“Se tivesse vendido para o Cachoeira, eu diria”

Em entrevista ao Popular, o governador de Goiás, Marconi Perillo, tratou da venda da casa, falou sobre seu patrimônio e também defendeu investigações relacionadas à Delta; por fim, disse que representará contra os deputados Odair Cunha e Paulo Teixeira, do PT, que estariam a serviço de Lula

“Se tivesse vendido para o Cachoeira, eu diria”
“Se tivesse vendido para o Cachoeira, eu diria” (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
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247 – Neste domingo, o jornal “O Popular”, de Goiânia, publica uma longa entrevista com o governador Marconi Perillo. Nela, o tucano aborda todos as denúncias recentes que o atingiram, como a venda de sua casa em Alphaville, as acusações feitas pelo jornalista Luiz Carlos Bordoni sobre caixa dois em sua campanha e ainda o crescimento recente do seu patrimônio. Segundo Marconi, não há irregularidades. Ele disse ainda que, se tivesse vendido a casa para Carlos Cachoeira, teria dito no primeiro dia.

Leia, abaixo, os principais trechos do depoimento concedido a Cileide Alves, Fabiana Pulcineli e Jarbas Rodrigues Júnior:

Depois que o sr. depôs na CPI surgiram mais gravações que indicam que Cachoeira negociava sua casa. Hoje, sabendo o que sabe, o sr. acha que o Cachoeira comprou a casa?

Tenho certeza que não. Se eu tivesse vendido para o Cachoeira, seria facílimo ter resolvido isso no primeiro dia, quando dei entrevista ao O POPULAR. Bastava dizer: “Vendi a casa para o empresário Carlos Cachoeira. Eu não podia era mentir. Ele nunca me procurou para comprar a casa. Quem me procurou foi o Wladmir, fizemos o negócio, acertamos valores, me deu os cheques, compensei, coloquei no meu Imposto de Renda. Não tem como eu falar que foi o Cachoeira se não foi. 

Diante das informações divulgadas, o sr. acha que Wladmir pode ter mentido ou omitido o fato de que Cachoeira era o comprador da casa?

Não sei. Ele é quem tem de falar para a Justiça, para a polícia. Vão prestar os depoimentos e vão ter de dizer, explicar essa história. Tudo que sabemos é por gravações telefônicas. Se a intenção era uma ou outra, problema deles. O importante é que nada disso teve qualquer influência junto ao governo. Não há uma denúncia sequer envolvendo o governo. Nada. Mesmo que tivessem pretensões nada se consolidou.

Há também gravação de Cachoeira e Wladmir sobre pagamento a Bordoni. O Lúcio citado é o Fiúza?

Não sei. Quem tem de falar é o Cachoeira. Ele certamente vai prestar depoimento. E vai poder dizer se é o Lúcio ou não, se ele pagou Bordoni por serviços realizados para o grupo dele, se não pagou. O que sei é que para a minha campanha, o que Bordoni fez, ele recebeu e foi declarado. A alusão que ele tenta fazer é que houve caixa dois. Se ele fez caixa dois, se ele cobrou, também tem de prestar contas à Justiça, cometeu um crime. E no caso específico, eu já entrei com processo e ele terá de provar.

Lúcio não quis prestar depoimento à CPI. O que ele disse ao sr. sobre isso?

A primeira coisa que fiz foi chamar o Lúcio aqui e perguntar. Ele falou que nunca fez isso. Disse que ligou para o Bordoni uma vez para saber de um currículo da filha dele que queria emprego. Ele tinha pedido para as filhas. Isso já aconteceu no outro governo. E o Lúcio confirmou que ligou a ele, mas para pedir o currículo. E depois ligou para a filha para fazer a mesma coisa. O Lúcio é uma pessoa da minha confiança. Só não está no governo porque não quis. É corretíssimo, honestíssimo. 

Surgiram também depois do depoimento à CPI, questões relativas ao patrimônio e declaração de Imposto de Renda. O Lúcio emprestou ao senhor R$ 300 mil e o secretário Giuseppe Vecci, R$ 1,2 bilhão. Como é isso?

