“Se a gente se calar nas críticas ao governo, isso só vai ajudar a direita”

Ex-presidenciável, com 1,6 milhão de votos na última eleição, Luciana Genro (PSOL) volta a criticar tanto o governo federal como a oposição e diz por que o seu partido não participou do protesto contra o governo Dilma; "Não participamos do 15 porque, muito embora ele tenha surgido de forma espontânea, ele foi abraçado pela direita e portanto dirigido para pautas mais conservadoras", afirma; segundo ela, o PSOL quer "mostrar que as razões pelas quais a gente faz oposição ao governo da Dilma são totalmente opostas às razoes do PSDB"; "Ao mesmo tempo, se a gente se calar nas criticas ao governo, isso só vai ajudar a direita"

27/03/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Entrevista com Luciana Genro. Foto: Guilherme Santos/Sul21
27/03/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Entrevista com Luciana Genro. Foto: Guilherme Santos/Sul21 (Foto: Leonardo Lucena)

Débora Fogliatto, Sul 21 - Nas últimas eleições presidenciais, Luciana Genro despontou como candidata pelo PSOL, angariando 1,6 milhões de votos e conquistando popularidade. A gaúcha, filha do ex-governador Tarso Genro (PT), foi deputada estadual e federal pelo PT, do qual saiu no início dos anos 2000 para fundar o PSOL. Agora, o partido se consolida e busca surgir como uma alternativa independente do governo federal e, ao mesmo tempo, sem compactuar com a oposição de direita.

Nesta entrevista, Luciana explica o ideal de uma Frente de Esquerda, integrada pelo seu partido e o PSTU, além de movimentos sociais e de juventude. Ela critica o governo de Dilma Rousseff, mas também se opõe fortemente ao avanço das bancadas conservadoras nos legislativos brasileiros. Luciana também fala sobre a opção do seu partido de não participar das manifestações ocorridas nos dias 13 e 15 de março. "Não participamos do 15 porque, muito embora ele tenha surgido de forma espontânea, ele foi abraçado pela direita e portanto dirigido para pautas mais conservadoras", esclarece.

A ex-deputada, que agora coordena o gabinete do deputado Pedro Ruas — o primeiro eleito para Assembleia gaúcha pelo PSOL — conta sobre a experiência e não descarta concorrer à Prefeitura de Porto Alegre em 2016. Ela também comenta a polêmica do deputado Cabo Daciolo, que se elegeu pelo PSOL mas mostrou ter bandeiras conservadoras em seu mandato no Rio de Janeiro.

Confira a entrevista:

Sul21 – Sábado passado, houve um debate organizado pelo PSOL em São Paulo, em que se falou da criação de uma Frente de Esquerda. A ideia dessa frente é servir como um contraponto aos avanços conservadores que a gente tem visto no Congresso?

Luciana Genro – O debate que existe no PSOL é de unir a oposição de esquerda, que significa buscar não só partidos como o PSTU, mas também movimentos sociais que são independentes do governo, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), movimentos de juventude, sindicatos combativos que não estejam vinculados ao governo, pra criar um terceiro campo, que significa um campo que não esteja atrelado ao governo e ao mesmo tempo não compactue com a oposição de direita.

Para nós é fundamental a criação desse campo, porque esse desgaste que o governo já acumula em tão pouco tempo desse segundo mandato da Dilma (Rousseff, PT), devido à crise econômica e à corrupção, pode levar a um crescimento da direita. Da oposição de direita, porque uma parte da direita também está no governo. E essa oposição de direita cinicamente tenta se apresentar como uma alternativa, enquanto a gente sabe que na realidade eles não só defendem o ajuste que a Dilma está fazendo através do Joaquim Levy (ministro da Fazenda), como também essa é a essência da política do PSDB. Ao mesmo tempo, também estão envolvidos nos mesmos escândalos de corrupção, mas eles se aproveitam cinicamente desse desgaste do governo e tem o apoio da grande mídia. Então a gente precisa confirmar esse terceiro campo para mostrar que é possível superar o PT pela esquerda e não através de um retrocesso ao neoliberalismo puro representado pelo PSDB.

