Esquerda precisa de uma política internacionalista contra o imperialismo e o autoritarismo, diz professor

Os esquerdistas estadunidenses necessitam ter uma visão internacionalista que una universalmente e efetivamente as éticas anti-imperial e anti-autoritária

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Joe Biden e Vladimir Putin (Foto: Reuters)


Artigo de Aziz Rana* originalmente publicado no DISSENT Magazine, em 23/05/22. Traduzido e adaptado por Rubens Turkienicz com exclusividade para o Brasil 247

A esquerda internacional no coração do império

A ordem global internacional parece haver entrado naquilo que o teórico político George Shulman chamou de um “interregno”. O quadro pós- Segunda Guerra Mundial organizado em torno da liderança internacional dos EUA está se desemaranhando, porém o que virá a seguir não está claro. Como Shulman pontuou no ano passado, incorporando Gramsci, “os velhos deuses estão morrendo e os novos ainda estão por nascer.” Este desemaranhar, em grande medida, é um produto das falhas na tomada de decisões políticas dos EUA – sejam as guerras destrutivas no Oriente Médio, ou as práticas neoliberais que promoveram a instabilidade financeira junto com extremos de riqueza e miséria, ou as disfunções políticas internas que minaram qualquer estratégia coerente para lidar com uma pandemia global. Interregnos oferecem aberturas históricas; eles carregam o potencial para criar alternativas genuínas, tanto boas quanto más. Dado o grau ao qual os socialistas democráticos têm sido sistematicamente excluídos de exercer o poder político – especialmente a autoridade em política externa nos EUA – se poderia pensar que o desemaranhar da ordem pós-guerra poderia apresentar uma oportunidade política real. Ao fim e ao cabo, aquela exclusão de longa data do poder significa que não se pode culpabilizar a esquerda por nenhum dos erros estratégicos do establishment de segurança nacional bipartidário dos EUA.No entanto, não se trata de como a política dos EUA foi adiante no ano passado. Em lugar disso, desde os desenvolvimentos da retirada das tropas dos EUA do Afeganistão até a invasão russa na Ucrânia, colocaram as vozes sobre política externa da esquerda na defensiva. É imperativo se entender por que e trabalhar através das tensões dentro do mundo da política externa da esquerda socialista democrática. Atualmente, os futuros possíveis que se nos apresentam parecem surpreendentemente distópicos: ou definhamos numa velha e inutilizada Pax Americana, ou escorregamos para uma nova ordem multipolar ditada por autoritarismos capitalistas concorrentes. Sem uma alternativa forte e coerente de esquerda, será muito mais difícil encontrar um caminho global melhor do que estas opções.Na maior parte do espectro político [dos EUA], os tomadores de decisões políticas e os comentaristas abraçam, na sua maioria, a bondade essencial do estado de segurança como este está constituído atualmente. A ideia de que o governo dos EUA é um agente histórico benevolente, com o potencial de estabelecer uma comunidade mundial pacífica e estável, é uma característica central da política externa do establishment – incluindo entre os liberais estadunidenses. Como esta visão o entende, quaisquer que sejam as falhas dentro da sociedade estadunidense – seja o racismo, o sexismo ou a desigualdade de classes – as instituições dos EUA, na sua raiz, são mais ou menos justas, e estamos organizados ao redor de princípios de liberdade e auto-governo. Portanto, o liberalismo estadunidense oferece uma visão clara do internacionalismo: os interesses de segurança [dos EUA] operados pelos tomadores de decisões políticas bipartidárias [republicanos e democratas] coincidem com os interesses do mundo.

Tudo isso justifica um presumível excepcionalismo político sobre como os EUA operam no palco mundial. Hoje em dia, a maioria dos liberais hesitariam em assumir uma narrativa forte de tal excepcionalismo – aquele argumento cultural de Reagan sobre a grandeza singular do país. Desconsiderando isso, eles em geral concordariam que, num mundo de Estados-Nações co-iguais no qual ninguém tem a capacidade real de fazer valer arranjos existentes, muitas vezes cabe aos EUA servir como o último batente da segurança global. Sendo assim, é aceitável que o Estado intervenha dentro e fora das restrições legais estabelecidas se, ao fazê-lo, ele ajuda a assegurar que o sistema funcione e sobreviva. Os internacionalistas liberais americanos reconhecem que os Estados Unidos às vezes se enganam, mesmo desastrosamente, como no Vietnã ou na Segunda Guerra do Iraque - mas esses episódios são tratados como loucuras particulares de um projeto de segurança moral e legítimo.

