Tom Cardoso reproduz abordagem da Rota no Jd. Ângela e no Jd. Europa

Depois da entrevista do novo comandante da Rota, tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, em que ele diz que a abordagem dos PMs tem que ser diferente na região nobre da capital paulista e na periferia, o jornalista Tom Cardoso reproduz, com humor, como seria uma abordagem no Jardim Ângela, bairro pobre da zona sul da cidade, e no Jardim Europa, um dos mais ricos

Depois da entrevista do novo comandante da Rota, tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, em que ele diz que a abordagem dos PMs tem que ser diferente na região nobre da capital paulista e na periferia, o jornalista Tom Cardoso reproduz, com humor, como seria uma abordagem no Jardim Ângela, bairro pobre da zona sul da cidade, e no Jardim Europa, um dos mais ricos
Depois da entrevista do novo comandante da Rota, tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, em que ele diz que a abordagem dos PMs tem que ser diferente na região nobre da capital paulista e na periferia, o jornalista Tom Cardoso reproduz, com humor, como seria uma abordagem no Jardim Ângela, bairro pobre da zona sul da cidade, e no Jardim Europa, um dos mais ricos (Foto: Gisele Federicce)

por Tom Cardoso, em seu Facebook:

Abordagem da Rota no Jardim Ângela:

- Ei, mão na cabeça!
- Sim senhor!
- Tira o boné, vagabundo!
- Sim senhor.
- É seu esse celular?
- Sim!
- Prove.
- Ligue para qualquer pessoa da minha agenda.
- Você acha que eu tenho tempo pra isso, vagabundo?
- Não senhor!
- Que conversa é essa no seu whatssap?
- Com a minha mina.
- Cheio de graça, hein. Ela é branca? É sua mina mesmo, neguinho?
- Sim senhor.
- Tem passagem?
- Não senhor!
- Vamos ver se o IP do aparelho tá batendo. Cadê a nota fiscal?
- Tá aqui.
- Você trabalha?
- Sim. Sou boy.
- Cadê a carteira de trabalho, vagabundo?
- Tá aqui.
- Esse tênis é teu?
- Sim.
- É seu mesmo esse nike ou você roubou?
- Eu comprei.
- Cadê a nota fiscal?
- Tá aqui.
- 220 reais? Tá metido hein neguinho! Pra onde você tá indo?
- Pra casa da minha mina.
- Não vai mais. Deixa a branquinha lá. Volta pra casa, vagabundo, pega o outro lado.
- Sim senhor.
- Segue aí neguinho. E se olhar pra trás leva bala.

Abordagem da Rota no Jardim Europa.

- Boa noite, jovem.
- Boa noite.
- O senhor estava acima da velocidade.
- Me desculpe aí seu guarda.
- O senhor pode me passar, por favor, a carteira de motorista?
- Deixei em casa. Desculpe ai o vacilo seu guarda.
- Documento do carro, por favor.
- Iiiiii, ficou com o meu pai. Posso ligar pra ele?
- Não é necessário. O senhor está vindo de onde?
- De um happy no Itaim.
- Vou fazer uma pergunta que talvez lhe cause constrangimento.
- Pode perguntar seu guarda.
- O senhor por acaso ingeriu alguma bebida alcoólica?
- Vou confessar, seu guarda: tomei três doses.
- Do que?
- De uísque com red bull. Mas tô legal. O senhor quer que eu desça para fazer o quatro?
- Com esse frio? Não precisa. Mas talvez seja preciso fazer o bafômetro, senhor. Mas o senhor pode ficar aí dentro.
- Ah, seu guarda. Quebra essa. Tem luta do McGregor daqui a pouco.
- Tudo bem, garoto. Mas se cuida, hein.
- Pode deixar seu guarda.
- Ah, e mais uma coisa.
- Sim?
- Cuidado na hora de parar no sinal. Tá cheio de vagabundo por aí.
- Pode deixar.
- Vai com Deus, garoto.
- Amém.

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