Vitiligo. Uma esperança para a repigmentação da pele

Uma equipe de pesquisadores franceses conseguiu fabricar no laboratório células que produzem melanina, que colore a pele e a protege contra os raios UV.

Vitiligo. Uma esperança para a repigmentação da pele
Vitiligo. Uma esperança para a repigmentação da pele (Foto: Daniel Ochoa de Olza)
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Por Pauline Fréour – Le Figaro 

A despigmentação da pele não é apenas questão de estética, ela também pode ser perigosa porque é o sinal de uma maior sensibilidade aos raios ultravioletas. Daí o interesse promovido pelos trabalhos de uma equipe de pesquisadores franceses, que conseguiram produzir in vitro melanócitos a partir de células-tronco embrionárias. Estas células da epiderme têm a função de produzir a melanina, um pigmento que dá cor à pele (e permite, portanto, bronzear) protegendo-a contra os raios UV.

Atualmente, as doenças que induzem uma despigmentação, como o vitiligo que afeta 1% da população mundial, são tratadas pelo auto-enxerto: o médico coleta células sadias em áreas não afetadas do paciente e as reimplanta onde a pele está descolorida. Mas estes melanócitos reimplantados têm apenas uma vida útil curta, inferior a um ano. E, para os albinos, a técnica do auto-enxerto não é viável.

Mais fáceis de serem produzidas

É neste ponto que os melanócitos obtidos pela equipe de Christine Baldeschi no Instituto I-Stem (Inserm/AFM) têm uma vantagem. Produzidos por diferenciação (especialização) de células-tronco embrionárias humanas ou de células previamente obtidas por manipulação genética, eles têm uma vida útil mais longa (embora ainda indeterminada) e podem ser produzidos rapidamente e em grandes quantidades no laboratório.

Estes trabalhos, recentemente publicados nos Anais da Academia Americana de Ciências devem, no entanto, ainda ser validados por inúmeros testes em animais antes de serem testados em seres humanos, disse Xavier Nissan, pesquisador no I-Stem. «Os testes clínicos para remediar a despigmentação em seres humanos não deverão existir antes de 5 a 10 anos», ele avalia.

O objetivo, a longo prazo, seria criar um banco de células disponíveis para os médicos, prossegue o pesquisador. Quando um paciente os consultassem, eles poderiam obter rapidamente as células necessárias ao enxerto em seus pacientes.

Esta técnica também pode interessar às pessoas que foram submetidas a um enxerto de pele, tais como as que sofreram queimaduras graves, pois estes enxertos estão atualmente desprovidos de melanócitos. Os pacientes são obrigados a se proteger continuamente contra os raios UV.

 

 

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