Em resposta a isso, muitos socialistas democráticos oferecem uma crítica geral da primazia e fé dos EUA nos objetivos do estado de segurança nacional. Estes ativistas de esquerda questionam a estória rósea da ordem pós-guerra. Eles assinalam que as violações dos EUA da autodeterminação estrangeira eram a realidade abrangente da era da Guerra Fria. Este período envolveu o envolvimento direto, ou a cumplicidade, dos EUA em formas verdadeiramente assombrosas de violência de massa em amplas partes do mundo – incluindo inúmeros golpes de Estado, assassinatos políticos e intervenções militares de pequena escala. Ao invés de gerar uma comunidade estável e próspera de democracias liberais, o poder dos EUA frequentemente encorajou a exploração econômica e o autoritarismo não-liberal.

Após 1989, a unipolaridade estadunidense só reforçou estas tendências. O fim de uma ameaça soviética percebida diminuiu as pressões que levaram os líderes dos EUA a valorizar – mesmo que parcialmente – as instituições internacionais. A lógica do excepcionalismo dos EUA – o direito legítimo do país de escolher quando se limitar por arranjos globais – se tornou desligado de qualquer restrição externa significativa.Seja na Corte Criminal Internacional ou no Protocolo de Kyoto, as elites estadunidenses podem ter feito discursos da boca para fora sobre as instituições multilaterais e até presidiram a elaboração de novos tratados para a governança global, porém eles mesmos optaram por não fazer parte das instituições que eles próprios haviam negociado. Os efeitos desta deserção dos EUA ficaram aparentes no Oriente Médio – uma região cada vez mais formatada pelas preferências dos EUA por coalizões seletivas e ad hoc, e pelo uso unilateral e preventivo da força. O resultado disso hoje é um ambiente global no qual as regras do pós-guerra parecem menos relevantes do que nunca como um quadro para limitar os excessos do Estado. Além disso, o papel dos EUA nestes desenvolvimentos, bem como o colapso político interno das suas instituições – como foi tipificado pela insurreição do Capitólio [Congresso dos EUA, em 6/1/21] e a resposta caótica ao COVID-19 – torna suspeitos os novos esforços dos tomadores de decisões dos EUA para reafirmar a sua posição global.

Mantendo esta contra-narrativa do 'Século Americano', as vozes da esquerda frequentemente desafiam a ideia clássica de que o aparato de segurança nacional do pós-guerra cumpria os interesses dos mais oprimidos, seja nos EUA ou no exterior. Considere a história da expansão econômica dos EUA no século XX. A Segunda Guerra Mundial gerou um crescimento doméstico real, transformando os EUA de ser um dos vários atores globais para se tornar a força econômica dominante no mundo. Com as potências europeias dizimadas, os EUA se tornaram a potência hegemônica e o dólar estadunidense emergiu como a moeda global de reserva. Através da cenoura da assistência ao desenvolvimento e o porrete da intervenção militar e os golpes de Estado violentos, os EUA reconstruíram Estados estrangeiros à sua imagem, no processo de abrir mercados para bens estadunidenses.

Como resultado disso, os padrões de vida e o status social dos trabalhadores brancos sindicalizados e dos cidadãos da classe média dos EUA efetivamente alcançaram um ponto alto nos anos de 1950. Porém, a longo prazo, as consequências se provaram desastrosas. A tomada de decisões sobre política externa não era conduzida pelos trabalhadores ou pelos interesses destes, mas pelos especialistas de segurança e pelas elites corporativas. Ela foi construída em torno de metas de mercado pró-negócios e a continuação das intervenções militares de maneiras que penetravam a esfera doméstica – seja através de guerras caras e desastrosas, ou pela expansão dos direitos corporativos que minaram a posição global dos trabalhadores.

Vistas em conjunto, ao final estas políticas impulsionaram ciclos de contenção conservadora e privatizações que só se intensificaram após a Guerra Fria. Ao final do século XX, a austeridade neoliberal que as elites estadunidenses seguiram no exterior – da Europa Oriental à América Latina – também se tornaram o alicerce da política doméstica, dizimando tudo que restava das conquistas da classe trabalhadora. Ao final, os laços do Estado com os negócios, junto com o enorme crescimento do aparato de segurança, exacerbaram as desigualdades por todas as partes.

Para muitos na esquerda socialista democrática, esta crítica abrangente sugere a sua própria visão sobre o internacionalismo. Precisamente porque o estado de segurança dos EUA impulsionou metas que sustentam o poder corporativo, bem como as hierarquias raciais e de classe, o seu projeto não é consistente com os interesses básicos das comunidades oprimidas. Assim sendo, a classe trabalhadora e os grupos minoritários no país deveriam desenvolver uma política externa independente que enfatize a solidariedade com os trabalhadores no exterior ou as populações historicamente colonizadas. Este internacionalismo alternativo, diferentemente do internacionalismo liberal, vê o estado de segurança dos EUA como um obstáculo ao bem comum global e, portanto, necessita de uma transformação fundamental.

