Virtudes do chocolate. Ele estimula a nossa capacidade intelectual

Um estudo americano mostrou uma melhoria da capacidade intelectual, em pessoas idosas que consumiram chocolate quente. Resultados interessantes também para a pesquisa sobre a doença de Alzheimer.

Virtudes do chocolate. Ele estimula a nossa capacidade intelectual
Virtudes do chocolate. Ele estimula a nossa capacidade intelectual



 

Por Jonathan Herchkovitch – Le Figaro

 

Mais uma vez, e para a grande satisfação de muita gente apaixonada por chocolate,  o cacau revelou suas qualidades . Já sabíamos que ele é bom para a pele, que ajuda a queimar gorduras e que tem efeitos antitussígenos e vasodilatadores. Um estudo recente da equipe do Dr. Farzaneh Sorond, da escola de medicina de Harvard, publicado na revista Neurology , acrescenta que o cacau também pode compensar uma ligeira queda das capacidades cognitivas em pessoas idosas.

«Enquanto o cérebro representa aproximadamente 2% do peso total, ele consome mais de 20% do oxigênio e da energia do corpo humano», relembra o Dr. Paul Rosenberg, especialista da doença de Alzheimer na escola de medicina Johns Hopkins em Baltimore, em um comentário que acompanha a publicação do estudo. Quando utilisamos nosso cérebro, nossos neurônios precisam de energia para funcionar. Para atender essa demanda, o fluxo sanguíneo aumenta no cérebro para trazer a glicose. «Esta relação, denominada acoplamento neurovascular, é suscetível de desempenhar um papel importante em doenças como a de Alzheimer», salienta o  Dr. Sorond.

Pesquisas promissoras

O estudo foi conduzido por uma dupla perspectiva: observar a relação entre o acoplamento neurovascular e as funções cognitivas e o efeito do cacau sobre estas últimas. Duas xícaras de chocolate quente por dia, durante um mês: eis o protocolo draconiano que tiveram que respeitar os sessenta indivíduos da experiência, todos com cerca de 73 anos de idade e não apresentando nenhum sinal de demência. Exames Doppler foram realizados para observar o fluxo sanguíneo na artéria cerebral média dos indivíduos, quando eles foram submetidos a testes cognitivos simples. O resultado é bastante conclusivo: em pessoas apresentando uma alteração do acoplamento neurovascular durante testes no dia 1, a terapia com chocolate quente permitiu uma melhoria de 8,3%. Por outro lado, nenhuma mudança significativa foi observada em indivíduos sem esta alteração.

«Apesar da necessidade de aprofundar os trabalhos para provar definitivamente o nexo de causalidade entre o consumo de cacau, as patologias vasculares e o declínio cognitivo, este estudo é um primeiro passo notável », acrescenta o Dr. Rosenberg. Bruno Cauli, um neurobiólogo no CNRS, avalia por sua vez que «os resultados são interessantes, mas eles permanecem preliminares. A equipe se concentrou na artéria cerebral média, de grande calibre, enquanto o acoplamento neurovascular se refere mais às pequenas arteríolas que mergulham no cérebro. Ainda assim ficamos um pouco insatisfeitos».

Os efeitos controversos dos flavonóides

A pesquisa sobre os benefícios do cacau está particularmente interessada nos efeitos dos flavonóides, aos quais inúmeros efeitos positivos são atribuídos. Experiências anteriores já tinham mostrado uma ligaçao entre estes componentes e o fluxo sanguíneo no cérebro. Para seu estudo, a equipe do Dr. Sorond separou dois grupos, de acordo com o teor em flavonóides do cacau consumido. Para a surpresa dos cientistas, os resultados foram equivalentes. «As respostas anteriores que observamos com o cacau rico em flavonóides, talvez não fossem devidas aos flavonóides, mas a outros componentes do cacau. Também é concebível que a regulação seja tão sensível, que o fraco teor das bebidas achocolatadas pobres em flavonoides seja suficiente para melhorar o acoplamento neurovascular », ela explica. As futuras pesquisas do Dr. Sorond focarão na identificação e nos testes deste componente.

Os estudos sobre o chocolate não têm o propósito exclusivo de provar seus benefícios. Não há necessidade destas pesquisas para consumirmos chocolate. Mas, no futuro, elas poderiam conduzir a medicamentos preventivos ou tratamentos para a doença de Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas. A pesquisa sobre o acoplamento neurovascular é uma pista promissora. Enquanto isso, nada impede beliscar um quadradinho – ou dois – apenas pelo prazer.

 

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