Xixi na cama. Como acabar com isso

A enurese atinge 10% das crianças de 5 a 10 anos, mas existem armas eficazes: a modificação de alguns hábitos e terapia medicamentosa.

Xixi na cama. Como acabar com isso
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Por Pauline Fréour 

 

Quando uma criança faz xixi na cama regularmente, é toda a família que sofre: a criança que dorme mal e se sente humilhada, os pais acordados no meio da noite e que se perguntam o que está errado com seus filhos. Pesquisas mostraram que a enurese (o nome científico do xixi na cama) tende a sumir espontaneamente, com uma taxa de cura da ordem de 15 % ao ano. Mas isso não nos deve levar a «deixar fazer», pois um tratamento melhorará o conforto de todos e acelerará a saída da crise.

A enurese isolada, ou seja, aquela que não está ligada a outra doença, afeta 9% das crianças de 5 a 10 anos de idade, de acordo com um estudo Sofres-Médical. E 1% dos adultos experimentaria pelo menos um vazamento noturno por mês!

Temos tendência a pensar que estes acidentes são o resultado de um distúrbio psicológico –uma mudança, divórcio dos pais, perda de um membro da família … «Na realidade, este choque psicológico vai revelar somente uma disfunção pré-existente da bexiga, diz o Prof. Étienne Bérard, especialista dos distúrbios miccionais no Hospital Universitário de Nice. Devemos certamente tranquilizar as crianças sobre suas angústias, mas isso não é suficiente e é preciso explorar as causas fisiológicas, caso contrário, o problema vai voltar mais tarde, potencialmente, na idade adulta ».

 

 

 

Não ingerir bebidas à noite

A modificação de alguns hábitos diários já pode reduzir os «acidentes». Aliás, é por aí, que começam os especialistas durante as consultas. Seus conselhos são simples: a criança deve beber o suficiente para sua idade (45 a 60 ml/kg/dia), mas enfatizando a hidratação matinal (um terço do total do dia) e limitando ao máximo as bebidas após as 18 horas. É preciso ensiná-la a ir regularmente ao banheiro em cada intervalo, mesmo se não tiver vontade, para que se acostume a controlar sua bexiga. É melhor favorecer as águas pouco mineralizadas e evitar as bebidas açucaradas e o leite no fim do dia, pois aumentam a produção de urina «São pequenos gestos, mas que já podem fazer muita coisa » salienta o Dr. Christian Castagnola, vice-presidente da Associação Francesa de Urologia. É preciso zelar para que a criança não esteja constipada e que não esteja sofrendo de irritação na área genital.

Se apesar disso o xixi na cama persistir, é recomendado entrar em contato com um pediatra ou urologista especialista no assunto. Além de um lembrete das regras acima citadas, o médico irá realizar um exame clínico para assegurar que a criança não esteja sofrendo de apneia do sono ou de problemas otorrinolaringológicos que dificultam sua respiração durante a noite por causa da retenção de dióxido de carbono induzida, que provoca um excesso de produção de urina.

Dois tipos de tratamento

O especialista poderá se basear em dois tipos de tratamentos, de acordo com o problema que ele perceber. A desmopressina, que se apresenta na forma de comprimidos a serem derretidos debaixo da língua, é um hormônio que reduz a produção de urina durante a noite. «O tratamento dura pelo menos 3 meses e as doses podem ser aumentadas. Em seguida, pausas regulares são feitas para ver se o problema persiste sem o medicamento », diz o Dr. Castagnola. Isto permite resolver o problema de enurese em 60 a 70% dos casos, indica a Associação francesa de urologia nas suas recomendações publicadas em 2010.

As crianças para as quais a desmopressina não é suficiente, podem ter uma bexiga muito pequena. É o caso de cerca de 30% das crianças que passam em consulta. A prescrição de oxibutinina favorecerá o enchimento da bexiga, reduzindo suas contrações.

Sensor de umidade

Outra opção, mecânica, se destina particularmente para crianças cujo sono é tão pesado que elas não acordem quando sua bexiga está vazia. Ela consiste em colocar um sensor de umidade na sua fralda /roupa de baixo, que soará um alarme nas primeiras gotas de urina, a fim de condicionar a criança. «Isso é amplamente utilizado em países anglo-saxões, e tem dado resultados interessantes », observa o Prof. Bérard. Na França, a desmopressina é preferida e ela tem autorização de comercialização para a enurese. «No que diz respeito ao alarme, é preciso alertar os pais que durante o primeiro mês, seu filho não vai acordar ao som do alarme enquanto eles sim irão acordar », salienta o Prof. Bérard.

Finalmente, recentemente, pesquisadores egípcios testaram a aplicação de um campo magnético na parte inferior das costas das crianças com enurese. A terapia consistiu em uma dezena de sessões de estimulação magnética indolores, distribuídas por 2 semanas. Dos 44 participantes, a metade recebeu o tratamento enquanto a equipe médica só fez os outros acreditarem que haviam recebido o tratamento. Um mês após a terapia, a enurese tinha desaparecido no grupo tratado, mas reapareceu no grupo do placebo. No entanto, os resultados desse estudo ainda devem ser confirmados por experiências em maior escala.

 

 

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