Um problema central para a esquerda estadunidense é a questão da transição internacional: como ir daqui para uma ordem global transformada? A atual ordem é composta por vários atores destrutivos. Alguns destes atores emergiram no contexto das escolhas de política externa dos EUA, mesmo que estes efeitos tivessem sido não-intencionais. Este é o argumento que alguns na esquerda têm enfatizado nas discussões sobre o domínio autocrático de Putin na Rússia. A promoção da privatização feita pelos EUA e a inanição das instituicões de Estado na Europa e em outros lugares, junto com as políticas de expansão da OTAN, não só canalizaram dinheiro para o quadro corporativo-militar, mas também alimentou uma mistura de oligarquia econômica e beligerância etno-nacionalista – condições maduras para uma tomada de poder feita por um déspota como Putin. No entanto, nada daquela análise histórica responde à questão sobre o que deve ser feito agora.

O establishment de segurança nacional, incluindo os liberais, tem uma resposta direta: o estado de segurança dos EUA deve intervir através da sua caixa de ferramentas clássica, com alguma combinação de sanções agressivas e confrontação militar. Para os defensores da primazia estadunidense, o fato global inevitável da presença de maus atores significa que cada colapso de instabilidade no exterior é uma nova prova da necessidade do excepcionalismo dos EUA. Na esteira imediata das asneiras estratégicas anteriores – no Vietname, na América Central, no Afeganistão, na Líbia – podem haver desconfortos sobre maus comportamentos no passado. Porém a fé na responsabilidade singular dos EUA significa que, a cada nova ameaça, essencialmente a história começa de novo. Reiniciar o aparato de segurança antecede o pensar sistematicamente sobre por que o passado recente foi bagunçado por tantas falhas.O ceticismo da esquerda sobre o estado de segurança nacional existente explica, em parte, a experiência mais abrangente de ficar na defensiva política. Durante os anos de 1970, um esquerdista estadunidense podia olhar para o mundo e ver uma ordem emergente e mais emancipadora, marcada por organizações de libertação nacional por toda a América Latina, a Ásia e a África. Organizações como o Congresso Nacional Africano na África do Sul desfrutaram de uma autoridade representativa de massa e promoveram pautas econômicas e de segurança transformativas. Líderes como Michael Manley na Jamaica, ou Julius Nyerere na Tanzânia, tentaram meticulosamente unir uma maioria global em torno de iniciativas como a Nova Ordem Econômica Internacional (NIEO – New International Economic Order). Como Adom Getachew explorou, tais esforços visavam substituir a rivalidade da Guerra Fria por um regionalismo multipolar comprometido a superar a exploração e as dependências na economia global.

No entanto, atualmente pouco resta dessa infraestrutura institucional internacionalista. Após reinvidicarem o poder, internamente as forças de libertação muito frequentemente colapsaram num autoritarismo, ou numa plutocracia. Efetivamente, assim como os liberais devem rejeitar uma apresentação romantizada do passado da Guerra Fria, também os esquerdistas devem evitar a sua própria nostalgia. Do ponto de vista externo, as elites políticas dos EUA e os seus aliados estratégicos desestabilizaram sistematicamente os movimentos e formações políticas não-alinhadas. As instituições internacionais de esquerda não só retrocederam; elas foram confrontadas e vencidas pela força.

Hoje em dia, para os internacionalistas de esquerda, a falta de uma infraestrutura e redes de solidariedade institucional global é um desafio político massivo. Os esquerdistas estadunidenses enfrentam um dilema básico quando argumentam contra as prerrogativas do estado de segurança dos EUA, ou quando buscam articular uma visão alternativa. A substituição no mundo inteiro dos movimentos de libertação por estados autocráticos significa que os esquerdistas têm menos organizações representativas que falam em nome dos públicos mobilizados e que poderiam trabalhar conjuntamente para desenvolver uma pauta transnacional ou respostas apropriadas para crises internacionais. Isto significa que os esquerdistas não têm qualquer agente político claro, parecido com o estado estadunidense, para servir como o motor da transformação.

Estas limitações institucionais alimentam duas tendências dentre os círculos esquerdistas que são profundamente contraproducentes. A primeira é consentir com a aguda separação entre política exterior e política doméstica que tanto marcou a política dos EUA desde os primeiros dias da Guerra Fria. Nos anos de 1950, os líderes trabalhistas estadunidenses, na sua maioria, aceitaram um acordo que preservou as suas vitórias duramente conquistadas no New Deal, enquanto deixavam ao estado o direito de dirigir a política exterior. Esta divisão criou uma sabedoria convencional onipresente na qual as questões domésticas, especialmente no que concerne à economia, eram aquilo em redor do que os estadunidenses se organizavam, enquanto que a política externa era uma questão para as elites de segurança – exceto quando o governo alocava um número significativo de tropas em campo. Esta divisão seguiu adiante, apesar das escolhas de política externa influenciarem profundamente o terreno da luta interna, incluindo a economia.

