Técnicos brasileiros sofrem para trabalhar na Europa

Dos 16 técnicos na fase mata-mata da Liga dos Campeões, três são sul-americanos, mas nenhum é do Brasil; "Os últimos dois, Felipão e Vanderlei, eram considerados de primeira linha aqui no Brasil, mas não funcionaram", disse Paulo Autuori, bicampeão da Copa Libertadores, com Cruzeiro e São Paulo

Dos 16 técnicos na fase mata-mata da Liga dos Campeões, três são sul-americanos, mas nenhum é do Brasil; "Os últimos dois, Felipão e Vanderlei, eram considerados de primeira linha aqui no Brasil, mas não funcionaram", disse Paulo Autuori, bicampeão da Copa Libertadores, com Cruzeiro e São Paulo
Dos 16 técnicos na fase mata-mata da Liga dos Campeões, três são sul-americanos, mas nenhum é do Brasil; "Os últimos dois, Felipão e Vanderlei, eram considerados de primeira linha aqui no Brasil, mas não funcionaram", disse Paulo Autuori, bicampeão da Copa Libertadores, com Cruzeiro e São Paulo (Foto: Gisele Federicce)
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Por Andrew Downie

SÃO PAULO, (Reuters) - Jogadores brasileiros estão sempre em posições importantes em qualquer partida grande em Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, mas esse sucesso ainda não foi provado pelos treinadores do país, que ainda não conseguiram fazer sucesso na Europa.

Dos 16 técnicos na fase mata-mata da Liga dos Campeões, três são sul-americanos, mas nenhum é do Brasil.

Enquanto vários sul-americanos foram aprovados em times europeus, apenas dois brasileiros assumiram os principais clubes do continente recentemente. Vanderlei Luxemburgo durou 11 meses no Real Madrid, em 2005, e Luiz Felipe Scolari foi demitido depois de oito meses no Chelsea, em 2008.

Há um excesso de razões por trás da falta de sucesso brasileiro nos bancos de reservas europeus, inclusive a barreira da linguagem, uma cultura doméstica, que é emocional e hierárquica, um mercado que oferece salários altos para os treinadores e um ritmo exagerado de contratação e demissão, que torna difícil um treinador desenvolver suas habilidades.

"Técnicos brasileiros nunca foram realmente convidados para trabalharem na Europa", disse Paulo Autuori, bicampeão da Copa Libertadores, com Cruzeiro e São Paulo, à Reuters.

"Os últimos dois, Felipão e Vanderlei, eram considerados de primeira linha aqui no Brasil, mas não funcionaram."

"As pessoas sempre dizem que os técnicos brasileiros não são bons o bastante, que os jogadores do Brasil que são os melhores do mundo, não os técnicos."

Outro problema é a qualificação formal. No Brasil, treinadores não precisam de treinamento e poucos vão para a Europa conseguir os diplomas que são exigidos em todos os clubes que têm ambição.

A Associação Brasileira de Treinadores de Futebol recentemente reformulou os seus cursos de treinadores. Introduziu quatro níveis de qualificação para ajudar os técnicos locais no mercado europeu, disse Fernando Pires, um dos diretores da associação.

Eles já têm cursos de níveis 1 e 2, e vão realizar um nível 3 no final do ano, e um nível 4 em 2015, quando tiveram um número suficiente de candidatos qualificados.

"Precisamos ajudar nosso treinadores a serem mais bem preparados para os trabalhos na Europa", disse Pires, ex-jogador no Brasil e em Portugal.

DERROTAS VERGONHOSAS

Pires apontou derrotas vergonhosas em nível internacional. Dois dos últimos três campeões da Libertadores foram humilhados quando foram jogar o Mundial de Clubes. O Santos foi goleado por 4 x 0 pelo Barcelona, em 2011, e o Atlético Mineiro não chegou sequer à final contra o Bayer de Munique, no último mês de dezembro, porque perdeu do Raja Casablanca, por 3 x 1.

"Não é coincidência", acrescentou Autuori. "Se você olhar para esses jogos, os oponentes foram melhores. No passado, quando o Brasil tinha muitos ótimos jogadores, nós conseguíamos deixar os outros times perplexos e desequilibrá-los."

"Nós éramos imprevisíveis e isso não acontece muito mais."

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