A conexão perdida entre o cristianismo de base e movimentos progressistas

No passado, movimentos como a Teologia da Libertação exerceram um papel crucial na formação de movimentos progressistas na América Latina

O Papa Francisco no Sínodo da Amazônia
O Papa Francisco no Sínodo da Amazônia (Foto: REUTERS/Remo Casilli)
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Leonardo Sobreira, 247 - O surgimento das Comunidades Eclesiais de Base se deu no final da década de 60, quando houve a tentativa de se aplicar os ensinamentos do Concílio Vaticano II às condições da América Latina. Na época, a brutalidade das ditaduras e a pobreza tornaram necessária a reconceituação do papel da Igreja Católica como uma instituição inserida neste processo histórico, que agora encarava um dilema: ou se aliava aos regimes ditatoriais ou adotava a “opção preferencial pelos pobres”, como colocado por Leonardo Boff.

Tal dilema não resultou em uma atitude coerente por parte da Igreja. De um lado, em 1970 se estabeleceram as denominações neopentecostais que enfatizam a “Teologia da Prosperidade”, como a Igreja Pentecostal Brasil, Deus é Amor e Igreja Universal do Reino de Deus. De outro, cresceram em menor expressão as Comunidades Eclesiais de Base, cujo principal papel é prestar amparo espiritual e material aos mais pobres.  

Ao longo dos anos, os evangélicos se fortaleceram a ponto de abertamente endossarem candidatos políticos. No entanto, existe um potencial que não pode ser esquecido de alinhamento entre o cristianismo de base e movimentos progressistas. 

Em julho, o ex-presidente Lula declarou em entrevista: “O PT não existiria do jeito que ele existe se não fossem as Comunidades Eclesiais de Base. Eu que viajei o Brasil inteiro para construir esse partido, eu sei o valor de um padre progressista". “As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) não entraram no PT, as CEBs fundaram as células do PT”, disse ele.

Atualmente, a condição vivida pela América Latina, que vê a pobreza aumentar, seus ecossistemas serem destruídos e a política tomar uma direção neofascista, clama por um novo cristianismo, que se entenda como um veículo que possa informar a direção do curso da história para um futuro mais justo e sustentável.

Como colocado por Leonardo Boff: “[A] Teologia da libertação nasceu ao escutar o grito dos pobres econômicos, das classes exploradas, das culturas humilhadas, dos negros discriminados, das mulheres oprimidas pela cultura patriarcal, dos LGBT e portadores de necessidades especiais. Todos gritam por libertação. Desta escuta nasceram as várias tendências da Teologia da libertação: a feminista, a indígena, a negra, a histórica entre outras. Em todas elas é sempre o respectivo oprimido, o sujeito e protagonista principal de sua correspondente libertação”.

Tanto o cristianismo de base como a política progressista dependem um do outro. É primordial que resgatemos o verdadeiro significado do cristianismo através da Teologia da Libertação para que o projeto progressista se fortaleça.

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