Para alguns na ala de esquerda do Partido Democrata, uma ambivalência básica sobre o estado dos EUA alimenta uma disponibilidade para recuar para esta divisória de longa data. Eles assumem o estado dos EUA quando falam sobre política doméstica, focalizando nos projetos igualitários e de bem-estar social do New Deal e as eras dos direitos civis. Os esquerdistas que querem construir um apoio eleitoral para a democracia social frequentemente invocam a versão daquilo que eu chamo de “credalismo”, ou seja, a crença na promessa inerentemente inclusiva do projeto estadunidense. No entanto, tal credalismo da esquerda doméstica enfrenta um quebra-cabeças quando criticam o estado de segurança nacional, porque as práticas dos EUA no exterior são quase sempre enquadradas nos termos morais de confronto com atores autoritários – sejam os Talibãs ou Putin – precisamente em nome de valores de crenças domésticas.

Se o crente de esquerda aceita a justiça de um projeto estatizante no seu país, por que se opor à sua articulação baseada nos mesmos termos das elites de segurança nacional no exterior? Por que rejeitar o poder do estado estadunidense enquanto uma força moral quando assumida internamente e quando as figuras globais que estão sendo confrontadas claramente opõem valores de crenças subjacentes? Voltando à própria Guerra Fria, uma resposta comum predominante na esquerda tem sido simplesmente de sair deste debate e de recuar para questões consideradas como domésticas.

Uma segunda e distinta tendência é evitar a dificuldade colocada pelo declínio de uma infraestrutura organizacional e de estado esquerdista global. A maior parte dos tipos de internacionalismo de esquerda aceita um nível profundo de princípio que uma ordem multipolar é preferível à unipolaridade. Se pode ver isto nas antigas chamadas terceiromundistas por instituições multilaterais (como a NIEO) que promoviam federações e regionalismo. Com o colapso do quadro do pós-guerra, há locais incipientes de multipolaridade, mas o mais poderoso deles são projetos capitalistas autoritários – como a China e a Rússia. Estes projetos são fundamentalmente antitéticos às visões emancipatórias da esquerda, seja a terceidomundista ou até de movimentos anteriores da classe trabalhadora internacional.

Mas ao contestarem a violência real e imperial em vigência dos EUA e ao assumir conceitualmente a multipolaridade, algumas vozes esquerdistas se engajaram em atos de problemática leniência política. Como Greg Afinogenov assinalou num recente artigo para o Socialist Forum, estes esquerdistas desenfatizam a destrutividade potencial das ordens globais emergentes. No pior dos casos, tal abordagem pode falhar em articular consistentemente uma oposição a ambos, ao imperialismo e ao autoritarismo. Ela pode criticar o imperialismo estadunidense, mas criar justificativas para autoritarismos locais, ou pode ignorar práticas de império que não emanam dos EUA ou do seu círculo de aliados.Estas duas tendências colocam dilemas reais para os internacionalistas de esquerda. Precisamente devido às armadilhas potenciais, é um incumbência dos esquerdistas estadunidenses desenvolver o tipo de visão e política internacionalistas que agrega universalmente e efetivamente as éticas anti-imperial e anti-autoritária.Para começar, isto requer ter uma resposta coerente para as crises em andamento, especialmente dado o papel destas crises em cercear a aparente inevitabilidade do establishment da segurança nacional. Os termos do debate sobre política externa nos EUA apresentam cada nova emergência como uma série de escolhas do tipo esta-ou-aquela, com a esquerda estando numa nítida desvantagem. Esta dinâmica é reforçada ainda mais pelo fato que as autoridades dos EUA amontoados com atores de estados aliados como Emmanuel Macron e Boris Johnson para inventar a sua pauta. Sem ter poder político e com instituições transnacionais limitadas, ao invés disso as vozes da esquerda global são muito isoladas uma da outra. Não há mecanismos para desenvolver coisa alguma como uma proposta alternativa comum e, sendo assim, não surpreendentemente, o discurso de esquerda nos EUA pode ser lido como sendo fraturado ou discordante. Tudo isso promove um ambiente no qual “fazer algo” significa apoiar a abordagem do estado de segurança, enquanto questionar aquela abordagem equivale a “fazer nada”.

Por esta razão, a esquerda estadunidense deve inevitavelmente persistir num difícil ato de equilibrismo: oferecer um relato genuíno de como o estado de segurança poderia se engajar diferentemente no tema em questão, enquanto sublinha como as prioridades geoestratégicas dos EUA tendem a subverter a promoção da democracia ou a proteção dos civis. Em nenhum lugar isto está mais claro que no Oriente Médio, onde os objetivos estratégicos – seja para apoiar ou para derrubar governos, inclinando a balança de poder regional para aliados como a Arábia Saudita ou os Emirados Árabes Unidos, buscando atingir metas de contraterrorismo contra atores como o ISIS, ou garantindo os interesses israelenses – geraram, no melhor dos casos, uma relação contingente aos valores humanitários declarados.

