milhões). 

Reunião secreta da Apple em NY criou assinaturas na App Store, como Netflix
Reunião secreta da Apple em NY criou assinaturas na App Store, como Netflix

InfoMoney - Uma “reunião secreta” organizada pela Apple em um apartamento em Nova York pode ter mudado a forma como se distribui software ao redor do mundo. A conversa, que ocorreu em abril de 2017, de acordo com o Business Insider, abriu caminho para a criação de uma App Store totalmente reformulada, focada em um modelo de assinaturas que transforma softwares em serviços. Este modelo está deixando gigantes como Netflix e Spotify para trás.

Participaram da conversa com a Apple 30 desenvolvedores. A missão da empresa era convencê-los de que o modelo de negócios de aplicativos móveis estava mudando. Isso porque, até então, o mercado de apps tinha a tendência de baixar o preço dos softwares e cobrar apenas uma vez pelo download. Com isso, mesmo os produtos de boa qualidade têm preços baixos e precisam de quantidades absurdas de downloads para monetizar – ou apelar para anúncios.

O modelo que fica para trás

Um app como o Facebook ou o Instagram, que permite interações entre seres humanos, é visto como uma rede. Outra categoria, aquela que possibilita cortar ou editar fotos, por exemplo, é a de ferramentas – ou, para usar a analogia feita pela Apple, “martelos”.

Para a primeira categoria, preços baixos ou downloads gratuitos dentro do maior distribuidor de software do mundo é uma oportunidade. Com esta democratização, podem expandir a base de usuários e ganhar mais com o que realmente importa para estas empresas: anúncios dentro das plataformas.

Do outro lado, as ferramentas, ou apps de “utilidades”, funcionam melhor quando a tela não está poluída com milhares de banners. Pequenas empresas e pessoas que desenvolvem este tipo de software acabam vendendo sua tecnologia por poucos dólares, pagos apenas uma vez, e não conseguem receita frequente para arcar com todos os custos de manter sua tecnologia ativa: servidores, funcionários, atualizações.

Neste modelo, aplicado até 2016 para todos os apps pagos, a Apple fica com 30% do valor e repassa um cheque de 70% aos desenvolvedores.

O novo modelo

Em 2016, a Apple passou a permitir a cobrança de mensalidades dentro da App Store no modelo chamado de Subscriptions 2.0 (assinaturas 2.0). Em setembro deste ano, este sistema completa dois anos de idade. Ele permanece correspondendo a uma pequena fração dos 2 milhões de apps disponíveis na loja da Apple (30 mil no total), mas chegou a arrecadar US$ 300 milhões no último balanço (60% a mais que no ano passado).

Voltando à reunião em 2017 em Nova York, a ideia da Apple foi convencer pequenos desenvolvedores dos benefícios do modelo de assinaturas. Em vez de pagar uma vez por cada app que queiram, os usuários passam a pagar regularmente. Com isso, cresce a necessidade de criar produtos aos quais as pessoas serão fiéis.

Como forma a estimular que os desenvolvedores aceitem esta mudança, a Apple tentou uma estratégia financeira. Nos primeiros meses, a fatia que toma para si do dinheiro arrecadado segue em 30%. Mas, quando o cliente mantiver o pagamento mensal dos apps por mais de um ano, a fatia da empresa cai para 15% - deixando 85% para o desenvolvedor.

A mensagem foi clara: os apps que apostarem em fidelidade serão mais bem-sucedidos que os que conseguirem, simplesmente, os maiores números de downloads.

Alguns desenvolvedores já começaram a seguir os novos passos. Entre eles, os da empresa israelense Lightricks, dona dos apps FaceTune e FaceTune 2, entre outros.

O FaceTune, que edita fotos para remover imperfeições e custava US$ 3,99, aparece frequentemente como o app pago mais baixado na loja de apps dos EUA. Mas, segundo a Lightricks, o FaceTune 2, que utiliza o sistema de assinaturas, tem mais de 500 mil assinantes ativos dispostos a pagar valores muito mais altos pelas ferramentas ofertadas. Baixar a versão 2 do popular aplicativo custa US$ 5,99. Anualmente, o valor é de US$ 32. Também é possível pagar apenas uma vez e usar para sempre, por US$ 69,99 – preço praticamente inimaginável para qualquer app antes de 2016.

Com 300 milhões de usuários que pagam por assinaturas, a App Store já ultrapassa nomes como Netflix (125 milhões), Spotify (83 milhões) e HBO Now (5 milhões). Silenciosamente, a empresa de US$ 1 trilhão está construindo o maior serviço de assinaturas do mundo – e compensando a queda nos níveis de aumento de vendas do iPhone.

POR PAULA ZOGBI

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