Supernovas podem ter ajudado a moldar o clima da Terra e prova estaria nas árvores, diz cientista

Explosões de estrelas podem ter desencadeado pelo menos quatro grandes perturbações no clima da Terra nos últimos 40 mil anos, descobre cientista

(Foto: Divulgação)
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Sputnik - Supernovas, explosões violentas que marcam a morte de certos tipos de estrelas, próximas da Terra deixaram uma série de possíveis impressões digitais no registro de anéis de árvores nos últimos 40 mil anos. Esses eventos teriam potencialmente perturbado o clima do nosso planeta várias vezes ao longo desse período, relata um novo estudo publicado na revista científica International Journal of Astrobiology.

"Esses são eventos extremos e seus efeitos potenciais parecem coincidir com os registros de anéis de árvores", afirma em comunicado Robert Brakenridge, autor da pesquisa. Em apenas alguns meses, uma única dessas explosões pode liberar tanta energia quanto o Sol durante toda a sua vida, explica o cientista.

Brakenridge compilou 18 supernovas que ocorreram a cerca de 4.900 anos-luz da Terra e comparou o tempo estimado desses eventos cósmicos com picos de carbono-14, conforme observado no registro dos anéis das árvores.

O carbono-14 é raro na Terra, só ocorrendo com alguma influência externa, como radiação de alta energia fluindo do espaço profundo. Isso converteria parte do carbono normal em nossa atmosfera em carbono-14.

"Geralmente há uma quantidade constante ano após ano […] As árvores captam dióxido de carbono e parte desse carbono será radiocarbono", comenta Brakenridge.

Pico de radiocarbono

Todavia, a quantidade de radiocarbono nem sempre é constante. Brakenridge identificou picos no registro de anéis de árvores, que geralmente são atribuídos a explosões poderosas de nosso próprio Sol.

O cientista descobriu que oito das supernovas em sua lista ocorreram na mesma época que um breve pico de radiocarbono. A associação foi especialmente forte para quatro supernovas, incluindo uma 13 mil anos atrás, que acabou com a vida de uma estrela na constelação de Vela, a cerca de 815 anos-luz da Terra.

Pouco depois dessa explosão, os níveis de radiocarbono subiram brevemente cerca de 3% na atmosfera do nosso planeta, descobriu Brakenridge.

"O que me faz continuar é quando eu olho para o registro terrestre e digo: 'Meu Deus, os efeitos previstos e modelados parecem estar lá'", conclui Brakenridge.

Este não é o único estudo a sugerir que as supernovas podem ter afetado significativamente a vida na Terra. Outros trabalhos argumentam que as explosões de estrelas próximas causaram ou contribuíram para algumas extinções em massa, alterando a atmosfera do nosso planeta e causando mudanças climáticas.

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