Os recentes eventos na Ucrânia provêm um exemplo dos desafios envolvidos nesse ato de equilíbrio. A invasão russa é um brutal ato de imperialismo que viola os princípios básicos da autodeterminação. Os ucranianos no campo estão engajados em uma guerra legítima de resistência armada que, até agora, tem impedido os avanços russos – em parte devido à ajuda militar defensiva vinda do exterior. Os EUA, corretamente, tem patrocinado tal resistência, porém o fez através de um quadro político falho que lembra uma ideia maniqueísta de amigos e inimigos de meados do século XX.

A abordagem é construída através do aumento da primazia militar na Europa (há mais tropas agora no continente do que em mais de duas décadas), bem como do número de armas em toda a região. Juntamente com um projeto de lei de arrendamento de terras visando a facilitar o fornecimento de armas – com um nome que invoca memórias da Segunda Guerra Mundial – o Congresso recém aprovou um novo pacote de assistência militar que envolve somas massivas (US$ 40 bilhões, além dos US$ 14 bilhões anteriores, mais até do que Biden pediu. Tudo junto, segundo a agência Associated Press, isso é igual a quase todo o orçamento do Departamento de Estado e cerca de um terço do PIB da Ucrânia. Como assinalou o historiador Adam Tooze, tudo isso significa que nós [os EUA] “estamos financiando nada menos do que uma guerra total”, uma preocupação reforçada por relatos vazados (e depois negados) de que os EUA estão provendo inteligência especificamente dirigida para matar generais russos.Estas políticas também vão de mãos dadas com uma abordagem de sanções agressivas, as quais efetivamente têm o propósito de cortar a Rússia de uma boa parte da economia global – apesar da evidência escolástica que assinala que estas sanções, porquanto forcem as populações civis a pagar um alto preço, raramente acabam com guerras. Ao mesmo tempo, os EUA estão apoiando os pedidos da Suécia e da Finlândia para integrarem a OTAN e, segundo todos os relatos, têm sido simpáticos aos esforços de vários países do Terceiro Mundo de negociar uma solução diplomática.Os Estados Unidos estão assumindo uma luta anti-imperial, porém este desejo genuíno de confrontar uma agressão autoritária é filtrado através de um conjunto de paradigmas e práticas institucionais existentes de segurança nacional. As ações dos EUA são efetivamente moldadas por metas estratégicas como pano de fundo – neste caso, a de enfraquecer antagonista global num campo de batalha relativamente periférico (pelo menos para os estadunidenses). O problema é que estes impulsos de enquadramento – especialmente quando ligados à sustentação de uma posição global de dominação – tendem a reproduzir uma correia transportadora de políticas que se imobilizam sempre que surge uma crise. Tomadas como um todo, estas políticas frequentemente impulsionam ações em direções escalatórias que podem divergir das metas de proteção humanitária e de resolução pacífica. Elas podem desenfatizar a preocupação com os custos ligados à manter funcionando o conflito, se isto puder minar o poder relativo da Rússia vis-à-vis os EUA e seus aliados.

O potencial para produzir perigosos efeitos aumentados sob a política estabelecida dos EUA não quer dizer que as vozes da esquerda devam argumentar a favor da não-intervenção no contexto do imperialismo russo. Porém isto sim exige uma análise sob medida que desagregue cuidadosamente o pacote de políticas convencionais de segurança que, como um todo, conduziram a resultados destrutivos. Tal análise resiste à posição de “pegar ou largar” da segurança do estado – o que habitualmente define como obstrucionismo de esquerda qualquer recusa de aceitar quaisquer pacotes que as autoridades pretendem efetivar para promover a liberdade no exterior.

A invasão da Rússia pede que a esquerda assuma a autodeterminação da Ucrânia e que apoie a genuína assistência militar defensiva, visando evitar uma derrubada ilegítima do governo. A posição hegemônica dos EUA e a sua história de intervenções falidas tende a se afirmar fortemente contra qualquer envolvimento militar estadunidense, especialmente quando se começa a partir de um princípio básico de avaliar escolhas políticas através do prisma de “não causar o mal”. Mas isto não significa que os esquerdistas devam se opor em todos os casos a qualquer tipo de apoio militar dos EUA. Eu argumentaria, por exemplo, que a falha dos EUA na primeira metade dos anos de 1990 de pover assistência similar aos bósnios – também sob circunstâncias de invasão – foi um erro moral e político que montou o palco para um genocídio e limpeza étnica. Depois disso, a própria falha em prover apoio defensivo se tornou a justificativa para uma campanha ilegal de bombaredeio dos EUA e da OTAN em Kosovo – a qual pressagiou décadas de contínuo descumprimento das regras internacionais por parte dos EUA.Criticamente, no entanto, qualquer assistência defensiva deve ser empregada para desescalar, ao invés de intensificar hostilidades e violências. Neste caso, isso significa que se deve distinguir com cuidado entre necessidades reais de autodefesa e um conflito geoestratégico por procuração – e recusar-se a financiar uma mudança para este último. Isso também implica em rejeitar sanções amplas a favor de medidas miradas que focalizam aqueles que são cúmplices da agressão russa. E, à medida que outras políticas econômicas mais amplas também sejam utilizadas, estas devem ser feitas através de esforços multilaterais para fechar os paraísos fiscais que todos os oligarcas – e não apenas os russos – se aproveitam. Acima de tudo, a assistência militar defensiva deve ser acompanhada por um compromisso ativo de engajar-se em negociações diplomáticas que gerem a paz. A assistência não pode ser usada como uma maneira de capturar a Rússia num lodaçal ucraniano através da disponibilização aparentemente ilimitada de fundos. Tal meta pode ajudar os objetivos estadunidenses numa “nova Guerra Fria”, porém também pode intensificar a catástrofe humanitária no campo.

