Elon Musk, ou o projeto falho de Tony Stark

Alimentados por uma fanbase geek, os projetos de Elon Musk ilustram não somente sua infantilidade, mas também, quando inseridos na economia global, um grande perigo: o da displicência na condução de negócios internacionais

Elon Musk
Elon Musk (Foto: Stephen Lam / Reuters)
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Leonardo Sobreira, 247 - Quando Jeanine Áñez assumiu a presidência da Bolívia em novembro de 2019, depondo Evo Morales, muitos se perguntavam sobre o exato interesse americano em apoiar o golpe dos Democratas bolivianos. Como apontado por diversos analistas, as abundantes reservas de lítio no Salar de Uyuni - onde estão mais de um quarto do montante mundial - representam um setor estratégico para as superpotências globais, e o triunfo de Áñez entrega-as de mão beijada aos americanos.

As evidências são abundantes. Desde cartas de Karen Longaric, atual chanceler boliviana, direcionadas diretamente a Musk, à crescente reestruturação de estatais, tudo indica mais um caso típico de interferência americana na América Latina. No entanto, o caso boliviano ilustra um aspecto que, para muitos, ainda estava oculto.

No último sábado (25), Elon Musk, multibilionário sul-africano-canadense-americano e CEO da Tesla e SpaceX, tuitou em resposta a uma acusação de que o governo americano estaria por trás do golpe na Bolívia: “[vamos] dar golpe em quem quisermos. Lidem com isso.”

Para os que duvidavam do fato de que os verdadeiros “movedores das peças” do xadrez geopolítico são realmente os bilionários e Wall Street, o tuíte de Musk escancara o poderio dessas forças sobre a política latino-americana.

No entanto, o mais trágico é que nossos vizinhos deixaram-se dominar por um personagem risível -  um verdadeiro palhaço. Musk, tido como inventor e visionário por muitos, é na verdade propulsionado por subsídios governamentais que já chegam a US$ 4,9 bilhões. Mas cômico mesmo é ele anunciar suas ‘vendas a descoberto’ no valor de US$ 69,420, seu empreendimento de lança-chamas para uso civil, seu projeto de colonizar marte e, finalmente, seu plano macabro de transmitir conteúdos virtuais ao cérebro humano através de implantes de microchips.

O ego de Musk é alimentado por sua fanbase insaciável. Geralmente reunida em fóruns no Reddit, onde seu sub acumula mais de 200.000 entusiastas, ou em podcasts como a de Joe Rogan, seus fãs costumam equiparar seu suposto gênio ao de figuras como o Cavaleiro das Trevas e Tony Stark. Musk, no entanto, não passa de um mero farsante, apresentador de ideias fantasiosas para uma base ingênua o bastante para acreditar nelas.

O culto a Musk o empolga. Ele age como um verdadeiro Tony Stark: fala em tom sombrio, se diz autodidata e expõe uma ironia barata em sua conta no Twitter. Por trás de cada tolice, existem milhares aplaudindo. Com o golpe na Bolívia não foi diferente.

No entanto, Musk é mais equiparável ao homem de lata, personagem fictício na Terra de Oz. Um dia, quem sabe, assim como o personagem, ele não venha a se arrepender de ter tomado sua forma semi-cibernética e de sua infantilidade.

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