Sobe 35% número de armas roubadas de vigilantes

A insegurança vivida por vigilantes patrimoniais de Alagoas está incontrolável quando o assunto envolve roubo de armas. De janeiro a novembro deste ano, o número de revólveres tomados em assalto é 35% maior em relação a 2013; ao todo, sete mil vigilantes atuam em Alagoas e, destes, mais de 80 profissionais foram afastados para tratamento de saúde  

A insegurança vivida por vigilantes patrimoniais de Alagoas está incontrolável quando o assunto envolve roubo de armas. De janeiro a novembro deste ano, o número de revólveres tomados em assalto é 35% maior em relação a 2013; ao todo, sete mil vigilantes atuam em Alagoas e, destes, mais de 80 profissionais foram afastados para tratamento de saúde
 
A insegurança vivida por vigilantes patrimoniais de Alagoas está incontrolável quando o assunto envolve roubo de armas. De janeiro a novembro deste ano, o número de revólveres tomados em assalto é 35% maior em relação a 2013; ao todo, sete mil vigilantes atuam em Alagoas e, destes, mais de 80 profissionais foram afastados para tratamento de saúde   (Foto: Leonardo Lucena)

GazetaWeb.com - A insegurança vivida por vigilantes patrimoniais de Alagoas está incontrolável quando o assunto envolve roubo de armas. De janeiro a novembro deste ano, o número de revólveres tomados em assalto é 35% maior em relação a 2013. Ao todo, sete mil vigilantes atuam em Alagoas e, destes, mais de 80 profissionais foram afastados para tratamento de saúde.

A reportagem foi até o Sindicato dos Vigilantes (Sindvigilante), no bairro da Cambona, em Maceió, e conversou com o presidente, José Cícero Ferreira. Segundo ele, o quantitativo parece ser mínimo, mas é considerado uma preocupação para a categoria, considerada o braço da Polícia Militar (PM), mas que vem sofrendo com a "falta de atenção do poder público".

"Ficamos à mercê da bandidagem, mesmo armados. Além das armas roubadas este ano, dois vigilantes foram assassinados e o poder público não olha para isso. Tem posto de serviço que já foi roubado mais de seis vezes", comentou o sindicalista. Segundo ele, 120 armas foram roubadas só este ano, quando, em 2013, foram 78.

A sobrecarga de trabalho e o desvio de função são outros problemas que deixam os profissionais vulneráveis, já que os vigilantes devem fazer a segurança do patrimônio e de vidas, mas não executar o trabalho reservado a militares. "Já vimos caso de vigilantes trabalhando como maqueiros em um hospital e outro entregando ficha em posto de saúde. Isso não pode existir", reforçou o presidente, ao citar que os profissionais são de empresas privadas, contratadas pela União, Estado, Distrito Federal e municípios.

Ao todo, Alagoas tem 17 empresas e três escolas de formação. O curso tem duração de trinta dias e garante o porte de arma apenas em serviço, exame psicológico, defesa pessoal e treinamento de tiro. O candidato deve ter acima de 21 anos. Apesar de toda a preparação, inclusive, cursos de reciclagem de dois em dois anos sob fiscalização da Polícia Federal (PF), a profissão é uma das mais estressantes. Só no estado, mais de 80 vigilantes estão afastados por licença médica.

O presidente do sindicato ressalta a preocupação com os números e, ao mesmo tempo, lamenta a falta de informações sobre os dados atualizados por parte da Secretaria de Estado da Defesa Social (Seds). Ou seja, o próprio sindicato alega desconhecer até o número de armas apreendidas, os motivos do crime e o destino dos autores.

Reivindicações
Outro ponto debatido pela categoria são as reivindicações trabalhistas, que abrange melhores condições de trabalho, comunicação eficiente, guarita blindada, aumento do efetivo, plano de saúde, aquisição de pistolas .40 (hoje, são revólveres calibre 38) e reajuste salarial de 15% (o salário atual é de R$ 1.100) mais ticket-alimentação no valor de R$ 18 e plano de gratificação para os vigilantes motoqueiros. "O próximo passo do sindicato é a campanha salarial 2015, pois a data-base da categoria é janeiro. Mandaremos as propostas para os patrões", pontuou José Cícero.

Vítimas da violência
No último dia 7, o vigilante da Prossegur José Cleberson Santos de Oliveira foi morto a tiros após quitar uma dúvida de R$ 10 em uma oficina, mas a polícia informou que este não teria sido o motivo do crime. O crime aconteceu na Rua Nossa Senhora da Conceição, no bairro do Clima Bom, em Maceió. Cleberson trabalhava na agência do Santander, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Outro caso envolveu o roubo de 32 armas a um veículo no último dia 11, no Clima Bom. Destas, apenas sete foram recuperadas. O fiscal da Vital Segurança recolhia as armas até o cofre da empresa no momento em que aconteceu o roubo. Eles são os responsáveis por fazer a vigilância das escolas estaduais da capital.

"Diariamente, o fiscal da empresa pega as armas e sai distribuindo entre os vigilantes que trabalham nas escolas, já que eles só podem estar armados a partir do momento em que não tem nenhum aluno na unidade de ensino. O mesmo acontece quando acaba o turno. As armas são recolhidas e levadas de volta para o cofre da empresa", afirmou Mônica Lopes, que representa o Sindvigilante.

Ações ostensivas
Procurado pela reportagem, o subcomandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Neivaldo Amorim, explicou que a corporação não possui os dados atualizados do número de armas roubadas porque muitas são alteradas pelos criminosos. Porém, segundo o militar, cerca de 90 armas são recuperadas, por mês, por porte e posse ilegal ou abandono.

"A ocorrência no Clima Bom foi uma fatalidade. Mas estamos com ações ostensivas, inclusive, com viaturas rondando em todos os postos de vigilância, parando de quinze em quinze minutos. No caso de os policiais ficarem ao lado dos vigilantes, o efetivo não é suficiente e a competência não é nossa, já que se trata de empresas privadas", comentou o subcomandante.

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