Além disso, uma análise esquerdista deve estar profundamente preocupada com o aumento da militarização do continente europeu. Tal militarização se move na direção oposta de qualquer ordem verdadeiramente pacífica - a qual seria marcada, por sua vez, pelo desarmamento mútuo e por tomadas de decisão compartilhadas. A ideia de um futuro europeu governado por ainda mais primazia estadunidense e estruturado através da opressora presença de armas traz consigo possibilidades realmente distópicas, enquanto a perspectiva de uma Europa desmilitarizada parece estar mais longínqua do que nunca.

A Rússia é um ator incrivelmente perigoso, porém ela está claramente superada militarmente e economicamente pelos EUA e seus aliados na Europa – um fato sublinhado pelas suas reversões na Ucrânia. Ao mesmo tempo, o populismo autoritário está crescendo em todo o continente. Há futuros cenários nos quais os EUA e, talvez, a França e também outros estados europeus sejam regidos por autocratas de extrema direita. Neste contexto, a expansão intensa de gastos militares por todos os lados é uma receita para confrontações hostis entre inimigos beligerantes e xenofóbicos de todos os lados. Isto também parece ser predicado num excepcionalismo que considera os EUA e os seus principais aliados europeus como impermeáveis a retrocessos democráticos, apesar do registro da última década.

Além disso, os internacionalistas estadunidenses não podem parar de questionar a geoestratégia dos EUA e de oferecer um caminho político reenquadrado de alguma maneira. O coração do internacionalismo de esquerda é uma conta de solidariedade global que requer a ampliação do horizonte concernente que substitui as narrativas tradicionais de segurança. Com respeito à Rússia e à Ucrânia, isto significa pressionar por proteção humanitária para os civis – através de ajuda para a reconstrução, assistência humanitária para os milhões de deslocados e provisão de alimentos para os ucranianos que enfrentam a fome.

O último ponto indica um objetivo de política que os esquerdistas podem perseguir agressivamente de uma maneira que expanda as fronteiras de uma comunidade global significativa. O Programa Mundial de Alimentos da ONU disse que “a Ucrânia e a Rússia são responsáveis por 30% das exportações mundiais de trigo, 20% das exportações globais de milho e 76% do suprimento de girassol”. Juntamente com a crise energética generalizada, a guerra também aumentou dramaticamente a fome no mundo. Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, 1,7 bilhão de pessoas estão “altamente expostos” agora às crises de alimentos, energia e financeira, com pessoas nos estados de toda a África e o Oriente Médio à beira de morrer de fome.Estes efeitos da guerra raramente estiveram presentes nos noticiários televisivos – os quais mantém o seu foco cerrado nas consequências para a Europa e os europeus. A cobertura da guerra e a resposta dos EUA e dos seus aliados certamente mexem com sentimentos racializados sobre quem é (e quem não é) merecedor de preocupações morais. A pressão por um esforço redistributivo massivo e sustentado globalmente para aliviar tanto a fome quanto os choques extremos de energia gerados pela guerra - a qual o dinheiro prontamente disponível para as armas prova ser financeiramente factível – sublinharia que as comunidades sob pressão não são só europeias. Isso também repudiaria aquela visão maniqueísta de um mundo dividido entre impérios concorrentes, no qual a meta da política exterior é ajudar aliados e inimigos empobrecidos.

No entanto, ao final das contas, quando as crises específicas terminam, a esquerda estadunidense enfrenta um dilema institucional mais amplo: a falta de lugares transnacionais fortes de poder organizado e algum agente real de mudanças transformativas internacionais. Tudo isso coloca um prêmio sobre se pensar um processo pelo qual uma multipolaridade emancipatória possa emergir, ao invés de uma autoritária.

