Três rios gaúchos estão entre os 10 mais poluídos do Brasil

Três dos rios mais poluídos do Brasil estão na Região Metropolitana de Porto Alegre e são responsáveis pelo abastecimento de cerca de 1,5 milhão de pessoas: Sinos, Gravataí e Caí; a informação surpreende, mas não é novidade para os pesquisadores da Fundação de Economia e Estatística (FEE), que lançou o 9ª edição do Panorama Internacional FEE com o tema “Agenda global das mudanças climáticas: realidades e utopias”; o Rio Grande do Sul coleta apenas 31,2% do esgoto gerado e trata menos de 13%

28/09/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Coletiva na FEE sobre o fato Estado abrigar três dos 10 rios mais poluídos do Brasil: Sinos, Gravataí e Caí, todos localizados na Região Metropolitana de Porto Alegre. Foto: Maia Rubim/Sul21
28/09/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Coletiva na FEE sobre o fato Estado abrigar três dos 10 rios mais poluídos do Brasil: Sinos, Gravataí e Caí, todos localizados na Região Metropolitana de Porto Alegre. Foto: Maia Rubim/Sul21 (Foto: Leonardo Lucena)

Lucas Rohan, Sul 21 - Três dos rios mais poluídos do Brasil estão na Região Metropolitana de Porto Alegre e são responsáveis pelo abastecimento de cerca de 1,5 milhão de pessoas: Sinos, Gravataí e Caí. A informação surpreende, mas não é novidade para os pesquisadores da Fundação de Economia e Estatística (FEE), que lançou nesta quinta-feira o 9ª edição do Panorama Internacional FEE com o tema “Agenda global das mudanças climáticas: realidades e utopias”.

Além de ter alguns dos rios mais sujos do País, o Rio Grande do Sul ainda patina na questão do tratamento do esgoto cloacal. O Estado coleta apenas 31,2% do esgoto gerado e trata menos de 13%, além do impacto do uso de agrotóxicos nas lavouras ser devastador para a manutenção dos solos, dos mananciais de água e para todo o ecossistema. Os dados fazem parte do artigo “O Brasil e o Rio Grande do Sul diante do desafio global da gestão dos recursos hídricos”, da pesquisadora Mariana Lisboa Pessoa.

“A legislação existe (Lei N.° 9.433/1997), a Polícia Nacional de Recursos Hídricos existe há 20 anos. Falta implementar essa política. E isso não acontece por várias razões, entre elas a falta de vontade política dos governantes”, explica Mariana. “As bacias hidrográficas extrapolam os limites demográficos dos municípios e isso requer que haja parceria entre diferentes governos. Há um pensamento de políticas públicas para quatro anos, o tempo que dura um mandato, e não há fiscalização. Por último, as obras de saneamento não dão votos porque ficam em áreas afastadas e não são visíveis, por isso não são priorizadas”, complementa.

Apesar de apontar a ineficácia do poder público, a pesquisadora não acredita que Parcerias Público-Privadas (PPP) possam solucionar o problema. “Não é uma questão ideológica, as empresas privadas têm interesses econômicos que provavelmente vão sobrepor o interesse da sociedade e do meio ambiente. Além disso, a falta de fiscalização dessas empresas pode ser outro problema”, explica Mariana.

O lançamento do Panorama Internacional FEE, publicação na qual o artigo de Mariana se encontra disponível, contou com uma explanação dos pesquisadores Robson Valdez e Tarson Núñez, que discorreram sobre a agenda global das mudanças climáticas. Valdez afirmou que tem se verificado um aumento das críticas por parte dos países ricos, num cenário no qual China e Índia são protagonistas nas ações que visam diminuir os efeitos da emissão de gases que provocam o efeito estufa.

“O governo tem feito movimentos contraditórios ao discurso apresentado recentemente na ONU”, criticou Robson Valdez, citando a recente polêmica instaurada após Michel Temer editar um decreto para abrir a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca) para a exploração das mineradoras e, dias depois, afirmar na abertura da Assembleia das Nações Unidas que tem “concentrado esforço e recursos” para preservar a Floresta Amazônica.

O abrupto rompimento do Acordo de Paris pelo presidente norte-americano Donald Trump foi o tema central da fala do pesquisador Tarson Núñez, para quem a ação é “muito mais retórica de Twitter”. “É possível que esse rompimento tenha pouco efeito prático”, argumentou, citando o alto nível de autonomia política dos governos locais nos Estados Unidos, onde há resistência em relação à agenda do presidente. Muitos governantes locais republicanos e democratas se manifestaram contra a posição do presidente afirmando que “Trump saiu do acordo de Paris, mas os Estados Unidos não”.

Agenda

Os debates gerados pela publicação continuarão na FEE na próxima quarta-feira, dia 4 de outubro. Mariana Lisboa Pessoa e o professor do Instituto de Geociências da UFRGS Francisco Eliseu Aquino participarão de uma palestra conjunta com mediação do pesquisador Ricardo Leães. O evento será realizado na sede da FEE, na rua Duque de Caxias, 1691, a partir das 14h30.

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