Wagner: greve pôs “democracia de quatro”

Em balano sobre movimento da Polcia Militar, o governador da Bahia, Jaques Wagner, criticou a associao grevista e a PEC 300, disse no planejar mexer no comando da PM e prometeu um efetivo de 23 mil agentes no Carnaval do Estado

Wagner: greve pôs “democracia de quatro”
Wagner: greve pôs “democracia de quatro” (Foto: Karol Azevedo/Bahia 247)

Por Victor Longo_Bahia 247 - O governador da Bahia, Jaques Wagner, fez na manhã desta segunda-feira (13) um balanço da greve de 12 dias da Polícia Militar, que deixou mais de 180 mortos e trouxe prejuízos à economia do Estado. Em entrevista coletiva no Centro Administrativo da Bahia (CAB), na sede da Governadoria, Wagner prometeu "continuar os esforços no aumento de pessoal da Polícia Militar e da Polícia Civil" e buscou vincular a postura do governo do Rio de Janeiro diante da greve naquele Estado às investigações realizadas na Bahia. "O principal líder de lá (Benevenuto Daciolo) desembarcou no Galeão e foi preso graças à investigação que foi feita aqui", gabou-se. Minutos depois, no entanto, o secretário de Segurança Pública do Estado, Maurício Barbosa, revelou que a inteligência do Rio de Janeiro participou das investigações.

Na ocasião, Wagner anunciou que o policiamento será realizado normalmente no Carnaval, mas não informou se houve aumento de efetivo em relação ao ano anterior. De acordo com a comunicação do governo, serão 23 mil homens e mulheres, entre policiais militares, civis e integrantes do Departamento de Polícia Técnica trabalhando ao longo dos circuitos em Salvador e nos 20 municípios que realizarão a festa. Além disso, serão instalados 158 postos da PM, 15 integrados e 29 do Corpo de Bombeiros. No total, foram investidos R$ 56,2 milhões no carnaval do Estado, sendo R$ 26,2 milhões em segurança, também segundo dados oficiais.

O governador ainda negou que as demandas da Polícia Militar fossem "reivindicações antigas". "Quando essas demandas foram postas na mesa de negociação?", questionou, sem negar, no entanto, que o governo havia sido procurado por lideranças da PM para falar sobre questões salariais.

Anistia

O chefe do Executivo estadual ainda reafirmou a posição de não dar anistia aos grevistas envolvidos com crimes cometidos ao longo dos 12 dias de manifestação. "Anistia eu já disse que não vou dar: as apurações vão ser feitas e as prisões estão a cargo da Justiça", disse.

Wagner ainda negou os boatos de que uma troca de comando estaria sendo preparada na Polícia Militar. "Quando o coronel [Alfredo] Castro assumiu, ele chegou com o objetivo de oxigenar a corporação; não há perspectiva de troca de comando, essas informações devem ter sido divulgadas por alguém que não gosta dele", cogitou.

O governador não poupou críticas à greve e à Aspra, associação que liderou o movimento. "Uma coisa é reivindicar, outra coisa é implantar o terror, deixando a democracia de quatro perante armas", comentou. Ele ainda sinalizou ter informações de que a mesma associação, que foi capaz de chefiar uma greve de quase duas semanas com forte impacto em todo o Estado, não tem voz na Polícia Militar. "A Aspra é a associação que tem o menor número de filiados e, segundo informações que temos, não tem uma boa imagem dentro das tropas", afirmou.

PEC 300

Questionado sobre um possível apoio do governo à aprovação, no poder legislativo, do Projeto de Emenda à Constituição de número 300 (PEC 300), que busca igualar os salários dos policiais militares em todo o Brasil, Wagner criticou o projeto. "O Legislativo não pode votar projetos que gerem despesas ao executivo", afirmou. "Os deputados têm direito de apoiar a PEC, mas sempre pergunto: de onde sai o dinheiro para bancar isso aí?", questionou.

Wagner cogitou a criação de uma emenda, no estilo do que ocorre com a Saúde e com a Educação, que crie uma reserva orçamentária para a segurança. "Esse pode ser o caminho", sugeriu. "Eu não gosto da ideia, porque nenhum gestor gostaria de ter seu orçamento comprometido, mas pode ser uma opção". O governador ressaltou que a questão salarial não é a única. "Não é nos lugares onde se pagam os melhores salários que há melhor operação da Polícia Militar". O governador não quantificou os prejuízos que o Estado teve com a greve da Polícia, embora tenha dito que "gastou muito" para manter o policiamento.

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