Sul21 – Considerando toda essa articulação da direita, com os protestos do dia 15, que foram muito mais organizados pela direita do que pela esquerda, tu achas que essa articulação da direita pode respingar no PSOL, pelo fato da direita ser muitas vezes anti-movimentos sociais, anti-direitos LGBT, por exemplo, ou tu achas que o PSOL pode se fortalecer dessas criticas ao governo da Dilma?

Luciana Genro – Primeiro é importante ressaltar que o PSOL tomou uma decisão muito correta, que foi não participar nem do 13 nem do 15 (de março). O 13 porque ele vinha sendo convocado claramente como um ato de apoio à Dilma e depois acabou não sendo só isso. Ele também trouxe pautas críticas e inclusive a base social do PT está muito crítica ao governo. E também não participamos do 15 porque, muito embora ele tenha surgido de forma espontânea, ele foi abraçado pela direita e portanto dirigido para pautas mais conservadoras. Não que as pessoas que estivessem lá na manifestação do dia 15 fossem todas apoiadores do PSDB ou reacionárias, mas estavam sendo dirigidas por elas. Então o 15 acaba sendo um contraponto às jornadas de junho, que também surgiram de forma espontânea, mas que não se deixaram manipular pela direita, permaneceram muito mais independentes e com pautas muito conectadas com os movimentos sociais.

Então, para o PSOL é muito importante conseguir se credenciar como uma oposição de esquerda, justamente porque nós queremos mostrar que as razões pelas quais a gente faz oposição ao governo da Dilma são totalmente opostas às razoes do PSDB. Ao mesmo tempo, se a gente se calar nas criticas ao governo, isso só vai ajudar a direita, porque tudo o que a direita precisa é serem os únicos a criticarem o governo, porque aí eles vão conseguir capitalizar toda a insatisfação, uma insatisfação que está crescendo de uma forma exponencial. As pesquisas de opinião mostram isso e as ruas mostram isso. Então a única forma de impedir que a direita tome conta desse processo é fortalecer uma oposição de esquerda, por isso esses setores que ainda estão na órbita do PT e que são críticos ao governo, ao meu ver deveriam perceber que é a hora da ruptura, porque eles precisam nos ajudar a formar esse terceiro campo, justamente para evitar que seja a oposição de direita que capitalize toda essa insatisfação — que é muito legítima — contra o governo, contra o ajuste, contra a corrupção.

Sul21 – Tu achas também que essa insatisfação generalizada do governo Dilma também se deve ao fato do governo do PT nesses anos de governo não ter enfrentado algumas bandeiras, como reforma política, democratização da mídia? O governo acabou ficando em um meio, que não se moveu nem pra esquerda nem totalmente pra direita, mas fez aliados na direita e acabou ficando nesse limbo ideológico. 

Luciana Genro – Sem dúvida, o PT não mexeu nessas estruturas políticas e midiáticas que alimentam o crescimento da oposição de direita, então a gente tem uma situação em que o PT fez um governo que não foi de esquerda, foi um governo com políticas sociais mais acentuadas  do que nós tivemos em outros governos no Brasil. Então quando há um crescimento econômico, qualquer governo distribui essas bordas e foi o que o PT fez, porque houve um momento de crescimento econômico do Brasil, que se beneficiou de uma conjuntura econômica mundial, só que essa conjuntura econômica mundial mudou. E o Brasil entrou em uma crise e toda essa distribuição de renda que foi feita durante esse período vai ser agora retirada. Isso é cíclico no capitalismo, não é uma novidade que está acontecendo hoje, são ciclos de mais ou menos 5 a 10 anos, ciclos de crescimento e crise, que é próprio da acumulação capitalista. Então o PT ao chegar no poder, ao invés de mudar as estruturas e mexer justamente nesse modelo de acumulação e no modelo político que sustenta esse sistema econômico, e aí entram também os grandes meios de comunicação, ele se moldou, se adaptou e manteve todas essas estruturas intocadas, e agora está pagando o preço.