Não vejo mal nenhum em tomar emprestado dinheiro de um amigo. Tomei emprestado também do meu cunhado, irmão da Valéria, e à medida que posso, vou pagar. Tenho as formas de pagar. Tenho produção na chácara. Plantei, por exemplo, há cinco anos, eucalipto. E minha pretensão, desde o início, quando o Giuseppe (Vecci) me emprestou uma parte dos recursos, era que, quando eu pudesse vender o eucalipto, quando tivesse grande, eu começaria a pagar. Como ele não precisava do dinheiro... Às vezes em que procurei para pagar essa dívida, ele disse que não precisava, “paga quando o senhor puder”. Em relação ao Lúcio, a mesma coisa. A diferença é que eu tomo emprestado e boto no meu Imposto de Renda. Lá consta o pagamento de um apartamento que comprei em São Paulo. A metade dele será concluído agora em setembro, com recurso de financiamento junto à Caixa Econômica ou a alguma instituição privada. São R$ 580 mil que ainda tenho de pagar. Se você desconta isso no IR, diminui. A outra parte dos recursos para aquisição de terreno em Aparecida eu fiz com dinheiro da casa que vendi. A casa tinha uma parte financiada. Quitei quando vendi. A parte que sobrou eu investi: uma parte comprando apartamento em São Paulo e a outra, comprando terreno em Aparecida. Meu patrimônio é de R$ 2,4 milhões, descontando os quase R$ 600 mil que tenho de pagar para o apartamento, financiado. Aliás, já fiz a proposta ao Itaú e à Caixa. Só que eu devo R$ 2 milhões. E eu tenho condições para pagar. Uma é tomando o financiamento e o resto, vou vender a produção de eucalipto que tenho em Pirenópolis para pagar o Giuseppe e depois vou pagando aos poucos. Uma coisa importante também: as pessoas ficam criticando a evolução patrimonial, mas eu fui governador sete anos e três meses. Como governador, tenho pouquíssimas despesas. Todo mundo sabe que um governador, um presidente da República, quase não tem despesas. E eu fiz poupança, fiz economia. Se eu não desse conta de fazer economia e poupança e administrar os meus próprios recursos, eu não teria a menor condição de administrar o Estado. Meu patrimônio evoluiu porque eu fiz economia, recebi salários. E tenho uma pequena empresa em Pirenópolis para cobrança de entrada em fazenda que temos de ecoturismo. São 10 reais por pessoa.

 

O sr. fez este ano, depois do escândalo Cachoeira, uma retificação no Imposto de Renda. O que foi?

Deixa eu lembrar... Ah, fiz. É que não tinha constado o aluguel da minha casa. Quando eu vi o IR, quando o Lúcio me trouxe com o contador, pedi para constar o pagamento do aluguel. A casa onde moro é alugada. O contrato está à disposição na portaria do condomínio.

Voltando ao empréstimo que o sr. tomou do secretário Giuseppe Vecci, são três parcelas em total de mais de R$ 1 milhão. Foram feitos em 2007 e 2008. Ele não cobra juros e não tem pressa em receber?

Tem de perguntar para ele. Ele que emprestou. Se ele está disposto a não cobrar juros, a não receber, ele que tem de responder, não sou eu. Se ele cobrar, eu vou pagar. Agora, o dinheiro é dele, ele quer emprestar, me emprestou, é meu amigo. Estou achando ótimo que não tenha de pagar juros. Tomara que ele não cobre.

Também surgiu a informação de que o sr. seria criador de gado, que teria 1,4 mil cabeças. É isso?

Olha, eu não sei quantas ao todo, mas o fato é que recebi, por exemplo, uma parte da herança do pai da Valéria, há 24 anos, quando me casei com ela. Já recebi uma parte em reses. E ao longo do tempo, fui comprando. Tenho financiamento de vacas, junto ao Banco do Brasil, FCO. E vaca vai produzindo, vai aumentando. A bezerra que nasce vira novilha, também produz. Enfim, vai crescendo. E ao longo do tempo, as reses foram ampliando e fui vendendo também. Se você pegar a evolução patrimonial, nas minhas declarações de renda, você verá que ao longo do tempo eu vendi muito gado. Todo ano vendo um pouco para custear despesas. O que tenho de reses, parte em meu nome e outra em nome da Valéria, é absolutamente compatível com os 24 anos em que temos propriedade em Pirenópolis.

Qual o tamanho da fazenda onde fica seu gado?

Tenho uma propriedade que me parece de 36 alqueires, que é a chácara em Pirenópolis, e tenho parte de outra propriedade que é da Valéria na fazenda Meia Lua. Criamos essas reses lá e uma parte alugamos pasto também. Agora, quero dizer de antemão que boa parte disso vou vender este ano para quitar essa dívida com o Giuseppe, para que isso não tenha mais qualquer tipo de problema. Vou vender eucalipto e também as reses. O que eu tiver de vender vou vender também para poder pagar as dívidas. E essa história do Cachoeira tem de um lado uma má vontade muito grande, de outro uma determinação política de setores do PT de me perseguir e de tentar me ligar a Cachoeira. Essa perseguição é tão grande que o meu sigilo fiscal chegou às mãos do relator Odair Cunha na quinta-feira e no mesmo dia ele chamou um jornal e vazou. Não tem problema. Eu vou entrar, através do PSDB nacional com representação contra o relator e contra o vice-presidente (deputado Paulo Teixeira) no Conselho de Ética da Câmara e também na CPI arguindo a suspeição de ambos por tudo que já anteciparam. Estão fazendo pré-julgamento, estão sendo absolutamente imparciais e estão, como todos sabem, trabalhando a serviço de uma terceira pessoa, que é o Lula.

