Tarso Genro defende voto em senadores de esquerda no Rio

Um dos articuladores de encontros que resultaram no recém-divulgado manifesto "Dois votos pela Democracia: Chico Alencar e Lindbergh Farias no Senado!", o ex-ministro e ex-governador Tarso Genro acredita que a mobilização fluminense "vai ajudar o Brasil a livrar-se do golpismo"; em entrevista ao 247, ele fala da importância do movimento; confira a íntegra

Tarso Genro defende voto em senadores de esquerda no Rio
Tarso Genro defende voto em senadores de esquerda no Rio (Foto: Pedro Revillion - Palácio Piratini)

Rio Grande do Sul 247 - O recém-divulgado manifesto "Dois votos pela Democracia: Chico Alencar e Lindbergh Farias no Senado!", que defende o voto "dobradinha" nos dois candidatos de esquerda que estão empatados na disputa pelo Senado no Rio de Janeiro, surgiu de discussões, debates e reuniões que começaram antes mesmo do processo de impeachment contra a presidente eleita legitimamente e deposta, Dilma Rousseff.

Um dos articuladores destes encontros, Tarso Genro acredita que a mobilização fluminense "vai ajudar o Brasil a livrar-se do golpismo". Nesta entrevista exclusiva, direto de Porto Alegre, o ex-ministro de Lula e ex-governador do Rio Grande do Sul fala da importância do movimento.

O manifesto em favor da eleição de Chico Alencar e Lindbergh Farias, ao que parece, é a expressão mais efetiva do movimento suprapartidário de esquerda no Brasil. A gente teve a divulgação de programas comuns, elaboradas pelas fundações dos partidos (PT, PCdoB, PSOL, PDT e PSB), mas na eleição é o caso mais emblemático. Como surgiu a ideia?

Este manifesto é produto de um circuito de debates, formais e informais, ocorridos no Rio de Janeiro, que envolveu quadros políticos de diversos partidos do campo da esquerda, intelectuais, artistas, acadêmicos, juristas e lideranças de movimentos sociais e profissionais liberais, que começou com meia dúzia de pessoas e foi se ampliando até que conseguiu irradiar-se para um vasto campo de pessoas e grupos políticos que decidiram intervir unidos, diretamente no processo eleitoral que vai renovar o Senado Federal.

O que o movimento pode representar no futuro próximo, além da eleição de Chico Alencar e Lindbergh?

A opção por estes dois candidatos ao Senado delimita um campo político amplo e, ao mesmo tempo, sinaliza para a maioria dos que o assinaram, a necessidade de uma nova frente política que, no futuro, poderá devolver ao Rio de Janeiro a sua tradição democrática e libertária, que fez a sua história em outras épocas. Renovar a política no Rio, com uma perspectiva de esquerda, é ajudar um pouco o Brasil livrar-se do golpismo, do processo de destruição das funções públicas do Estado e do oligarquismo conservador, que hoje governa aquele Estado, um dos mais importantes da Federação. É um bom exemplo, na minha opinião, para o Rio Grande.

Podemos pensar em movimentos semelhantes sendo reproduzidos nos demais estados, por exemplo?

Veja que a lista envolve quadros políticos e intelectuais de diversos países e de diversas formações políticas nacionais, quadros sem partido e personalidades de diversas áreas culturais e acadêmicas, mostrando uma unidade que era difícil de prosperar - até há pouco - em eleições majoritárias naquele Estado. O espectro político que o manifesto envolve - respeitadas as diferenças entre os seus signatários - mostra que a política, no Brasil, não precisa, na verdade, ficar determinada por sistemas de alianças fechados em relações regionalistas nem em interesses corporativos, mas pode fundar-se em princípios e em ideologia, sem que ela perca os seus importantes nexos partidários.

O que motivou o senhor a participar deste processo na eleição no Rio de Janeiro?

Participo deste movimento no Rio desde o começo, sem ter me mudado para o Rio, como chegou a ser anunciado pelas imprensas carioca e gaúcha, passando alguns dias por lá, de dois em dois meses. E tenho feito isso também aqui no Rio Grande, obedecidas as nossas peculiaridades locais. Há um desejo "surdo", na base dos partidos de esquerda e centro-esquerda em todo o país, de gerar uma nova unidade no campo popular, que possa ao mesmo tempo que nos permitir disputar eleições em melhores condições para obter vitórias, também nos permita ter coerência programática, tanto na questão democrática, como nas questões de natureza econômica. Os golpistas que estão aí, aplicando as receitas neoliberais e que são beneficiários do golpe, ontem eram nossos aliados. Uma aliança como essa que se construiu no Rio, para o Senado - transposta para eleger um Executivo, mesmo que ela seja mais ampliada - não permitiria este absurdo que vivemos hoje.

É o começo de uma atuação ampliada dos partidos de esquerda?

Não sabemos bem a importância que poderá ter este manifesto para o futuro, mas temos a certeza de que ele é uma semente política que poderá ir, paulatinamente, gerando uma cultura de unidade política que dê estabilidade constitucional ao país e, ao mesmo tempo, promova uma governabilidade não fisiológica, centrada na realização de reformas que induzam a mais igualdade social e democratizem as grandes decisões públicas.

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