Porque a classe dominante aceitava que o PT governasse, e até quis que o PT governasse num determinado momento, porque o PT tinha um controle muito grande sobre os movimentos sociais e isso era necessário para que eles pudessem seguir no processo de acumulação capitalista e de exploração, então o PT era útil. Só que junho de 2013 mostrou que o PT não tem mais essa capacidade de controle sobre os movimentos, então eles preferem governar através dos seus filhos legítimos, como é o caso do Aécio. Por isso a classe dominante botou tanto peso naquela tentativa de eleger o Aécio, porque o PT já cumpriu o seu papel, ele já não serve mais (para a classe dominante). “E agora vamos nós mesmos governar através dos nossos”, pensam eles. E agora então eles querem governar pelas suas próprias mãos. E o PT, como não mexeu nessas estruturas políticas e no poder dos grandes meios de comunicação, sofre as conseqüências da sua capitulação.

Sul21 – Algumas pessoas justificam que quando chegasse no poder, o PT não teria governabilidade caso mantivesse as suas propostas iniciais e suas propostas mais voltadas para a esquerda, exatamente por talvez ter uma oposição no Congresso. Como é que tu achas que seria um ideal se o modelo de esquerda defendido pelo PSOL realmente chegasse ao governo e conseguisse se manter fiel aos seus ideais?

Luciana Genro – Aí que está a questão de “Como se chega no poder”. Muito embora eu acho que o Lula (Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente petista), quando ganhou a eleição em 2002, ele tinha condições de fazer muito mais do que ele fez, mesmo que ele tenha chegado já muito moderado e adaptado. Mas eu discuto essa questão de como se chega ao poder justamente porque esse processo do PT não foi um raio em céu azul, ele foi mudando e ele foi se vinculando cada vez mais às classes dominantes, através, por exemplo, dos financiamentos de campanha e das alianças eleitorais, mudando seu programa, amenizando suas propostas para se tornar mais palatável para as elites.

Por isso que o PSOL tem uma visão de que nós não queremos ganhar a eleição a qualquer custo, por isso a gente proíbe no estatuto receber dinheiro de empreiteira, de bancos e de multinacionais, por isso a gente não faz alianças simplesmente para ganhar mais tempo de televisão ou ter mais chances eleitorais. Nossas alianças são muito restritas. Há um acordo programático, porque nós queremos chegar no poder com condições políticas de fazer essas mudanças, mesmo que demore um pouco mais e o que a gente viu, por exemplo, com a Syriza (partido de esquerda que venceu as eleições parlamentares de 2015) na Grécia foi isso. Dois anos atrás eles chegaram a ser chamados para tentar compor um governo, porque tinham ficado em segundo lugar nas eleições e o primeiro não tinha conseguido compor o governo, e eles podiam ter tentado construir uma coalizão política ali, para chegar no poder. Mas eles preferiram não chegar no poder naquele momento, para se manter coerentes com seu programa. E receberam o reconhecimento do povo na eleição depois. Claro que estão enfrentando grandes dificuldades e a própria aplicação do programa deles não está assegurada, mas eles estão tentando.

Sul21 – Isso que se fala de golpismo contra o governo, possivelmente até a base aliada se voltaria contra ela. Vimos que o PMDB tem tido bastante força, tu achas que é possível que isso aconteça e possa levar a um impeachment?

Luciana Genro – Acho que o PMDB não é um aliado confiável, e o próprio PT que alimentou essa cobra. Mas eu acho que há um certo exagero nessa denúncia do golpismo. Embora a gente saiba que há um setor minoritário que defende a volta do golpe militar, mas não há nenhum setor da burguesia orgânica que defenda um golpe ou impeachment. Fernando Henrique disse claramente que não querem o impeachment, querem sangrar, enfraquecer o governo, para deixar ele muito refém dos mercados e do Joaquim Levy e aplicar a fundo o ajuste. Porque o PSDB é um defensor orgânico dos interesses da burguesia e dos bancos, que querem muito o ajuste para garantir pagamento dos juros da dívida. Não há mistério na razão do ajuste, pois a dívida pública consome bilhões, chega a 40% do orçamento do país.