O renascimento de uma política socialista democrática nos EUA criou laços incipientes entre organizações do movimento no país – seja o movimento por Vidas Negras, o movimento Sunrise, a Aliança da Base por Justiça Global ou os Socialistas Democráticos dos EUA – e de organizações estrangeiras. O próprio Bernie Sanders tem se envolvido em conversações com Yanis Varoufakis e outros sobre o que significaria construir uma Internacional Progressista. Porém, muito mais faz-se necessário fazer para conceber os tipos de reformas revolucionárias, ou de reformas “não-reformistas” que mudariam os termos atuais de poder internacional, facilitando a força de uma esquerda global institucional.A ideia de reformas não-reformistas tem se tornado cada vez mais central para a imaginação da esquerda política doméstica [dos EUA] – especialmente, como escreve a professora de direito Amna Akbar sobre as discussões sobre abolicionismo de prisões e de polícias. Porém até esta data não há ainda uma estrutura comum para se pensar sobre o contexto global, muito menos para a construção institucional internacionalista dentro desta. No que implicariam tais reformas? Um ponto crítico de pressão é consolidar a posição do movimento trabalhista global. Nos anos recentes, talvez a maior história de sucesso eleitoral da esquerda seja a vitória presidencial de Gabriel Boric no Chile e o impulso por uma nova constituição chilena, construída ao redor das exigências das classes trabalhadoras. Estas vitórias foram resultado de uma rebelião em 2019 contra a austeridade, com o envolvimento central dos trabalhadores - professores, mineiros, estivadores e sindicatos do transporte coletivo. Nada disso é uma surpresa; durante mais de um século, as conquistas da esquerda tem sido ligadas à vitalidade do movimento trabalhista, na sua grande maioria. Isso sublinha a importância do poder de barganha dos trabalhadores e suas instituições para a esquerda transnacional.

As reformas ligadas a estas metas envolvem impor limitações reais sobre os direitos transnacionais de propriedade das corporações. Elas requerem ter pleno emprego e programas de emprego garantido no país, indo de mãos dadas com o fim da impunidade dos negócios no exterior – o que significa implementar padrões ambientais e de trabalho, responsabilizar as corporações pelo que ocorre nas suas cadeias de suprimento e processar aqueles que violam a lei. Estas são boas práticas por si próprias, mas também são esforços para começar a reverter o papel da austeridade neolberal em desmantelar a infraestrutura institucional das políticas de esquerda e da solidariedade em todo o planeta.

Relativo a isso, a descriminalização da fronteira – e a dramática extensão dos direitos legais e políticos aos imigrantes nos EUA – devem ser vistas como um componente-chave da política externa da esquerda. Precisamente por causa do grau que os imigrantes são uma parte crítica da classe trabalhadora estadunidense, a melhoria do seu poder na sociedade estadunidense não só alimenta a política doméstica de classes, mas também cria mais laços profundos com a organização trabalhista transnacional. 

Acima de tudo, no entanto, nenhum internacionalismo de esquerda estadunidense será capaz de fazer retroagir eficazmente o estado de segurança nacional a não ser se as suas metas tenham o poder da pressão democrática de massas e que sejam compreendidas pelos eleitores locais dos EUA como essencial para realizar mudanças sociais. Os movimentos organizados no campo devem ver o internacionalismo como sendo relacionado às suas exigências materiais centrais. Aquela velha separação entre o estrangeiro e o doméstico deve ser repudiada como uma questão da vivência política quotidiana.O orçamento de segurança segue sendo o melhor lugar para construir tal esforço, de modo que a peça central de qualquer ambição internacionalista deve ser uma dramática redução do aparato de segurança existente. Faz-se necessário contestar o orçamento, tanto para transformar a infraestrutura do estado quanto para adquirir os recursos para buscar os fins democráticos sociais – como o acesso universal aos cuidados de saúde, educação, habitação e empregos. Além disso, a política do orçamento também representa a razão pela qual os trabalhadores devem se preocupar com as alianças geoestratégicas destrutivas que o governo dos EUA tem mantido. Os gastos com segurança constituem uma doação massiva para as corporações (desastrosamente sintetizada pelos bilhões desperdiçados em empresas privadas no Afeganistão,que pouco fizeram para sustentar um exército local ou um governo com credibilidade interna). O orçamento militar facilita uma relação militarizada com o mundo e, através da venda de armas e da assistência financeira, banca a violência extrema de aliados regionais específicos.Assegurar os direitos trabalhistas, descriminalizar a fronteira e reduzir o orçamento de segurança são apenas algumas das maneiras possíveis para construir significativamente o internacionalismo de esquerda nos EUA. Eles devem fazer parte de uma pauta mais ampla da esquerda estadunidense, a qual poderá incluir numerosas iniciativas, indo desde a justiça climática até mudanças nos termos das alianças regionais dos EUA (por exemplo, no Oriente Médio), alterações básicas ao seu regime de sanções e investimentos globais genuínos para tratar das hierarquias estruturais na economia mundial. Mesmo esta é uma lista incompleta.

