STJ suspende acordo entre governos e Samarco

A ministra do STJ Diva Malerbi suspendeu, em caráter liminar, o acordo assinado entre membros dos governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo com as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton para recuperação ambiental da área atingida pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), em novembro do ano passado; o pedido foi feito pelo MPF, pois, de acordo com procuradores, as pessoas diretamente afetadas pela tragédia não foram ouvidas; o acordo, a ser implantado no prazo de 15 anos, prevê a criação de uma fundação privada, com aporte de R$ 15 bilhões

Mariana (MG) - barragem pertencente à mineradora Samarco se rompeu no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais (Corpo de Bombeiros/MG - Divulgação)
Mariana (MG) - barragem pertencente à mineradora Samarco se rompeu no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais (Corpo de Bombeiros/MG - Divulgação) (Foto: Leonardo Lucena)

Minas 247 - A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Diva Malerbi suspendeu, em caráter liminar, o acordo assinado entre membros dos governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo com as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton para recuperação ambiental da área atingida pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), em novembro do ano passado. O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF), pois, de acordo com procuradores, as pessoas diretamente afetadas pela tragédia não foram ouvidas.

Homologado no dia 05 de maio, o acordo, a ser implantado no prazo de 15 anos, prevê a criação de uma fundação privada, com aporte de R$ 15 bilhões, para adotar programas socioeconômicos, de infraestrutura, recuperação ambiental, além de medidas nas áreas da saúde, educação, cultura e lazer para a população atingida pela tragédia.

O acordo incluiu entidades federais (União, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Agência Nacional de Águas (ANA), Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Fundação Nacional do Índio (Funai) e entes públicos dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Após a homologação do acordo, determinou-se a suspensão de uma ação civil pública em tramitação na 12º Vara Federal de Belo Horizonte e extinguiram-se recursos que discutiam a implantação de outras medidas.

Decisão

Na decisão, a ministra Diva Malerbi ressaltou que a Primeira Seção do STJ, no dia 22 de junho, decidiu que a competência para julgar processos que envolvem a empresa Samarco no caso do rompimento da barragem é da 12ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais.

A decisão da Primeira Seção ratificou uma liminar concedida pela ministra Laurita Vaz, vice-presidente do STJ, no dia 11 de janeiro. Segundo Diva Malerbi, a homologação do acordo “desrespeitou decisão proferida” pelo STJ.

“Em primeiro lugar, porque, na pendência da definição do conflito de competência, os processos foram suspensos, sendo autorizada apenas a implementação de medidas de caráter urgente, tendo-se definido a competência da 12ª Vara da Seção Judiciária de Minas Gerais para o exame dessas questões”, justificou Malerbi.

Além disso, para a ministra, diante da extensão dos danos do rompimento da barragem seria “recomendável o mais amplo debate” para a solução do problema causado, com a realização de audiências públicas, com a participação dos cidadãos, da sociedade civil organizada, da comunidade científica e de representantes locais.

Em nota, Samarco informou em nota que pretende recorrer da decisão. A Vale também informou que tomará medidas judiciais necessárias para confirmar a homologação o acordo. A BHP Billiton disse que vai recorrrer da decisão.

*Com informações do STJ

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