Revolta do PMDB pode custar caro ao partido

Presidente aceita com resignao veto coordenado pelos senadores do partido ao nome de Bernardo Figueiredo (centro); ir indicar outro para a ANTT; mas revolta pode custar caro ao futuro da legenda do vice Michel Temer

Revolta do PMDB pode custar caro ao partido
Revolta do PMDB pode custar caro ao partido (Foto: DIVULGAÇÃO)

247 – Ok, vocês venceram. É como se a presidente Dilma Rousseff tivesse aceitado com resignação a verdadeira desfeita praticada pelos senadores do PMDB, que participaram da votação secreta, na noite da quarta-feira 7, na qual foi vetada a recondução de Bernardo Figueiredo à diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O nome era uma indicação pessoal da presidente. “Como dizia um político que não sei citar o nome, votação secreta dá vontade de trair”, resumiu o senador Valdir Raupp, presidente do PMDB, ele próprio um dos participantes da sessão com escrutínio secreto. Foi a primeira derrota do governo em um ano e três meses de gestão da presidente Dilma. A votação terminou com 36 votos contra, 31 a favor e 1 abstenção.

Hoje, Dilma parece ter completado o seu recado: venceram, mas desta vez, e nem sempre será assim. Em lugar de reclamar dos aliados ou convocar reuniões para reprimendas, a presidente evitou iniciar um drama político e simplesmente anunciou que irá indicar outro nome. O episódio, porém, serviu para elevar às alturas a temperatura da desconfiança no relacionamento entre o PT de Dilma e o PMDB do vice-presidente Michel Temer. Falando em nome de uma ala importante do partido, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu já levantou, em seu blog, a hipótese de o PMDB não ser mais o aliado preferencial do PT nas eleições presidenciais de 2014, dando o lugar de vice a um indicado pelo PSB – o que equivale dizer ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Também não passa incólume pelo PT o gesto de Temer de aderir ao movimento dos insatisfeitos do PMDB – o amplo grupo que se sente desprestigiado pelo governo e com dificuldades para despachar com ministros. Ao se aproximar dessa corrente, Temer desagradou Dilma e, de tanto se descolar da presidente, poderá ficar definitivamente isolado.

Essa resposta de médio e longo prazo do governo à rebelião ensaiada pelo PMDB no Congresso teria seus riscos cobertos pela rearrumação da base aliada, com maior presença do PSB de Campos e, também, do PSD do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. O que parece claro é que Dilma não está disposta, em nenhuma circunstância, a ficar refém do PMDB e atender a todas as vontades do partido assim que seus quadros batem o pé no chão. A relação entre o governo o partido está em mutação e será cada vez mais dura. Nas contas de Dilma, é o partido quem tem mais a perder.

O resultado da votação no Senado veio após longa discussão na qual diversos senadores acusaram Figueiredo de estar sob suspeição por causa de irregularidades apontadas na agência pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Após o resultado, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), reconheceu que muitos senadores dos partidos que dão apoio à presidenta Dilma estão insatisfeitos com a maneira como vêm sendo tratados pelo governo. Segundo ele, os aliados reclamam que não são recebidos pelos ministros e não têm suas demandas analisadas.

O novo indicado da presidenta para a direção-geral da ANTT terá que passar por sabatina e aprovação na Comissão de Infraestrutura do Senado antes de ter o nome analisado pelo plenário da Casa.

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