Porém eu focalizo nestas três reformas devido à sua conexão direta à construção de um poder transacional. As proteções globais para os trabalhadores e a descriminalização da fronteira melhorariam a posição de barganha e as instituições coletivas do eleitorado de trabalhadores de esquerda. Quando estes grupos desfrutarem de um poder maior no contexto das suas lutas políticas específicas, isto produzirá um efeito de ondas que fortalece uma esquerda transnacional mais ampla. Quanto ao orçamento de segurança, quando o eleitorado de trabalhadores de esquerda dentro dos EUA virem os seus interesses materiais como estando ligados às mudanças na política externa, isso poderá fomentar a energia dos movimentos de massa ao redor das questões internacionais, bem como um sentido de propósito comum com os trabalhadores no exterior e em lugares mais amplos de solidariedade global.

Assim como muito do resto da pauta da esquerda, estas metas enfrentam uma incrível batalha morro acima. Mas uma parte do seu significado também é o de alterar a maneira pela qual os estadunidenses pensam sobre a política exterior. Enquanto os esquerdistas precisam de respostas concretas para os desenvolvimentos do exterior, muito da imaginação coletiva tem sido construída em torno da ideia de que a política exterior trata na sua maior parte dos EUA apagando incêndios que simplesmente surgem do nada. Além de contestar este quadro de inocência moral, também é crítico se apreciar como a estrutura de relações internacionais é a água dentro da qual nadam as lutas políticas domésticas. As opções disponíveis atualmente para as comunidades dos EUA estão ligadas ao quadro internacional que ocorreram no passado – como de que maneira o entrincheiramento doméstico neoliberal está fundamentalmente ligado ao repúdio estadunidense e europeu nos anos de 1970 às ideias do não-alinhamento e terceiromundistas de uma comunidade global compartilhada. A pauta política para alterar aquela estrutura abrangente é essencial para todos os projetos de liberdade dentro dos EUA.Em última análise, qualquer internacionalismo de esquerda nos EUA enfrenta o desafio da importância simbólica para a vida estadunidense do papel hegemônico do país. Durante quase cem anos, os estadunidenses se acostumaram a um projeto global que William Appleman Williams chamou de “império como um modo de vida”. A cultura política dá de barato que a segurança do estado, mesmo sendo falha nas bordas, é precisamente aquilo que o internacionalismo liberal a presume ser: o legítimo agente da mudança transformativa do mundo.

Os estadunidenses podem se sentir confortáveis com críticas à guerras específicas, ou até à Guerra ao Terror de maneira mais geral. No entanto, questionar a legitimidade essencial da posição do estado de segurança na ordem internacional é toda uma outra coisa. Uma parte da razão pela qual as elites da segurança nacional podem reinvocar continuamente a necessidade da primazia estadunidense e ignorar como o comportamento passado dos EUA se conecta aos dilemas atuais é este pano de fundo da experiência cultural. Para muitos estadunidenses, a própria ideia dos EUA está embrulhada com o fato de que o país teve a capacidade e o direito de remodelar o mundo por tanto tempo que alguém possa se lembrar.

Qualquer versão compromissada com uma política externa de esquerda exige desistir firmemente do poder simbólico e prático da primazia estadunidense: a ideia que o estado dos EUA deve ser o centro de todos os assuntos globais. Tudo isso sugere que uma política externa de esquerda envolve criar as condições para a dispersão significativa do poder. Como podemos desafiar o atual sistema global no qual um pequeno número de atores ricos – seja nos EUA, na Europa ou na China – desfrutam de um monopólio sobre os termos [de funcionamento] da comunidade global?

Dizer uma coisa dessas em voz alta nos EUA é chocar-se com profundas correntes de autocompreensão nacional e de orgulho coletivo. Há uma tensão  inerente em sustentar uma ética anti-imperial daquilo que representa o próprio coração do império moderno. Esta tensão explica por que muitas das mais significativas formações internacionalistas de esquerda do passado – incluindo aquelas que descendem de uma longa história de lutas anti-coloniais – e emergiram principalmente na periferia e fora da metrópole, Há muito pouca história de impérios de abandonar por vontade própria o poder que advém da autoridade arrogante. E este fato pode se provar como sendo intransponível nos Estados Unidos.

Porém, a luta para mudar a autocompreensão estadunidense, juntamente com a luta por mudanças políticas específicas, permanece essencial de qualquer maneira. O mundo está enredado numa série de testes profundos – desde a pandemia até os desdobramentos do desastre ecológico – que exige repensar dramaticamente as obrigações dos estados sobre a saúde e o bem-estar. As situações prevalentes, sejam elas perseguidas pelos EUA ou pelos seus inimigos, simplesmente se recusam a reconhecer a necessidade de se repensar qualquer coisa que seja. Tudo isso faz da construção de uma política externa alternativa mais do que um desejo da esquerda. Não há um caminho para se assegurar um futuro coletivo do mundo sem uma mudança genuína.

*Aziz Rana ensina na Escola de Direito da Universidade de Cornell (New York) e é um membro do Quincy Institute for Responsible Statecraft e membro do conselho editorial da revista Dissent. Ele é o autor do livro 'The Two Faces of American Freedom' (As Duas Faces da Liberdade Estadunidense).

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