Suíca: multar pichadores ‘é mais uma forma de repressão em Salvador’

Líder do PT na Câmara Municipal de Salvador, o vereador Luiz Carlos Suíca (PT) critica o projeto de lei que institui multa de R$ 3 mil para pichadores em Salvador; de autoria de Alexandre Aleluia, do Democratas, a matéria foi aprovada na Câmara Municipal na terça-feira (20); Suíca considera a medida "descabida e repressora", principalmente para a juventude negra; "Isso é mais uma forma de repressão aos jovens soteropolitanos. Os jovens negros e de periferia já são perseguidos nas ruas diariamente e agora querem outro tipo de massacre, o financeiro"; o vereador diz que "a juventude precisa ter conhecimento para não cair nas armadilhas da sociedade e reproduzir ações racistas e fascistas"

Suíca
Suíca (Foto: Romulo Faro)

Bahia 247 - Líder do PT na Câmara Municipal de Salvador, o vereador Luiz Carlos Suíca (PT) critica o projeto de lei que institui multa de R$ 3 mil para pichadores em Salvador. A matéria, de autoria do vereador Alexandre Aleluia, do Democratas (DEM), foi aprovada na Câmara Municipal na terça-feira (20).

Suíca considera a medida "descabida e repressora", principalmente para a juventude negra. "Isso é mais uma forma de repressão aos jovens soteropolitanos. Os jovens negros e de periferia já são perseguidos nas ruas diariamente e agora querem outro tipo de massacre, o financeiro". O vereador diz que "a juventude precisa ter conhecimento para não cair nas armadilhas da sociedade e reproduzir ações racistas e fascistas".

O petista afirma que "a pichação sempre foi um meio de protesto, uma arte de rua e que essa foi e é a forma de muitos jovens mostrarem sua insatisfação contra a repressão diária que vivem nos bairros periféricos e de defenderem causas sociais". Para o líder do PT, os debates devem envolver os artistas de rua e não aprovar uma lei sem participação dos pichadores.

"Eles consideram o trabalho deles como enriquecedor para a cultura de rua e a arte de periferia. Mantêm uma arte milenar, utilizada por povos antigos para se manifestar e até ter experiências religiosas. Quem pichava, obviamente, era tido como subversivo e era excluído da sociedade, punido ou multado. E querem agora remontar e criminalizar a arte de rua".

Suíca diz que as políticas de inserção à cultura devem suprir as demandas das ruas atualmente, dos bairros periféricos e de movimentos e coletivos que tratam do assunto.

"Se o objetivo é reduzir a pichação, precisamos incluir esses artistas em projetos sociais, tanto nas unidades de ensino quanto nas praças com formação gratuita. Não podemos aprovar uma lei que vai punir jovens por desenhar em muros. O valor da multa de R$ 3 mil para quem pichar imóveis públicos e privados é uma aberração. Qual pobre que tem condições de pagar isso? O salário ninguém quer aumentar", ironiza Suíca.

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