Tijolaço: negócios de Doria são mutreta?

O prefeito de São Paulo, João Doria, se vangloria de viajar em seu jatinho e não onerar as contas públicas quando viaja pelo país; mas Viajandoria precisa explicar se o jatinho é dele ou da empresa do filho; se a segunda opção é verdadeira, Doria precisa esclarecer se os impostos da transferência do avião para a empresa do filho foram pagos ou foram sonegados, questiona o jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaço

O prefeito de São Paulo, João Doria, se vangloria de viajar em seu jatinho e não onerar as contas públicas quando viaja pelo país; mas Viajandoria precisa explicar se o jatinho é dele ou da empresa do filho; se a segunda opção é verdadeira, Doria precisa esclarecer se os impostos da transferência do avião para a empresa do filho foram pagos ou foram sonegados, questiona o jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaço
O prefeito de São Paulo, João Doria, se vangloria de viajar em seu jatinho e não onerar as contas públicas quando viaja pelo país; mas Viajandoria precisa explicar se o jatinho é dele ou da empresa do filho; se a segunda opção é verdadeira, Doria precisa esclarecer se os impostos da transferência do avião para a empresa do filho foram pagos ou foram sonegados, questiona o jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaço (Foto: Charles Nisz)
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Fernando Brito, no Tijolaço - O prefeito de São Paulo, João Doria Júnior, ocupa a homepage do Estadão se vangloriando de estar viajando com o ” meu dinheiro que é meu, no meu avião” e que não usa dinheiro público”para fazer isso”.

Alto lá, prefeito.

O avião, um jato Legacy 650, prefixo PR-JDJ, tecnicamente, não é mais seu. É da empresa que, desde março deste ano, pertence a (ou é dirigida por)  seu filho, João Doria Neto, aquele rapaz que saiu na Veja SP, outro dia, com a festança  com centenas de convidados e uma fonte de catuaba (que original!) jorrando em meio ao salão, para comemorar seus 23 anos.

A aeronave, financiada pelo Bradesco, pertence à Doria Administração de Eventos, a qual o prefeito transferiu para a CFJ Participações SA, representada por seu filho, aberta no finalzinho de 2016 (depois da eleição do pai) com um capital de R$ 9 mil, apenas. Em março, quando ela assumiu a sua “companhia aérea”, foi feita uma elevação do capital, de uma só tacada, para R$ 50,5 milhões, segundo os documentos da Junta Comercial.

Então, se de fato o senhor se retirou  da empresa, como diz, nem o jatinho PR-JDJ nem o helicóptero Bell de duas turbinas PP-JDJ (classe média alta rica e ostentadora compra placa do carro com as iniciais, e quando fica ricaça faz isso com o prefixo do jatinho) pertencem à empresa de seu filho e ela o empresta para seu uso.

Minha filha tem seu carro (comprado por ela, claro) e o carro dela não “é meu”.

Só existe um possibilidade de o avião ser “seu”. É que a CFJ é uma sociedade anônima e não precisa declarar o nome de todos os detentores de suas ações, que poderiam ser suas. Mas aí a fraude seria no “me afastei da empresa”.

Como prefiro acreditar que o senhor a transferiu, a pergunta é se – sendo seu filho maior – como se transferiu essa bolada para ele, em princípio sem fonte de renda para ter isso? Mesmo doada, tem imposto a pagar. Foi pago ou ficou esquecido como aquele IPTU da mansão?

Sabe como é, as palavras traem a mentira, a verdade funciona como um ímã…

Seus defensores dizem que o dinheiro é seu e o senhor faz com ele o que quiser. Certo. Desde que diga a verdade e pague os impostos sobre ele.

Agora, “seu” Dória, se o avião fosse “do Lulinha”, que as trupes de detratores da internet diziam ter um jatinho, como seria? O jatinho é apenas convicção, mas não vem ao caso, não é?

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