‘Te mandei tudo que é sobre a gente’, diz Andrea a Aécio sobre delação da Odebrecht

Grampo da Polícia Federal revela conversas entre Aécio e Andrea Neves sobre as delações envolvendo o senador tucano; Aécio é investigado por cinco inquéritos da Procuradoria-Geral da República  sobre corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro

andrea neves 
aecio neves
andrea neves  aecio neves (Foto: Charles Nisz)

Minas 247 - Grampo da Polícia Federal na Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato, capturou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) conversando com a irmã Andrea Neves sobre a delação da Odebrecht. No áudio, Andrea avisa ao irmão que vai mandar a ele o que havia sido divulgado sobre a operação.

Andrea foi grampeada por suposto envolvimento na negociação para entrega de R$ 2 milhões de Joesley Batista, executivo da JBS, a Aécio. Foi dela o primeiro contato com o empresário e o dinheiro foi recebido por Frederico Pacheco, primo de Aécio.


Confira o diálogo entre os irmãos Neves:

 Aécio: “Você não tá, né?”
Andrea: “Eu reparei, querido, reparei. Deixa eu te contar uma coisa. Acabei de te mandar tudo que é sobre a gente.”
Aécio: “É bom ou é ruim?”
Andrea: “Olha só”
Aécio: “Já saiu?”
Andrea: “Saiu, o (inaudível) me mandou de algum jornal. Então, olha só uma coisa é Cidade Administrativa, o resto, aí depois, o resto é eleição Dimas Fabiano que é por causa daquele negócio daquela fala do negócio.”
Aécio: “Ahn.”
Andrea: “É caixa 2010 ou 2014, 2010, tenho até que ver direito, te mandei. Vou ler aqui direito o que que é, entendeu?”
Aécio: “Vem cá, não fala nada desse assunto de Nova York?”
Andrea: “Nada, porque eu mandei essa mensagem há 15 minutos atrás. Se não tem meu nome, eu tinha que ser um, concorda? Se tivesse lá.”
Aécio: “É claro.”
Andrea: “Que nem Osvaldo é, que nem Paulo é.”
Aécio: “A não ser que tivessem mandado lá para baixo, o que seria um absurdo, porque…”

Aécio é investigado por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Delatores contaram ter pago R$ 5,4 milhões em “vantagens indevidas” para a campanha de Antônio Anastasia ao governo de Minas em em 2010 e propina para Aécio em 2009. Já em 2014, a pedido de Aécio, contas de campanha de Aécio, Anastasia, Dimas Toledo (PP-MG) e de Pimenta da Veiga, candidato derrotado ao governo do Estado, foram pagas com dinheiro de caixa 2.

Esses são três dos cinco pedidos de inquérito envolvendo o nome de Aécio Neves. Em 2007, recém-empossado para o segundo mandato como governador, o tucano organizou um esquema para fraudar licitações por meio de cartel de empresas. O último deles se refere a propinas nas obras das usinas do Rio Madeira, Santo Antônio e Jirau.  

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