E também para tentar ganhar em 2018, mas eles não querem impeachment ou golpe. A posição que o PSOL assumiu nesse momento é de que o impeachment articulado pelas elites jamais terá o nosso apoio. Agora, há um processo de indignação popular que vem crescendo de forma muito grande, e se o governo não der uma resposta – e eu acredito que não vai conseguir dar – o risco é que não sejam as elites, mas de fato o povo, que queira o impeachment. E aí a coisa vai ficar bem mais complicada.

Sul21 – Nessas últimas eleições, as bancadas conservadoras cresceram na Câmara. Como tu vês o papel dos deputados do PSOL na Câmara nesse momento complicado para as minorias, especialmente a população LGBT e as mulheres?

Luciana Genro – Eu vejo que as bancadas conservadoras cresceram também porque os movimentos estão mais fortes. A luta LGBT está mais forte, e a das mulheres também. Alguns anos atrás nem se falava do movimento LGBT. Isso é um avanço cultural muito forte. E os reacionários reagem contra isso. Então claro que eu vejo com preocupação esse crescimento das bancadas conservadoras, mas vejo que essa polarização acaba sendo necessária. O problema é que o sistema eleitoral é tão perverso que candidatos conservadores, que têm mais dinheiro, mais estrutura partidária, conseguem se eleger, enquanto os candidatos progressistas que normalmente são de partidos como o PSOL tem menos estrutura. Embora se elejam, como o Jean Wyllys (deputado federal) e o Marcelo Freixo (deputado estadual no Rio de Janeiro), que foi o deputado estadual mais votado do Brasil. Então a gente também tem as nossas expressões de luta, mas a questão é conseguirmos articular a bancada de deputados com os movimentos. E daí eu tenho a convicção de que é possível, mesmo com forças desfavoráveis no Congresso, conquistar avanços. E a causa LGBT e das mulheres têm apoio popular, claro que o debate é feito de maneira muito distorcida, mas há muitas propostas que têm apoio popular e poderiam avançar mesmo contra a vontade dessas bancadas reacionárias.

Sul21 – Nesse sentido, tu achas que o Judiciário tem se mostrado mais progressista e até mandado um recado para os Legislativos, com a recente aprovação da adoção por casais homossexuais e a condenação do Levy Fidélix por suas declarações homofóbicas naquele debate?

Luciana Genro – Sem dúvida a condenação do Levy Fidélix foi uma vitória para o movimento LGBT, que eu espero que se consolide nas instancias superiores. Eu acho que sim, o Judiciário está tendo um papel importante, porque temos uma geração de juízes progressistas, que já refletem mais esses setores esclarecidos da sociedade que não aceitam mais a discriminação LGBTs e que as mulheres sejam tratadas como cidadãs de segunda categoria. E não são tão suscetíveis a pressões de setores mais reacionários, inclusive de algumas igrejas. Isso é um reflexo do avanço que temos na sociedade, só que no poder Legislativo isso não se expressa de uma forma tão visível justamente por causa da distorção eleitoral fruto do poder econômico e das grandes estruturas de campanha, que os candidatos reacionários sempre têm.

Sul21 – Como está sendo este trabalho teu e da bancada do PSOL nesses primeiros meses do mandato do deputado Pedro Ruas aqui no estado?

Luciana Genro – É muito intenso o trabalho porque a gente está estreando lá como bancada, embora eu já tivesse tido uma experiência como deputada estadual por dois mandatos (1995-2002), e por isso o Pedro Ruas me convidou para coordenar lá. Mas agora temos um trabalho muito mais complexo, porque não temos a mesma estrutura de assessoria com tanta experiência quanto eu tinha quando fui deputada pelo PT. É um trabalho redobrado para analisar e cumprir os projetos. Mas para nós é muito importante, porque ter uma bancada estadual nos possibilita vocalizar de forma muito mais eficaz as demandas dos professores, dos servidores das áreas da educação e da saúde. E nos preparar de forma mais concreta para governar o Rio Grande do Sul, que é um objetivo que o PSOL tem. Vamos trabalhar para construir um projeto para o estado para 2018, e antes disso obviamente para 2016 nos municípios, onde a bancada estadual aqui também vai colaborar, municiando o partido nos municípios com informações, dados e propostas para construir para as eleições municipais.

