Reparações da escravidão: uma nova pauta na política

Os protestos nos EUA decorrentes do assassinato de George Floyd vem levando diversos candidatos a abraçar a causa das reparações históricas

(Foto: Luiz Rocha / Midia NINJA)
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Leonardo Sobreira, 247 -  A questão das reparações históricas para negros vem ganhando popularidade no cenário internacional. O assassinato de George Floyd e os protestos liderados pelo movimento Black Lives Matter nos Estados Unidos serviram de estopim para que o tópico começasse a ser tratado com mais seriedade por políticos e sociedade civil. 

Historicamente, é raro que países admitam seus erros e ajam de maneira a corrigi-los. O caso mais conhecido é o da Alemanha pós-Nazista, que indenizou famílias judias após a Segunda Guerra Mundial e, recentemente, ampliou a disponibilidade de fundos disponíveis a famílias sobreviventes do Holocausto. Políticas de reparação também foram implementadas na África do Sul após o Apartheid e nos EUA, como punição aos campos de concentração para Japoneses e seus descendentes na Segunda Guerra Mundial.

A escravidão parece não ser vista no mesmo pedestal que tais eventos. As discussões sobre possíveis reparações a negros são constantemente estigmatizadas. O ex-presidente americano Barack Obama as vê como “impraticáveis,” e dois terços da população americana, de acordo com um levantamento da Gallup, as opõem. Porém, o assassinato de George Floyd e os protestos liderados pelo movimento Black Lives Matter nos Estados Unidos serviram de estopim para que o tópico começasse a ser tratado com mais seriedade por políticos e sociedade civil. 

No entanto, movimentos nos EUA e Reino Unido evidenciam uma ressurgência de argumentos pró-reparação. Como apontado pelo New York Times, o candidato democrata de Kentucky ao Senado americano, Charles Booker, menciona o tópico das reparações em seu site de campanha. Jamaal Bowman, candidato nas primárias pelos Democratas em Nova York, declarou publicamente que também acredita nas reparações como forma de se reparar o dano histórico causado pela escravidão. 

Recentemente, o Guardian, maior jornal britânico, também colocou seu peso por trás da causa. O Reino Unido, inegavelmente, se beneficiou do comércio de escravos. “Os proventos da escravidão e o trabalho exploratório que a sucedeu geraram os lucros que possibilitaram a modernização econômica do Reino Unido. A pobreza sistemática existente no Caribe pode ser traçada diretamente à era da escravidão e colonialismo, no final da qual o Reino Unido se retirou deixando 60 por cento da população local analfabeta.”

No Brasil, que viu suas elites econômicas se beneficiarem ao longo de mais de 300 anos da escravidão, raramente o tópico é mencionado. Cinco milhões de escravos foram trazidos da África para o Brasil entre 1550 e 1856, e 660 mil morreram apenas durante a travessia transatlântica. O país é signatário da Declaração de Durban, assim assumindo responsabilidade por estes crimes. No entanto, é necessário ir muito além para se realmente amenizar o peso da escravidão na nossa sociedade. 

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