Wladmir se envolveu no escândalo do INSS da Câmara, foi acusado, condenado e hoje é considerado interlocutor político da organização criminosa de Cachoeira. Se ele não tivesse tido espaço no meio político e no governo, ele não estaria nessa posição. O sr. acreditou que ele era inocente e se arrepende?

Fiquei anos sem falar com Wladmir. Ele apareceu nesta última campanha. A família dele sempre nos apoiou, a irmã, que é vereadora... Ele participou, ajudou na campanha. Mas o Wladmir era o operador da Delta no Estado. Conversava com prefeitos, procurava o prefeito de Goiânia, de outras cidades, procurava Dnit, procurava Olavo Noleto, procurava pessoas do governo, a Agetop, para defender interesses da Delta. Aliás, o grande esquema que precisa ser desvendado não é só o envolvimento do Cachoeira com o jogo do bicho. É preciso saber como a Delta operou em Goiás e no Brasil. O grande problema no Brasil são os acordos das empreiteiras. O foco está totalmente desviado. Desviado numa casa, num suposto caixa dois para pagar jornalista, enquanto a Delta, que movimentou R$ 4 bilhões de recursos no Dnit, R$ 300 milhões em prefeituras não é investigada.

Focar só na Delta também não é desviar e proteger o esquema de jogos ilegais do Cachoeira?

Acho que tem de investigar os dois. Aqui em Goiás e no Brasil, Cachoeira e Delta se confundiram. Pelas informações que tenho, por tudo que a gente já viu, Cachoeira já não estava mais nessa história de jogo. Já estávamos entrando para valer com a polícia para combater o jogo ilegal. Ele já tinha deixado de operar a loteria. Então pelas informações que temos, eles estavam agindo absolutamente em conjunto. Os interesses do Cachoeira eram comerciais na Delta.

 

O sr. fala da parcialidade de integrantes da CPI no Congresso. O mesmo se diz da CPI da Assembleia Legislativa. Inclusive integrantes vieram aqui manifestar apoio ao sr. antes de começar as investigações. O sr. considera da mesma forma a CPI da Assembleia direcionada?

Acho que uma é complementar a outra. A de lá não quer investigar os seus aliados. Se lá não pode quebrar sigilo e convocar várias pessoas porque não interessa ao governo federal, a daqui pode complementar o trabalho. E outra coisa, se as pessoas se sentirem ofendidas, façam o que vou fazer. Questionem a parcialidade. Agora, a diferença é que eu pedi para ir à CPI, pedi para ser investigado e na verdade o que vai valer nessa história toda será a investigação do Judiciário, porque essa sim será isenta. Por que as pessoas têm de ter um comportamento diferente aqui? Se a Delta trabalha na Prefeitura de Goiânia, em outras prefeituras, se trabalhou na administração do Iris (Rezende, PMDB), se trabalha no governo do Estado, por que podem quebrar o meu sigilo e não podem quebrar dos outros?

É esse o argumento dos deputados, significa que estão orientados pelo sr.?

Não, ninguém está sendo orientado por mim. Agora, eles estão percebendo o que está acontecendo em Brasília. Há um direcionamento não em relação a apurar coisa do Cachoeira, mas um direcionamento em relação a mim.

O que acha da candidatura de Jovair em Goiânia?

O Jovair conhece bem Goiânia, nasceu em Campinas, conhece bem os problemas. Vai fazer um projeto, uma proposta boa para Goiânia.

Como o sr. se organiza para essas eleições? Vai subir em palanques, vai gravar para a TV?

Eu disse desde o início que minha participação vai ser mínima. Mesmo nos quatro meses de crise, eu não tirei o foco do governo. Eu fui a eventos, discuti com a equipe projetos, fui a Brasília dezenas de vezes, ao Rio de Janeiro. Vou continuar fazendo a mesma coisa. O foco é no governo. Minha participação vai ser mínima. Eu não desejo participar de palanques, nem aqui nem no interior. Pode ser que eu participe de algum ato no finalzinho da campanha, em um ou outro lugar. Possivelmente eu faça depoimentos para rádio e televisão. Não vou participar de caminhada, de carreata, de comício. É uma decisão que tomei e as pessoas estão respeitando.

Essa postura é diferente da que teve nos outros governos. Isso não pode dificultar para a base de eleger prefeitos?

Em 2000, eu precisava firmar minha base, era muito novo, afoito, e até inexperiente. Então eu entrei, fui a mais de 200 municípios. Em 2004, já diminuí o número de municípios: devo ter ido a no máximo 40 municípios. Em 2008, como senador e não como governador, tive presença mais expressiva. À medida que o tempo vai passando, você vai amadurecendo).

Qual seu projeto para 2014?

Está absolutamente indefinido. Meu desejo é fazer um ótimo governo, trabalhar mais do que nunca.

 

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