Sul21 – Aqui em Porto Alegre, a bancada do PSOL tem sido bastante atuante, conseguiram recentemente a vitória da aprovação do projeto de lei das AEIS, apesar do veto do prefeito. Qual a expectativa para as eleições do ano que vem?

Luciana Genro – A expectativa é gigantesca, diante dessa crise do PT e da impossibilidade que o PT tem de se apresentar como alternativa de esquerda para Porto Alegre, vai caber a nós esse papel. Se não, a prefeitura vai continuar nas mãos dos mesmos. E o resultado que estamos vendo é terrível, a cidade está jogada às traças, a saúde é o caos absoluto e há problemas graves na educação, assistência social e no transporte coletivo, onde a prefeitura não conseguiu fazer licitação. Há um sentimento de muita insatisfação, mas se não houver uma alternativa forte, as estruturas políticas podem favorecer a manutenção do atual projeto político.

Estamos discutindo a possibilidade de eu ser candidata a prefeita, para poder apresentar um nome com maior visibilidade política. E queremos construir uma boa bancada de vereadores, onde a Fernanda Melchionna e o Alex Fraga (vereadores atualmente) cumprem papel fundamental. O Roberto Robaina, que é uma das principais lideranças do PSOL e sempre foi candidato majoritário, agora estou tentando convencer ele a ser candidato a vereador. Porque se eu for prefeita, vou precisar dele na Câmara me ajudando a construir essa articulação política. E eu tenho muita convicção de que o PSOL tem chances reais de vencer a eleição para a prefeitura.

Sul21 – No Rio de Janeiro, o deputado Cabo Daciolo foi afastado do partido após ter opiniões bem diferentes do resto do partido. Tu poderias explicar melhor as circunstâncias dessa situação toda?

Luciana Genro – Ele foi um dos líderes da greve dos bombeiros, que foi muito forte e o PSOL apoiou com muita força. Ele se aproximou do PSOL na condição de bombeiro líder de uma greve, portanto foi vista com bons olhos a aproximação dele. Mas acabou depois se revelando com posições muito distintas do PSOL, lamentavelmente só percebemos isso depois que ele foi eleito. Já havia no partido no Rio de Janeiro um temor em relação às posições dele, mas ele não havia tido nenhuma ação mais concreta para possibilitar ao partido o afastamento dele. Mas quando protocola uma PEC (Proposta de emenda constitucional) que na prática acaba com a laicidade do Estado e faz um pronunciamento defendendo os policias acusados de matar o Amarildo – que é um crime muito simbólico na luta pelos direitos humanos e contra a criminalização da pobreza – ficou insustentável a permanência dele no PSOL. Acertadamente a Executiva tomou a decisão de afastá-lo e o Congresso de dezembro deve votar a expulsão dele, se ele próprio não fizer isso até lá.

Sul21 – A juventude ligada ao PSOL foi uma das organizadoras dos protestos da juventude na quinta-feira contra os cortes do governo federal. Qual a tua avaliação dessas manifestações?

Luciana Genro – O dia 26 foi um dia nacional de luta dos estudantes, que foi articulado por movimentos de juventude ligados ao PSOL, PSTU e outras articulações de esquerda independentes ao governo e sem vinculação à oposição de direita. É esse terceiro campo que queremos construir na política de uma forma geral que construiu o dia 26. E se fortaleceu justamente naquela dicotomia do 13 e do 15, a juventude percebeu que precisava organizar um caminho de mobilização própria. E acho que foi um dia importante, que acrescenta ao movimento sindical para também se unir e oferecer um dia nacional de lutas que busque fazer essa mobilização mais geral da sociedade.

Sul21 – Eu vi que teve uma adesão bem expressiva, mas mesmo assim foi bem ignorado pela grande mídia.

Luciana Genro – Essa é a peculiaridade da mídia, o 15 recebeu uma cobertura enorme. Se dessem para o dia 26 50% da cobertura prévia que deram para o 15, a manifestação teria sido maior. Mas a grande mídia escolhe muito bem quais são as manifestações que vão apoiar, e obviamente manifestações onde há organizações de esquerda não recebem apoio. Por isso é bem mais difícil de se conseguir massificar. Mas a gente vai indo mesmo assim.



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